Os 3 melhores filmes da década de 1990

A década que apesar de recente já nos forneceu bastante clássicos.

Medalha de Ouro: Forrest Gump (Robert Zemeckis, 1994)

Filme que faz parte da minha memória emocional, por ter assistido tantas vezes na infância e uma das histórias mais carismáticas de todos os tempos. Revisto como adulto continua um primor narrativo e até perdôo-o por ter “roubado” o Oscar de Pulp Fiction. É verdade que os efeitos especiais ficaram um tantinho ultrapassados, mais isso é o de menos, tendo em vista que a mensagem de Zemeckis ainda toca fundo na alma.

Para quem não viu, Forrest Gump (o grandioso Tom Hanks) é um jovem problemático, de baixo QI, que por conta do acaso participa dos fatos mais importantes da história dos Estados Unidos em um período de 40 anos.  Mas seria acaso mesmo? Vejamos, a simplicidade de Forrest é quase zen, ele não fica pensando no que deveria fazer ou não, apenas acredita em Deus e que tudo vai dar certo no final, vive o momento e não tem expectativas ou desejos intensos. Talvez tenha apenas por Jenny (Robin Wright), sua vizinha e amor da sua vida, mas mesmo ela apenas cruzou o seu caminho. Por esse desprendimento todo, Forrest acaba tropeçando nos principais eventos históricos de sua época, quase como algum tipo de recompensa poética. É verdade que ele só consegue isso porque não tem inteligência para pensar de outra forma, mas seria ele burro? Talvez sim, mas o problema é que o danado teve uma sorte dos infernos. Se pararmos para pensar, muitos de nossos problemas existem porque temos um raciocínio mais complexo que o de Forrest, que ao invés de nos ajudar, nos leva a desejar o inalcançável e, consequentemente, nos deixa frustrados, estressados ou simplesmente infelizes. Que inveja do Forrest.  

Medalha de Prata: Os 12 Macacos (Terry Gillam, 1995)

Um dos melhores filmes sobre viagens no tempo, dirigido por Terry Gilliam, membro da trupe de comédia Monty Python. O filme é estrelado por Bruce Willis como James Cole, um prisioneiro do Estado no ano de 2035 que pode ganhar liberdade condicional se concordar em viajar no tempo para impedir que um vírus que eliminou a maior parte da população da Terra se espalhe. Em 2035, os que sobraram vivem no subsolo porque o ar se tornou venenoso. Erroneamente, Cole volta ao ano de 1990, seis anos antes do início da praga e é internado em uma clínica psiquiátrica porque seus alertas sobre a epidemia soam como delírios de um lunático. Lá ele conhece uma cientista chamada Kathryn Railly (Madeleine Stowe) e Jeffrey Goines (Brad Pitt, talvez no seu melhor papel), filho louco de um eminente virologista (Christopher Plummer). Ele sequestra a Dr. Railly, a fim de obter ajuda em sua busca. O viajante do tempo descobre pichações feitas aparentemente por um grupo de defesa dos direitos dos animais chamado Exército dos Doze Macacos, que pode ter algo a ver com o vírus. Ao se aprofundar no mistério, ele começa a ouvir vozes, perde a orientação e a duvidar de sua própria sanidade.

Gilliam (Brazil – O Filme) como diretor de cinema sempre teve um estilo visual marcante. Em Os 12 Macacos – baseado no curta-metragem francês La Jeteé, de Chris Marker, de 1962 – ele fez seu melhor trabalho. É um suspense consistente e convincente, levando em conta as ficções científicas que tratam de viagens no tempo. Tem uma história bastante complexa que exige toda atenção do espectador, se você assistir meio distraído pode não entender a belíssima cena final, por exemplo. O roteiro é, portanto, a força principal do filme com uma narrativa labiríntica, que continua prazerosa toda vez que assisto.

Medalha de Bronze: Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1995)

Três histórias são apresentadas de forma não cronológica e se cruzam durante o filme de forma não-linear, mas sem nunca perder o sentido. Coisa de quem manja muito de cinema: um tal de Quentin Tarantino. O cineasta já havia despertado a curiosidade do mundo com Cães de Aluguel (1992), mas recebeu a atenção total com esse neoclássico e nunca mais a perdeu. Ele já declarou que não pensa em subtextos enquanto escreve seus roteiros, então esqueça sensações e interpretações, Pulp Fiction é estilo e exibição. John Travolta e Samuel L. Jackson não dependem de um motivo para atirar – não querem nossa licença para matar – eles estão apenas cumprindo seu ofício, quase como um burocrata faria o seu. Isso faz com que mesmo sendo um filme ultraviolento, não desperte nossa sede de sangue primitiva, por que é um filme que nos vence pela sagacidade e gargalhadas.

Na CinemaCon 2018, Quentin Tarantino afirmou que o seu novo filme, Era Uma Vez em… Hollywood, que estreou recentemente no Festival de Cannes, é o mais próximo de Pulp Fiction que ele já fez até hoje. Podemos conjecturar então que a montagem do filme não será mais tão inovadora, até porque vem sendo copiada há mais de 20 anos, mas ao menos será ousada esteticamente, com a clássica divisão em capítulos, sem respeito à ordem cronológica. Sendo um novo Pulp Fiction, pode-se prever muito humor negro, nonsense, sangue espirrando da tela e personagens gritando mothafuck. Mal posso esperar.

Menções Honrosas: Cabo do Medo, Celebridades, Tiros na Broadway, A Promessa, Clube da Luta, Um Sonho de Liberdade, Antes do Amanhecer, Festa de Família, Felizes Juntos, Titanic, Cães de Aluguel, O Grande Lebowski, Toy Story 1 e 2, Seven, De Olhos Bem Fechados, Beleza Americana,  O Sexto Sentido, À Espera de um Milagre, Mulan, Fargo, Amor à Queima Roupa, O Show de Truman, Vida de Inseto, Os Imperdoáveis, Missão: Impossível, O Poderoso Chefão III, Magnólia, Feitiço do Tempo, Thelma e Louise, Violência Gratuita, Eleição, Short Cuts, Perfect Blue, As Pontes de Madison, Tudo sobre minha mãe, Lanternas Vermelhas, Um misteriosos Assassinato em Manhattan, O Carteiro e o Poeta, Todos Dizem Eu Te Amo, Sonhos, Central do Brasil.

Leia também: 20 anos depois, 1999 continua sendo o melhor ano para o cinema?

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Categorias:Cinema, Críticas, Listas

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