‘Anos 90’: estreia de Jonah Hill na direção é nostálgica, mas maçante

Quem o viu como o nerd gordinho de óculos em Superbad – É Hoje (2007), não imaginaria a carreira respeitável que Jonah Hill construiria em Hollywood. Entre filmes independentes e autorais, o ator de 35 anos já recebeu duas indicações ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por O Homem que Mudou o Jogo (2011), de Bennet Miller, e O Lobo de Wall Street (2013), de Martin Scorsese. O respeitável diretor, aliás, deu conselhos de filmagens para que Hill fizesse seu primeiro filme, Anos 90 (2018), lançado agora comercialmente no Brasil. Infelizmente, não pode-se afirmar que Hill fez uma estreia brilhante atrás das câmeras, mas também não fez feio.

A trama do ator/diretor se passa em meados da década de 1990 e acompanha Stevie (Sunny Suljic), de 13 anos, um garoto que mora em Los Angeles. Ele vive com seu irmão mais velho, agressivo e obcecado por malhação chamado Ian (Lucas Hedges, em um papel diametralmente diferente do que ele interpretou em Boy Erased), e sua mãe Dabney (Katherine Waterston, ótima no papel). Um dia, Stevie passa de bicicleta por uma loja de skates e se encanta com a camaradagem vagabunda dos skatistas. De volta para casa, ele barganha com seu irmão um skate, leva-o para a loja e faz amizade com Ruben (Gio Galicia), que o apresenta para o resto da gangue: Ray, Fuckshit e Fourth Grade (eu adoro esses apelidos). Apesar de ser um skatista inexperiente, Stevie faz o que todo adolescente solitário e explorado faz: tenta imitar o comportamento ousado e as atitudes anti-sociais do grupo para sentir que faz parte de algo genuíno e descolado. A gangue o apelida de Sunburn, mas Ruben começa a se ressentir porque sente Stevie está substituindo-o como o “garoto mais novo” do grupo.

Hill optou por filmar a história com a renegada 16mm. A lente, durante décadas, foi muito utilizada em documentários, filmes experimentais e independentes. Caiu em desuso a partir dos anos 1980 com a popularização das câmeras de vídeos pessoais. O formato em 16mm contribuiu de um modo decisivo para o futuro do dito “cinema verdade”, devido à captação de imagens de boa qualidade, mas com um aspecto de caseira e barata, em contraponto ao formato 35mm. A escolha foi um acerto do diretor, contribuindo para dar ao filme um tom mais banal e nostálgico.

O problema com o filme é mesmo o roteiro, os personagens tomam decisões inconcebíveis e tem motivações inconsistentes. Um exemplo é o mal construído personagem do irmão mais velho, Ian, que é um idiota espancador em um momento, e super companheiro no momento seguinte. Stevie, principal vítima de Ian, é inerte diante dessas mudanças, enfraquecendo o apelo dramático que a relação poderia ter.

O filme, através dos aspectos técnicos e da trilha sonora, de fato passa aquela sensação de calorzinho que todos nós sentimos ao lembrar da infância e adolescência – essenciais  para uma coming-of-age story – mas também passa a impressão de que é apenas mais um filme independente clichê hollywoodiano, mostrando pessoas perdedoras vivendo suas vidas miseráveis. E quando a desgraça não diz nada de interessante, o ato de assistir ao filme se torna a própria desgraça.

Nota: 5/10

Trailer:

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Categorias:Cinema, Críticas

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