‘Mistério no Mediterrâneo’: quando não é apelativo, Adam Sandler é até suportável

Existem 1) filmes DE Adam Sandler, 2) filmes COM Adam Sandler, mas não DE Adam Sandler e 3) filmes COM Adam Sandler SEM Adam Sandler.

Na primeira categoria estão coisas pavorosas como O Paizão, Os Seis Ridículos, Cada um tem a Gêmea que Merece, Eu os Declaro Marido e.. Larry e mais outros quinhentos. Estes são filmes infantilóides, da mais baixa comédia e apelativos, quando não escatológicos, que sabe-se lá porquê há uma considerável parcela da humanidade que considera engraçado.

Na segunda categoria, geralmente estão as comédias românticas mais agradáveis e menos apelativas, para incluir o público feminino sem excluir os homens adultos infantilizados, seu ganha-pão. Dessa fornalha saem filmes mais palatáveis como Click, Como se Fosse a Primeira Vez (que adoraria se não fosse a presença de Rob Schneider, seu parceiro habitual de “comédias”, estragar tudo), Esposa de Mentirinha e mais meia dúzia de filmes. Ainda assim, são filmes com Adam Sandler. Aqui também se encaixa o filme do título.

Na terceira categoria estão os filmes de diretores com assinatura, que sobreviveriam muito bem sem Adam Sandler, mas por alguma razão ele está lá. São dessa leva Embriagado de Amor de Paul Thomas Anderson e Os Meyorovitz: Família Não Se Escolhe de Noah Bambauch. Esses infelizmente são raros.

Como antecipei, Mistério no Mediterrâneo (Netflix, 2019) faz parte do segundo grupo. Menos mal. Bom, vamos lá, na história, um policial nova-iorquino (Sandler) e sua esposa (Jennifer Aniston, no piloto automático) saem de férias para a Europa para revigorar o casamento de 15 anos, mas acabam conhecendo um bilionário (Luke Evans) no avião, fazem amizade e são convidados para seu iate, onde tornam-se suspeitos pela morte de um idoso ricaço, avô do novo amigo.

Há toda uma trama paralela com as frustrações maritais da esposa e uma grande mentira que o marido esconde, que deveriam dar substância à trama policial, mas não fazem faísca. A parte mais interessante da história se desenrola quando eles chegam ao iate. Há duas ou três piadas ou situações realmente engraçadas, por que é sempre divertido ver gente pobre se deslumbrando no mundo dos ricos. É este segundo ato no alto-mar que nos faz aguentar as pontas e se interessar pelo velho mistério de “quem matou?”.

A homenagem/releitura ao clássico Assassinato ao Expresso Oriente, de Agatha Christie é respeitosa e não ofende, mas, é claro, é sempre melhor ler o livro e assistir a digníssima e melhor adaptação da obra, o filme dirigido por Kenneth Branagah em 2017.

No fim, pode-se dizer que Sandler se renovou. Não está inapropriado nem mal escalado. Está apenas inofensivo. E isso é um grande passo para ele.

Nota: 4/10

Trailer:

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Categorias:Cinema, Críticas

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1 resposta

  1. Discordo fortemente a respeito da terceira categoria. ‘Os Meyerowitz’ e, principalmente, ‘Embriagado de Amor’ seriam obras completamente diferentes sem a escalação dele. Não é pq são trabalhos diferentes doq ele costuma fazer q a presença dele é descartável

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