Os 3 melhores filmes dos anos 1960

Não tem pra mais ninguém, Paul Newman foi o dono dos anos 1960.

Medalha de Ouro: Butch Cassidy  and The Sundance Kid(George Roy Hill, 1969)

Meu  western favorito tem tudo o que os fãs de cinema poderiam querer. Foi o começo da lendária amizade entre Robert Redford (Kid) e Paul Newman (Butch), que durou até o fim da vida desse último. Como os dois foras-da-lei, os atores entregaram atuações emocionantes, divertidas e eletrizantes. É tão transcendental que nem consigo colocar em palavras. Eles repetiriam a dose em Golpe de Mestre (1973), novamente dirigidos por Hill. O trio, que valorizava mais a qualidade artística do que o bromance como vemos hoje em dia (George Clooney e Brad Pitt, James Franco e Seth Rogen, etc), nunca mais encontrou histórias tão boas para trabalharem juntos, mas, tudo bem, quem ganha é o cinema.

William Goldman, o roteirista, faleceu recentemente, mas só por ter escrito esta pérola, sua vida valeu a pena. Entre cenas históricas como o duelo final,  a fuga a cavalo pelas montanhas (who are those guys?) e o passeio de bicicleta ao som de Raindrops Keep Falling in My Head, destaco a sequência em que Butch, Sundance e Etta (Katharine Ross) fogem para Bolívia. Editada exclusivamente através de fotografias amareladas, ao som instrumental da música de Burt Bacharach, Hill conseguiu criar uma das mais excitantes passagens de tempo no cinema. Um daqueles filmes que poderia assistir mil vezes seguidas sem cansar.

Medalha de Prata: Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas (Arthur Penn, 1967)

Além de ser um filme extremamente divertido, Bonnie e Clyde foi divisor de águas entre a velha Hollywood e a nova Hollywood. Seu final violento e a inserção de temas tabus na trama como impotência masculina e desejo sexual feminino ajudaram a acelerar o fim do antigo código Hays, um severo limitador da liberdade artística desde os anos 1930. O filme contribuiu ainda para criar a figura do anti-herói, muito popular hoje em dia nas séries de televisão (Tony Soprano, Walter White, Don Draper, etc).

Assim como Butch Cassidy and The Sundance Kid, a obra é uma amálgama de liberdade poética e precisão histórica. A recriação do visual da era da depressão é soberba, mas sem ostentação. E é claro que os verdadeiros Clyde Barrow e Bonnie Parker não eram tão atraentes quanto Warren Beatty e Faye Dunaway. Ainda assim, a atuação dos dois atores é de alto nível, bem como a do resto do elenco, especialmente Gene Hackman e Estelle Parsons. Arthur Penn conseguiu fazer um filme revolucionário, de ação, violência, extremamente engraçado, quase poético no seu sentimentalismo, dramático pelo aspecto histórico e bem sensual. Não sei se foi mágica ou milagre.

Medalha de Bronze: Rebeldia Indomável (Stuart Rosenberg, 1967)

Não canso de repetir que Paul Newman era o cara. Com seu talento e carisma sustentava um filme inteiro e criava personagens icônicos como esse Cool Hand Luke, além de Hud Bannon em O Indomável e o Eddie de Desafio à Corrupção e A Cor do Dinheiro, pelo qual ele ganhou seu único Oscar por atuação. Lançado nos anos 1960, a década da rebeldia, o filme apresenta um protagonista de espírito livre, preso por um crime quase irrelevante, que sofre uma punição desproporcionalmente opressora do estado e fará de tudo para se livrar dela. Vingança, expiação e redenção são temas valiosos levantados por filmes que se passam dentro de prisões. As quatro paredes de uma cela rendem momentos às vezes filosóficos, às vezes brutais. Nenhum filme de prisão, no entanto, falou tão bem de liberdade individual como Rebeldia Indomável, e olha que não são poucos os filmes que tratam do tema.

Há uma cena que resume a película para mim, na qual Luke é desafiado a comer 50 ovos de uma vez só e consegue realizar a proeza. Após o feito, ele é deixado pelos outros prisioneiros em cima de uma mesa de madeira em uma posição em forma de cruz. Sim, é uma metáfora explícita para a crucificação de Jesus Cristo. Luke é, portanto, para os outros prisioneiros um símbolo de libertação e uma grande ameaça para o sistema, pelo simples fato de ser autêntico, franco e compreensível. E todos nós sabemos o que acontece com pessoas assim nesse mundo.

Menções Honrosas: Era Uma Vez no Oeste, A Mulher da Areia, Não me mandem flores, Onibaba, Volta Meu Amor, Perdidos na Noite, Três Homens em Conflito, 2001 – Uma Odisseia no Espaço, Psicose, O bebê de Rosemary, A Primeira Noite de um Homem, Os Pássaros, Sem Destino, Bonequinha de Luxo, Quem tem medo de Virginia Woolf, Se meu apartamento falasse, Persona, O Indomado, Um Homem Uma Mulher, Acossado, Desafio à Corrupção, Bunny Lake Desapareceu, A Fonte da donzela, O Anjo Exterminador, Viver a Vida, Bando à Parte, Um Assaltante Trapalhão, Beijos Proibidos, A Paixão de Ana, Um Só Pecado, A Ilha Nua e O Assalto ao Trem Pagador.

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Categorias:Cinema, Críticas, Listas

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