Os 3 melhores filmes da década de 1940

Putz, nunca tive tanta dificuldade em escolher apenas três filmes, todas as obras que constam nas menções honrosas poderiam estar também no pódio. Os anos 1940 foram a década de ouro para Holllywood, do neo-realismo pós segunda guerra para os italianos, da consagração de Yasujiro Ozu no Japão e do surgimento de Ingmar Bergman na Suécia. Confira meus preferidos abaixo:

Medalha de Ouro: Casablanca (Michael Curtiz, 1942)

A história de Rick Blaine, um homem cínico, cansado do mundo, que comanda uma boate em Casablanca, Marrocos, durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Apesar da pressão que recebe constantemente das autoridades locais, o café de Rick tornou-se uma espécie de ponto de encontro para os refugiados que buscam obter salvos-condutos ilícitos que os ajudem a fugir para os Estados Unidos. Mas quando Ilsa, ex-amante de Rick, e seu marido aparecem em seu bar um dia, Rick enfrenta as lembranças do romance que eles viveram em Paris, que trará complicações imprevistas, desgosto e, finalmente, uma decisão excruciante a tomar.

Casablanca é um filme sobre a tragédia pessoal da ocupação e da guerra. Fala da opressão de um lado e do heroísmo do outro. De oportunistas a isolacionistas, de patriotas a amantes desencantados. O filme tem tudo que qualquer pessoa que goste de cinema gosta de ver: bravura, coragem, intriga, romance, beleza e amor. Ingrid Bergman como Ilsa nos faz entrar em doce devaneio com sua beleza e talento, e Humphrey Bogart com seu Rick é simplesmente o ator e personagem mais cool que já existiram. Um filme que te faz  voltar para um mundo que não existe mais e experimentar vidas que nunca foram vividas – mas são reais para você. É sentir tanto a dor como a alegria, orgulho e compaixão por personagens que são ficcionais, mas são tão reais que você não pode deixar de se perder na história deles. Incrível elenco, diálogos memoráveis (“nós sempre teremos Paris”) e roteiro inesquecível. Play, Sam, play “As Time Goes By”!

Medalha de Prata: A Felicidade Não se Compra (Frank Capra, 1946)

Aqui está uma forma de detectar alguém com coração gelado: um homem ou mulher que permanece completamente indiferente por esse clássico de Capra de 1946. Na história, um anjo é enviado do céu para ajudar um empresário desesperadamente frustrado, mostrando a ele como teria sido a vida da sua família e amigos se ele nunca tivesse existido. Spoiler: não muito legal.

Um dos pontos fortes dessa fantasia é tornar George Bailey – o herói do filme interpretado por James Stewart –  em um homem normal. Ele não é perfeito e isso é essencial para o sucesso da obra, porque Bailey poderia ser qualquer pessoa. A lição final é bastante simples: todos nós temos o nosso papel no mundo e todos somos importantes. A maioria dos cineastas faria isso soar meloso e cafona, mas Capra entregou mais uma vez um conto comovente e emocionante. Bailey com sua total e absoluta humildade não vê quanto conseguiu na vida até que seu anjo da guarda, Clarence, o mostrasse. Clarence, apesar de ser, bem, um anjo da guarda no sentido mais pueril da palavra, é um personagem crível que ama Bailey sinceramente por ele ser quem ele é. De modo geral, este filme é uma injeção de ânimo para qualquer um, capaz de abrir um sorriso sincero no mais cínico dos seres. São Frank Capra e James Stewart juntos novamente, dois dos melhores humanos.

Medalha de Bronze: Ser ou Não Ser (Ernst Lubitsch, 1942)

Esta comédia clássica de humor negro trata do casamento dos atores Joseph e Maria Tura (Jack Benny e Carole Lombard), os dois juntos com sua companhia teatral decidem se envolver com a resistência polonesa durante a Segunda Guerra Mundial. A trupe utiliza seus talentos de interpretação para montar uma farsa e salvar os combatentes de Varsóvia contra os invasores nazistas. Sete décadas depois, Quentin Tarantino repetiria o feito de Ser ou Não Ser: usar a arte para reescrever a história em Bastardos inglórios (2009). A vantagem desse clássico de 1942 é que ele fez isso enquanto a guerra ainda estava rolando.

O filme é magnificamente dirigido por Ernest Lubitsch com seu famoso “toque Lubitsch”. Na época filme, durante os anos 40, foi um fracasso de crítica e obteve recepção morna por parte do público. Lubitsch foi acusado de brincar com um assunto sério demais. Em 1966, felizmente, o Congresso dos Estados Unidos o incluiu ‘National Film Registry’, considerando-o um tesouro cultural do cinema americano. Hoje em dia, é uma aula de história e de gargalhadas.

Menções honrosas da década: Cidadão Kane, À Beira do Abismo, Rebecca, O Grande Ditador, Pacto de Sangue, Festim Diabólico, Ladrões de Bicicleta, Interlúdio, Tarde Demais, Jejum do Amor, Carta de uma Desconhecida, As Vinhas da Ira, Pai e Filha, Prisão e A loja da esquina.

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