Os 3 melhores filmes da década de 1970

Os meus filmes preferidos da vida são da década de 1970. Como já falei muito deles por aqui, decidi escrever sobre aqueles que vêm na sequência do meu Top 10, então, vamos lá:

Medalha de Ouro: O Discreto Charme da Burguesia (Luis Buñuel, 1972)

O diretor Luis Buñuel é frequentemente descrito como surrealista, mas o termo absurdista é mais apropriado. Tal é o caso do ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, O Discreto Charme da Burguesia, que começa com quatro amigos chegando à casa de seus anfitriões apenas para descobrir que eles vieram na noite errada – uma situação plausível, chata, mas que acontece. Eles remarcam o jantar, mas a história que o cineasta aragonês quer contar é sobre isso mesmo: uma refeição que nunca acontece. Em uma sequência memorável e absurdamente hilária, os amigos são convidados a jantar e estão sentados em torno de uma mesa elegante, até aí tudo bem, mas subitamente uma cortina se ergue atrás deles e revela que estão na verdade em um palco diante de uma enorme plateia. Esse é só um exemplo dos absurdismos da trama. O filme opera em vários níveis, zombando das futilidades das convenções sociais, da igreja e, eventualmente, transferindo sua ação para uma série de pesadelos sobrepostos, nos quais as várias tentativas de jantar são frustradas por tudo: do cadáver de um gerente de restaurante a intervenções militares.

O elenco afiado composto por Fernando Rey, Delphine Seyrig, Paul Frankeur, Bulle Ogier, Stephane Audran e Jean-Pierre Cassel, como os amigos constantemente frustrados, atua de forma naturalista, reagindo perante às situações mais irracionais com uma sobriedade incompreensível. A moral da história é inquietante – ainda que muitas vezes engraçada – sobre coitos interrompidos, reais e imaginários, sexuais ou não, com muitas camadas que dão abertura para interpretações diversas. Uma palavra de aviso para os não iniciados em Buñuel: ele não escreveu e dirigiu seus filmes com significados claros, logo se você degustá-los com mente aberta fará excelentes refeições.

Medalha de Prata: Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976)

Taxi Driver (1976) Directed by Martin Scorsese Shown: Robert De Niro (as Travis Bickle)

Um solitário veterano do Vietnã que sofre de insônia trabalha como motorista de táxi nas ruas e noites sujas de Nova York, onde faz amizade com uma jovem prostituta por quem se compadece e tenta ajudar. Esse é o mote do meu Scorsese favorito, que conta com uma atuação mítica de Robert de Niro como o taxista Travis Bickle (are you talking to me?) e ainda de quebra revelou ao mundo a grande atriz que Jodie Foster é, na pele da prostituta adolescente. Apoiado pelo roteiro perturbador de Paul Schrader e pela melancólica trilha sonora de Bernard Hermann, Scorsese nos faz compreender o isolamento e a raiva de Travis e seus demônios, embora sua solidão e misantropia – que lhe causa instintos violentos e paranóia – nos assombre mesmo depois que o filme acaba. Em suma, Taxi Driver é um olhar brutalmente constrangedor e sombrio da sociedade americana decadente e corrupta dos anos 1970, que tornava a já tênue linha entre herói e bandido mais frágil do que é por natureza.

Medalha de Bronze: A Vida de Brian (Terry Jones, 1979)

Em 1979, o grupo de comediantes ingleses Monty Phyton nos apresentou Brian de Nazaré, nascido no mesmo dia que Jesus de Nazaré, que toma um caminho diferente na vida, mas que chega ao mesmo fim. Brian se junta ao movimento de resistência política da Frente dos Povos da Judeia (não confundir com a Frente dos Povos Judeus) com o objetivo de tirar os romanos de suas terras. O movimento não é muito eficaz, mas, por uma série de confusões, Brian se torna um profeta e reúne seus próprios seguidores, que só querem ter alguém para seguir.

Não morro de amores pelo Monty Python como todo mundo, mas gosto muito desse filme justamente por que não há necessidade de rir alto a cada minuto para torná-lo histericamente hilário, visto que o tom é mais satírico contemplativo. Produzido na sequência de Monty Phyton em Busca do Cálice Sagrado (1975), é um filme que zomba dos religiosos com uma boa dose de tolices e ligeiro intelectualismo. Mais: tira sarro da forma zelosa e reverencial com que as religiões fazem que as pessoas tratem-nas. Tem cenas que se destacam como algumas das melhores da trupe como a do apedrejamento, a da crucificação com a música-tema, Always Look On The Bright Side Of Life, e a sequência da nave espacial (só vendo pra crer e mesmo assim duvido que crerás). O resultado é, sem dúvida, o melhor filme da trupe. Curiosidade: a película foi realizada aproveitando os sets da seriíssima minissérie Jesus de Nazaré (1977), de Franco Zeferelli, até hoje uma das mais fiéis adaptações da lenda bíblica de Jesus Cristo. O que mostra que eles realmente não tinham limites.

Menções Honrosas: Um Homem que Dorme, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, A Noite Americana, Parque da Punição, Cinzas do Paraíso, O Poderoso Chefão I & II, Alien, Apocalypse Now, Laranja Mecânica, , Tubarão, Um Estranho no Ninho, Loucuras de Verão, O Exorcista, Amargo Pesadelo, Golpe de Mestre, Carrie, Rocky Horror Picture Show, Barry Lyndon, Todos os Homens do presidente, Um Dia de Cão, Um Violinista no Telhado, Kramer vs. Kramer, Manhattan, Gritos e Sussurros, O Estranho que Nós Amamos, Sonata de Outono, Macbeth, Essa Pequena é uma Parada, O castelo de Cagliostro, Tudo o que Você Sempre quis Saber Sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar, O Dorminhoco, Noite de Estreia, O Joelho de Claire, Interiores, Cenas de um casamento, Sonhos de um Sedutor, Os Rapazes da Banda, Domícilio Conjugal,  As duas inglesas e o amor.

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Categorias:Cinema, Críticas, Listas

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