“Extremamente Cruel, Malvado e Perverso”: Zac Efron, quem diria, é um bom ator

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“Aquelas mortes foram de fato assustadoras e cruéis, além de extremamente perversas, assustadoramente malvadas e vis, com total desprezo à vida humana”, disse o juiz Edward Cowart (John Malkovich) ao condenar o serial killer Ted Bundy (Zac Efron) à pena de morte pelo assassinato de, no mínimo, 35 mulheres nos anos 1970. A frase retirada totalmente da vida real tornou-se clássica assim como todo o caso em si, e não podia resumir melhor toda a ópera, tanto que tornou-se mais ou menos o título do filme baseado nos fatos reais: Extremamente Cruel, Malvado e Perverso (2019).

O julgamento do estudante de direito, que entrou para a história dos Estados Unidos como um dois maiores assassinos do século XX, foi o primeiro a ser transmitido ao vivo para todo o país. Um verdadeiro espetáculo. Mais chocante que os assassinatos em si, talvez seja reação das pessoas ao caso, que o assistiam na TV quase como um filme de tribunal. É lendária a quantidade de cartas de admiradoras que o psicopata recebeu como se fosse astro de Hollywood, tendo conseguido até mesmo se casar com uma delas, Carole Ann Boone (Kaya Scodelario).

O longa-metragem é inspirado no livro de Liz Kendall, no filme interpretada por Lily Collins: The Phantom Prince: My Life with Ted Bundy. Liz era namorada de Ted à época que ele foi preso pela primeira vez e custou a acreditar que Bundy fosse capaz de cometer tais atos. Ele era tão charmoso, bonito e, além de tudo, carinhoso com sua filha, que a jovem mãe negava-se a crer na verdade mesmo quando esfregada na sua cara.

Por essas e outras, o diretor Joe Berlinger, que também é o criador da minissérie documental Conversando com Serial Killer: Ted Bundy, da Netflix, avisa no início do filme que a realidade pode ser mais absurda que a ficção. Berlinger decidiu afastar da obra qualquer sombra sádica e gore, concentrando-se na trajetória pessoal de Ted e Liz e no julgamento, porém não teve traquejo para segurar tal decisão. Se por um lado o filme não glorifica a violência, por outro parece estar também seduzido pelo magnético personagem. Encerrá-lo com quase um mini-documentário sobre o criminoso também não ajuda, como se o diretor não acreditasse que sua ficcionalização do caso fosse forte o suficiente para o espectador entender a personalidade de Bundy.

Contudo, nunca pensei que fosse escrever isso, o que salva o filme é a excelente atuação de Zac Efron, que fica ainda melhor em contraste com a fraquíssima Lily Collins. Efron estudou o personagem profundamente, como se percebe pela expressão e trejeitos que ele incorporou de Ted Bundy. É claro que a semelhança física entre os dois também ajuda, mas isso nem sempre é o suficiente, veja o desastre de Ashton Kutcher interpretando Steve Jobs e compare. Mais conhecido pelos filmes que fez na fase galã juvenil para a Disney e posteriormente pelos músculos que adquiriu, o ator de 31 anos nunca havia mostrado muito talento dramático, mas aqui exibiu uma eficiente faceta carismática e enigmática. Ao contrário de Zac Efron, porém, não está permitido à Ted Bundy nenhum tipo de admiração.

Nota: 7/10

Trailer:

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Categorias:Cinema, Críticas

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