Os 3 melhores filmes da década de 2000

Todos os filmes dessa lista estão incluídos no meu Top 10 de melhores de todos os tempos.

Medalha de Ouro: Match Point – Ponto Final (Woody Allen, 2005)

Woody Allen sempre brincou de fazer filmes de crime e mistério – vide Crimes e Pecados, O Sonho de Cassandra e Um Misterioso Assassinato em Manhattan – mas nunca foi tão feliz como neste aqui. No seu primeiro filme londrino, ele inseriu na clássica história de “quem matou?”, um protagonista atormentado pela própria consciência como em Crime e Castigo de Fiodor Dostoiévski, Macbeth de William Shakespeare e O Estrangeiro de Albert Camus. Assim, deu substância a um simples filme de gênero.

O papel determinante da sorte na nossa existência, outro tema bastante recorrente em sua filmografia, é melhor discutido aqui. Para o cineasta ateu, o sentido da vida não está pré-determinado, sendo na verdade aquele que damos a ela. Sendo assim, podemos fazer tudo o que quisermos, pois tudo é permitido. Entretanto, se você escolher o caminho da iniquidade, tal qual Chris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers) no filme, deverá arcar com as consequências. Você pode até não sofrer uma punição severa, mas os fantasmas da sua cabeça nunca desaparecerão. Apresentei o filme a alguns amigos, que o acharam perturbador, justamente por que Allen se nega a dar uma punição mundana à maldade. Mas acho que o cineasta quis nos passar uma mensagem otimista: é mais nobre aceitar a terrível verdade da existência e ser decente e moral diante dela para que, desse modo, possamos dar-lhe algum sentido positivo. Sentido este distante de castigos ou recompensas celestiais.

Medalha de Prata: O Filho da Noiva (Juan José Campanella, 2001)

Aos 42 anos, Rafael Belvedere (Ricardo Dárin), dono de um restaurante, está em crise, assim como seu país Argentina. Ele vive à sombra de seu pai, Nino (Héctor Aterio) e se sente culpado por raramente visitar sua mãe idosa que sofre de Alzheimer, Norma (Norma Aleandro). Sua ex-esposa, Sandra (Claudia Fontán) diz que ele não passa tempo suficiente com sua filha e ele ainda tenta manter um relacionamento com sua namorada bem mais jovem, Somado a isso tudo, Rafael é desleixado com a saúde, o que lhe causa um pequeno ataque cardíaco, mas o reúne com Juan Carlos (Eduardo Blanco), um amigo de infância, que ajuda Rafael a reconstruir seu passado e olhar o presente de novas maneiras.

O Filho da Noiva é um filme redondinho, muito cativante, com roteiro bem lapidado, que é a especialidade dos argentinos, vide O Segredo dos Seus Olhos, também de Campanella, e Relatos Selvagens. Apresenta um tour de force do onipresente Ricardo Dárin, um craque das ditas “dramédias”. Mais que as tragédias que acontecem na trama como o ataque do coração, a eterna crise econômica e as doenças da velhice, destaco o humor esperto de referências que vão de Zorro ao Chaves. Por falar nisso, você sabe quem é Dick Watson?

Medalha de Bronze: O Homem que Não Estava Lá (Joel e Ethan Coen, 2001)

Peça para citar alguns filmes dos Irmãos Coen e provavelmente receberá como resposta Onde os Fracos Não Tem Vez, Fargo e O Grande Lebowski. Eu incluiria um quarto na lista: O Homem que Não Estava Lá. A meu ver, é o melhor filme dos cineastas por solidificar um tipo de personagem que eles adoram e eu também: o homem medíocre que tenta dar algum significado para sua vida, mas acaba falhando miseravelmente. Este homem é Ed Crane, o espectador da própria existência, estupendamente bem interpretado por Billy Bob Thorton. Como a história se passa nos anos 1940, é irresistível comparar a fotografia em preto-e-branco, de Roger Deakins, com os filmes noir, porém, as semelhanças param por aí. A obra atinge níveis filosóficos bem mais complexos do que as intenções do noir. Acho uma grande injustiça poética que o melhor filme dos Coen nunca esteve lá no pódio como os outros citados acima.

Menções Honrosas: Orgulho e Preconceito, A Fronteira da Alvorada, A Criança, Amor à Flor da Pele, Closer – Perto Demais, Amores Brutos, Bastardos Inglórios, A Professora de Piano, Procurando Elly, Estamos Bem Mesmo Sem Você, Oldboy, As Chaves de Casa, Irreversível, Andando, Jogo de Cena, Encontros e Desencontros, Pecados Íntimos, Cidade de Deus.

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Categorias:Cinema, Críticas, Listas

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