Só quem foi mordido por um tubarão sabe o que Blake Lively passou em ‘Águas Rasas’

Águas Rasas, que entrou para o catálogo da Netflix recentemente, é o melhor filme de tubarões desde o clássico Tubarão (1975). Não quer dizer que seja tão bom como o filme de Steven Spielberg, mas pelo menos consegue capturar o espírito do anterior. O diretor Jaume Collet-Serra (A Orfã, Sem Escalas) aprendeu bem com o mestre: quando menos se mostra o perigo, mais latente ele fica.

No filme de 2016, estrelado por Blake Lively, o tubarão aparece meros quatro minutos em cena, mas é mais do que suficiente. Com pouco menos de uma hora e meia, a película acompanha a odisseia da surfista texana Nancy Adams (Blake Lively) tentando sobreviver em cima de um rochedo depois de ser mordida por um tubarão. Para azar da moça, ela está em uma praia quase deserta de que nem sabe o nome, no México, e o tubarão (apesar de ter uma baleia morta à sua disposição) cismou com ela e quer comê-la de qualquer jeito, após ter experimentando o gosto do seu sangue. Nancy não está sozinha, ela tem uma gaivota com a asa quebrada como companhia no rochedo. As duas azaradas acabam ficando amigas assim como Tom Hanks e a bola Wilson em Náufrago (2000), outro filme excelente sobre alguém se meteu em uma enrascada solitária e precisa lutar para sobreviver.

Lively, em um desempenho tour-de-force, vence pelo carisma e a beleza. O diretor Collet-Serra nem disfarça que está apaixonado pela atriz. Ele filma cada milímetro do seu rosto e corpo durante todo o filme: primeiro ela linda e bela, e depois toda ferida e machucada, mas ainda linda e bela. Nem dá para acreditar que a atriz estava grávida do seu segundo filho durante as filmagens. Aliás (adoro essa palavra), Lively disse que se inspirou pelo trabalho do marido, Ryan Reynolds, no filme Enterrado Vivo (2010), afirmando que “essa foi uma das razões pelas quais eu queria tanto fazer esse filme, porque eu sei o quão difícil foi para ele e como foi gratificante”. Enterrado Vivo, de fato, é um dos filmes mais sufocantes que existem que mostra o interprete de Deadpool tentando sobreviver dentro de um caixão com o pouco de oxigênio que ainda lhe resta.

Bem, Águas Rasas demora muito ambientando o cenário e só empolga de verdade um pouco tarde quando a moça encontra o seu destino. Nancy está passando por um luto pela morte da mãe que havia surfado naquela mesma praia no México, mas todo esse background para simpatizarmos com a personagem é meio batido e feito da maneira bem convencional. Entretanto, não importa muito, visto que a parte de sua agonia solitária na água consegue criar tensão e medo, sendo que isso foi o que o filme nos prometeu. Ao final, a mensagem também é ótima, um pouco clichê é verdade, mas sempre válida: a única maneira da bela vencer a fera nesse mundo é com astúcia e inteligência.

Nota: 6/10

Trailer:

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Categorias:Cinema, Críticas

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