Top 10 – Os melhores filmes do primeiro semestre de 2019

O que entra: lançados no circuito comercial de cinemas do país; lançados em plataformas destreaming; lançamentos em qualquer via oficial de home-video; lançados no exterior e obtidos na ilegalidade sem perspectiva de distribuição no Brasil.

O que não entra: lançados no país apenas em circuito de festivais; relançados no circuito comercial de cinemas; lançados no exterior e obtidos na ilegalidade, mas com previsão de distribuição futura no Brasil.

10. John Wick 3: Parabellum (Chad Stahelski)

A melhor franquia de ação da atualidade segue a tendência de Um Novo Dia para Matar, aprofundando o contraste entre sua cartunesca mitologia de roupagem multicultural e o modo prático, bruto e de encadeamento imediato com que organiza a condução narrativa e a resolução dos conflitos. No mundo de John Wick, a prática da violência é a linguagem universal. De quebra, Parabellum oferece no mínimo três set pieces (grandes cenas) que entram imediatamente no imaginário do gênero.

9. Guerra Fria (Pawel Pawlikowski)

Como em Ida, Pawlikowski propõe uma encenação marcadamente realista, de mediação quase direta, que, mesmo com alguns recursos narrativos rompendo com essa lógica – as elipses temporais, notadamente –, deixa à aridez e melancolia da dramaturgia a tarefa de falar mais alto.

8. Hotel às Margens do Rio (Sang-soo Hong)

Naquele que é provavelmente o menos inventivo de seus filmes sob a ótica formal (e o mais duro em substância), Hong mostra domínio duma mise en scene mais próxima do clássico, impregnando o tempo e os espaços narrativos de um auto evidente espírito de impessoalidade e ausência e erigindo um agridoce canto do cisne.

7. Nós (Jordan Peele)

A segunda incursão de Peele no cinema de horror harmoniza novamente elementos de comédia absurdista, distopia Sci-Fi e realismo social, em um conto de escopo discursivo que, se não é tão certeiro quanto em Corra!, tem o mérito de propor uma visão mais ampla das relações humanas e entregá-la a contento, oferecendo ainda uma linguagem ágil e prática que propicia alto valor de entretenimento imediato.

Crítica completa, clique aqui.

6. A Favorita (Yorgos Lanthimos)

No mais maduro de seus filmes, Lanthimos articula a forma cinematográfica a favor da substância proposta. Todos os elementos de A Favorita convergem para o estabelecimento de uma aura de putrefação de valores e pragmatismo amoral, e a narrativa, ainda que gire quase inteiramente em torno de um só conflito, se mantém instigante pela subdivisão em capítulos que cadenciam a constante sucessão de eventos.

Critíca completa, clique aqui.

5. Dragged Across Concrete (S. Craig Zahler)

Sujo e caótico, o drama policial de Craig Zahleré um painel multiperspectivista da realidade dos atores que integram o “povo comum” numa fictícia cidade estadunidense. Embora evite uma proximidade afetiva em relação a seus personagens, mantendo postura de observação distante e planificadora que concebe a lógica da selvageria como autoevidente, o diretor tem a sensibilidade de captar sutis gestos de aproximação entre polos concretamente antagônicos. No todo, porém, prevalece a essência da violência.

4. Dor e Glória (Pedro Almodóvar)

A notória habilidade dramática de Almodóvar a serviço duma investigação de crise e reinvenção. Na narrativa autorreferente e metalinguística de Dor e Glória, o ato de se apoderar da própria história é, também, o exercício de controle sobre a própria vida. E o filme ainda tem a melhor cena final em minha memória recente.

3. Se a Rua Beale Falasse (Barry Jenkins)

Se em Moonlight Jenkins trouxe um sensível drama de formação de identidade orientado pelo peso das instituições, em Se a Rua Beale Falasse ele usa seu apuro estético em favor de um melodrama institucional e de costumes que põe em análise de modo mais amplo a ótica de pessoas de identidade já formada ante a realidade que as cerca. Talvez não tão singular quanto o longa anterior do diretor, mas de texto mais amplo e provocativo.

2. Lazzaro Feliz (Alice Rohrwacher)

Num circuito de festivais atualmente dominado pela narratividade hiper-realista/naturalista, um filme como Lazzaro Feliz, que assume o realismo fantástico de apelo universal para trazer uma perspectiva que combina pureza e fatalismo acerca do lugar da bondade nas relações interpessoais e estruturais da sociedade, é um verdadeiro oásis.

1. Assunto de Família (Hirokazu Koreeda)

O novo longa de Koreeda se organiza sobre pilares bem definidos – a afetividade e a moralidade – e propõe um choque entre eles, questionando até que ponto a mácula em um pesa sobre a legitimidade do outro. A narrativa desafiadora e sem concessões põe o espectador no papel de juiz – inclusive visualmente, em um plano memorável próximo ao fim – e elastiza qualquer noção preconcebida de valores. Não acho adequado o corriqueiro uso de “humano” como adjetivo, mas aqui não vejo outro que melhor defina o que é Assunto de Família. Demasiadamente humano, com todas as implicações aí possíveis.

Crítica completa, clique aqui.

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Categorias:Cinema, Listas

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