Revendo a trilogia de Wolverine: um acerto compensa dois erros?

Continuando nossa retrospectiva dos filmes da década, abordamos agora a trilogia dos filmes solos de Wolverine (na verdade, iniciada na década passada), inserida dentro do universo dos X-Men. Veja nossa opinião sobre cada filme, abaixo:

  • X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine), de Gavin Hood (2009)

A abertura – a melhor do subgênero ao lado da de Watchmen – e a primeira metade, que adota um talvez involuntário, mas eficaz clima de Sci-Fi B oitentista para estabelecer a persona de Logan (Hugh Jackman) e seus conflitos no ritmo certo, enganam bem, e eu realmente não tava entendendo por que falam tão mal desse filme. Aí, veio a segunda metade, com seus fan services desnecessários, humor pastelão constrangedor e sequências de ação genéricas e intermináveis, e eu entendi o porquê. Potencial jogado fora, mas ainda consegue ser regular, no todo. 5/10

  • Wolverine: Imortal (The Wolverine), de James Mangold (2013)

O trabalho de Mangold, aqui, se não é digno de nota, ao menos é redondinho, e ele acerta, principalmente, ao fugir dos vícios gritantes do filme anterior. O problema desse, porém, não é interno. É o fato de terem realizado um filme tão desnecessário e tão essencialmente episódico, com uma trama, apesar de correta, extremamente previsível, que nada acrescenta ao personagem principal, se limitando a reproduzir, e aqui timidamente como nunca, as mesmas questões e conflitos de sempre – “você não é um animal”, “você é um soldado” etc. – para tentar justificar minimamente a existência do filme. Se encarado como um episódio de seriado, até funciona como passatempo leve. Como filme, porém, é fácil perceber que se trata de um caça-níquel descarado. 5/10

  • Logan (idem), de James Mangold (2017)

Logan é um filme de contraposições. Se desde o início a opção por uma atmosfera que remete ao neo noir traz um necessário refresco e senso de fatalismo ao desgastado subgênero, por outro lado o filme parece sentir a necessidade de não fugir demais das convenções dos “filmes de super-heróis”, trazendo como antagonistas as figuras vilanescas de sempre, explicando em demasia o enredo e remetendo a questões melhor tratadas em outros X-Men. Se o filme compreende seu protagonista como um personagem trágico e entende que o molde narrativo mais adequado para retratá-lo é o dos road movies, por outro lado não ousa se entregar completamente ao formato, inserindo mais sequências de ação do que seria necessário. Se o ocaso dá o tom da narrativa, há bem vindas injeções de redenção pra o protagonista e de renovação para a franquia.

No fim das contas, “Logan” acaba sendo um testamento mais do que digno para Wolverine no cinema, mas a impressão que fica é de que seus realizadores não tiveram a coragem ou a liberdade necessária para ir além do meio do caminho e entregar um filme que poderia redimensionar o subgênero e se juntar aos grandes. Não o fizeram, mas, se não conseguiram fazer o melhor X-Men ou o melhor “filme de super-herói” de todos os tempos, como parte da crítica defendeu, ao menos não há como negar que Logan é, sim, um dos bons exemplares desse universo. 7/10

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Categorias:Cinema, Críticas

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