Os 3 melhores filmes da década de 1950

Hoje temos Truffaut, Hitchcock e Lumet. Precisa de mais?

Medalha de Ouro: Os Incompreendidos ( François Truffaut, 1959)

Este filme é o marco zero da nouvelle vague francesa e início de uma das minhas séries preferidas do cinema: As Aventuras de Antoine Doinel. Alter ego do cineasta, Doinel (Jean-Pierre Leáud) compartilhou muitas das mesmas tristes experiências de infância de Truffaut. Devido à popularidade dos filmes, diretor, ator e personagem chegaram mesmo a ser confundidos nas ruas de Paris. Há um excelente documentário chamado Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague, de 2010, com deliciosas histórias e imagens de bastidores dessa fase.

Gosto do filme por que Antoine Doinel, de espírito livre, está sempre correndo, seja da família, da escola, do reformatório, sempre incompreendido. Essa visão de Truffaut da infância como um trauma, não uma doce recordação, também me pega de jeito. Embora o autor inicialmente não planejasse que Doinel fosse um personagem recorrente na sua filmografia, ele reencontrou-o em um curta-metragem (Antoine e Collete) e três longas: mostrando seu romance com Christine (Claude Jade), em Beijos Proibidos, depois o casamento dos dois em Domicilio Conjugal e divórcio do casal em Amor em Fuga (1979). Todos excelentes.

Medalha de Prata: 12 Homens e um Sentença (Sidney Lumet, 1957)

Doze jurados estão prestes a tomar uma decisão sobre um caso de assassinato, no geral parece simples com toneladas de evidências que fariam qualquer homem bom parecer suspeito. O réu é um menino de 18 anos que se considerado culpado, será condenado à morte. Onze dos homens votam pela condenação, apenas um voto a favor do réu os detêm na sala. Devido a isso, eles têm que discutir o veredicto mais uma vez. O Jurado 8 (Henry Foda, digo, Fonda) se recusa a tirar conclusões precipitadas e traz dúvidas razoáveis à tona. Um por um, os homens começam a considerar os pontos que ele está levantando, exceto pelo Jurado 3 (Lee J. Cobb) que se pudesse guilhotinava a cabeça do jovem ele mesmo.

O filme transcorre basicamente apenas na sala dos jurados e todo o elenco está fantástico, não há uma performance entre os 12 homens famintos que esteja desafinada. O mestre Sidney Lumet, então no seu primeiro filme, dribla as limitações espaciais com um sagaz trabalho de câmera: no início do filme, elas estão todas posicionadas acima do nível dos olhos e montadas com lentes grande angulares para dar a aparência de maior distância entre os sujeitos. Conforme o filme avança, as câmeras posicionam-se ao nível dos olhos. No final do filme, quase tudo é filmado abaixo do nível dos olhos, em close-up e com lentes teleobjetivas para aumentar a sensação de claustrofobia. Simplesmente perfeito!

Medalha de Bronze: Janela Indiscreta (Alfred Hitchcock, 1954)

Para este filme, um complexo de apartamentos funcional ao estilo de Greenwich Village em Nova York foi construído dentro de um estúdio da Paramount, criando assim o implacável microcosmo de almas solitárias de Hitchcock. Na trama, James Stewart é L.B. “Jeff” Jefferies, um fotógrafo da National Geographic, preso em uma cadeira de rodas devido a uma perna quebrada. Ele está ansioso e angustiado com a situação e nem mesmo a devotada atenção da insanamente bela Grace Kelly como Lisa, sua namorada, é o suficiente para ele. Preso em seu apartamento o dia todo, ele acompanha o cotidiano de seus vizinhos como quem vê um filme. Todos são estranhos para ele, por isso Jeff lhes dá alguns pseudônimos como Srta. Coração Solitário conforme vai “conhecendo-os”, mas sua atenção se concentra em um homem suspeito de cabelos brancos chamado Thorwald. Jeff fica cada vez mais intrigado com o comportamento estranho do vizinho e com o súbito desaparecimento de sua irritante e acamada esposa. Jeff suspeita de um plano de assassinato, que parece forçado a princípio, mas se torna gradualmente mais plausível à medida que sua obsessão convence Lisa, sua massagista Stella e seu amigo detetive Tom, de que algo estranho está acontecendo.

Hitchcock era de fato o mestre do suspense, mas o filme está impregnado de um senso de humor inesperadamente leve que fala com franqueza sobre sexo, relacionamentos amorosos e o aspecto ético do voyeurismo, graças também ao roteiro esperto de John Michael Hayes, sejamos justos. Pode não ter a complexidade psicológica de Um Corpo Que Cai ou a ousadia de Psicose, mas é meu Hitchcock preferido, por que é um filme sobre a própria experiência de se assistir um filme, a maior metáfora para a cinefilia já feita.

Menções Honrosas: Confidências à Meia Noite, A Montanha dos Sete Abutres, O Homem que Sabia Demais, Uma Rua Chamada Pecado, Tudo o que o Céu Permite, Os Eternos Desconhecidos, Lola Montes, Desejos Proibidos, Pacto Sinistro, A Ponte do Rio Kwai, A Princesa e o Plebeu, Sindicato de Ladrões, Rashomon, Nasce uma Estrela, Sabrina, Alice no País das Maravilhas, Testemunha de Acusação, Assim Caminha a Humanidade, Matar ou Morrer, Disque M Para Matar, Vidas Amargas, Gata em Teto de Zinco Quente, Alma Sem Pudor, Morangos Silvestres, Era Uma Vez em Tóquio, Anatomia de um Crime, Imitação da Vida, A Canção da Estrada, O Mercador de Almas, Marty, Noites de Cabíria, Os Sete Samurais, Quanto Mais Quente Melhor, Crepúsculo dos Deuses, Cantando na Chuva, A Malvada, O Sétimo Selo.

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Categorias:Cinema, Críticas, Listas

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