Os 3 melhores filmes da década de 1930

Abaixo meus filmes favoritos da década decisiva para o cinema sonoro:

Medalha de Ouro: Tempos Modernos (Charles Chaplin, 1936)

Uma comédia deliciosa com uma cena memorável após a outra, Tempos Modernos de Charlie Chaplin é hilário e capcioso. Chaplin combinou suas habilidades pantomímicas oriundas do cinema silencioso com o uso criativo de efeitos sonoros e músicas interessantes e divertidas, para criar um filme híbrido muito agradável de assistir. O cineasta é ajudado por uma atuação encantadora de Paulette Goddard. E a história em si, cheia de reviravoltas, é um comentário atemporal sobre a vida “moderna” – aplicável a qualquer época e lugar que tenha ocorrido alguma espécie de revolução industrial – sobre alienação, exploração e trabalho.

O personagem de Charlie, na última vez que ele interpretou o Vagabundo, se junta a uma órfã (Goddard) para ajudar um ao outro através de uma longa série de contratempos que refletem o estresse da vida moderna em ritmo acelerado. A maioria das aventuras são hilárias, mas também contêm comentários sociais sérios. Chaplin e Goddard fazem um par delicioso que conquista a completa simpatia do espectador em sua luta pela sobrevivência. Filme mais reprisado pelos professores de história, e que continue sendo, por favor.

Medalha de Prata: …E o vento Levou (Victor Fleming /George Cukor, 1939)

Este épico é um dos maiores clássicos americanos de todos os tempos. Conta a história de Scarlett O’Hara, interpretada por Vivien Leigh na melhor atuação feminina da história empatada com ela mesma como Blanche DuBois em Um Bonde Chamado Desejo (1951). Ela é uma das heroínas mais egoístas que você já viu em um filme e ainda assim faz com que você importe com seu jeito de dondoca. Scarlett está apaixonada por Ashley Wilkes (Leslie Howard), mas ele se casa com Melanie Hamilton (a fabulosa Olivia de Havilland, última atriz do elenco ainda viva). O homem na vida de Scarlett é Rhett Butler (Clark Gable), mas a moça faz de tudo para conseguir o que quer, inclusive se casar com outro alguém por dinheiro e benefício próprio. Rhett ama Scarlett com todo o seu coração, principalmente porque eles são muito parecidos na personalidade: ambos pensam que o mundo gira ao seu redor.

O filme é ambientado durante a guerra civil americana (1861-1865). O que acontece exatamente com Scarlett, Rhett, Ashley e Melanie é bem pessoal, mas a guerra é um pano de fundo usado inteligentemente num melodrama que é interminável (3h58m!), mas nunca entediante. Uma razão para isso são as performances de  Havilland, Gable (sempre muito charmoso e, às vezes, hilário) e Hattie McDaniel como a empregada bicuda, tão boa que foi a primeira pessoa negra a ganhar um Oscar. Contudo, eu tenho que dizer que a melhor coisa neste filme é mesmo Vivien Leigh. Fazer você se importar com uma personagem tão detestável como Scarlett durante quatro horas é uma coisa bem difícil de ser feita, mas a grande atriz tira de letra em uma performance visceral e antológica. Além da história e das atuações, temos a música, os sets, os figurinos, a fotografia e, claro, a direção, todos aspectos excelentes. Sessenta anos depois ainda continua uma obra-prima impressionante. Veja hoje se puder, afinal, amanhã é outro dia.

Medalha de Bronze: Do mundo nada se leva (Frank Capra, 1938)

Nesse longa-metragem, um dos primeiros a ganhar o Oscar de Melhor Filme, uma estenógrafa (Jean Arthur), de uma família de “espíritos livres”, e o vice-presidente do banco em que ela trabalha (James Stewart), de uma família rica, se apaixonam. Mas os diferentes estilos de vida das duas famílias se interpõem entre o casal, depois de uma noite maluca em que tudo o que pode dar errado acontece. Um puro deleite de um dos diretores mais lendários do passado. Esta é a primeira de três colaborações entre Frank Capra e Jimmy Stewart. O icônico ator e Arthur têm uma química surpreendente que eles iriam repetir no ano seguinte em A Mulher Faz o Homem. Mas talvez as verdadeiras estrelas do show sejam Edward Arnold e Lionel Barrymore como os respectivos patriarcas das duas famílias. Dois atores tão talentosos que são incapazes de um desempenho ruim.

É uma daquelas comédias que fica melhor e melhor a cada vez que eu vejo. Capaz de deixar um enorme sorriso no meu rosto e eu acho que (a menos que você seja um tipo extremamente cínico), fará o mesmo com você. Um feel good movie caloroso e edificante, com romance e drama na dose certa, um verdadeiro deleite para quem gosta de se perder em filmes clássicos e com uma das cenas finais mais encantadoras de todos os tempos. A especialidade de Frank Capra era fazer isso mesmo: grandes filmes sobre o homem simples e comum. Ele repetiria o feito com A Mulher Faz o Homem (1939) e A Felicidade Não se Compra (1946), este último o irmão mais novo desse aqui – também com Stewart, o maior gentleman de Hollywood. O roteiro desse clássico é redondinho e perfeito, a direção é brilhante e, repito, é impossível que você não fique com lágrimas nos olhos com a doçura e simplicidade do vovô Martin Vanderhof (Lionel Barrymore, avô da Drew).  

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Categorias:Cinema, Críticas, Listas

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