Revendo ‘A Casa do Lago’ na Netflix: um filme complicado e perfeitinho

É preciso manjar muito de cinema para conseguir suspender nossa descrença como em A Casa do Lago (2006), que entrou recentemente para o catálogo da Netflix, filme encantador que torna a lógica interna quase supérflua. Na verdade, o filme é um remake do coreano Siwoare (2000), mas mesmo assim, Hollywood já provou que refilmagens resultam na maioria das vezes em grandes decepções e mancadas. Então, de antemão, meus parabéns ao diretor argentino Alejandro Agresti pelo feito.

Na trama, Kate Forster (Sandra Bullock) está mudando-se de sua peculiar casa do lago que tem todas as paredes de vidro. Ela é médica e acaba de começar a trabalhar em um hospital em Chicago, mudando-se para um novo apartamento no centro da cidade. Alex Wyler (Keanu Reeves) é o novo proprietário da casa do lago, um arquiteto que trabalha na construção de um novo conjunto habitacional na cidade.

Alex e Kate se correspondem, falando sobre os assuntos da casa e da vida, trocando cartas que são colocadas na caixa de correio da casa do lago. Mas uma coisa estranha está acontecendo, porque os dois descobrem que a caixa está funcionando com uma espécie de máquina do tempo, já que Alex está vivendo em 2004 e Kate em 2006. Depois de enviar um ao outro muitas cartas falando sobre suas vidas, com Kate contando como o mundo estará dois anos a frente, eles se apaixonam. Mas como se encontrarão vivendo em tempos diferentes?

Viagens temporais e realidades paralelas são comumente associadas ao gênero da ficção cientifica, porém, foram apropriadas com eficiência nesse romance água-com-açúcar. A caixa postal do filme tem seu quê de fantasia, mas o roteiro alcança níveis existencialistas mais profundos discorrendo sobre a intricada dificuldade de conexão com outrem. Aí talvez resida tanto seu desvio de foco como seu grande acerto. Quem nunca quis alguém compatível em personalidade e ideias para conversar quando se sentiu isolado? Quem nunca se sentiu sozinho em uma festa lotada? Ou quem não temeu esperar muito tempo para encontrar alguém especial antes que seja tarde demais? A própria arquitetura da casa do lago é um espelho de nossa triste condição humana: transparente, solitária, precisa de um conserto, mas ainda possui certa beleza.

Keanu Reeves e Sandra Bullock, que tantas vezes vi em Velocidade Máxima, funcionam tão bem em cena. Os dois já tiveram seus talentos dramáticos muitas vezes questionados, mas tem uma impressionante química natural juntos que faz o que todo romance de cinema deveria fazer para funcionar, mas às vezes falham: torcer para o casal ficar juntos e felizes para sempre. Simples assim. Eles estão carismáticos, vulneráveis e angustiados, dando assim credibilidade a um filme muito exagerado e sem sentido. O recado é: o amor é ilógico de muitas maneiras, mas quando você encontra a pessoa certa é mágico. Não é bonitinho?

Nota: 9/10

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Categorias:Cinema, Críticas

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