“Aladdin”: Disney continua estragando seu legado e a infância de muita gente

aladdin 2019

Durante a última década, a Disney tem explorado seu tesouro de clássicos animados para a produção de remakes em live-action.  Já foram atingidos Cinderela (2015), A Bela e a Fera (2017), Mogli, o Menino-Lobo (2016) e Dumbo (2019). Até agora, os resultados têm sido decepcionantemente encantadores. A empresa ainda não apresentou um argumento definitivo a favor da refilmagem das histórias clássicas, além, é claro, da ganância corporativa. Aladdin, a nova empreitada, não consegue convencer ninguém que precisava existir. Na verdade, ela fornece provas concretas de que, por melhores que sejam os efeitos especiais modernos, existem algumas coisas que funcionam melhor quando animadas.

Aladdin (Mena Massoud) é um pobre com coração de ouro, mas ladrãozinho nos movimentados mercados de Agrabah. Ele é recrutado por Jafar (Marwan Kenzari) – vizir nefasto e ambicioso do Sultão (Navid Negahban) – para roubar uma lâmpada mágica da Caverna das Maravilhas. A vida de Aladdin dá uma reviravolta quando ele esfrega a lâmpada, libertando um todo-poderoso Gênio (Will Smith) que lhe concede três desejos. Com a ajuda do Gênio, Aladdin deseja o coração da princesa Jasmine (Naomi Scott), mas ele não esperava que Jafar colocasse seus planos malignos em prática.

Há alguns esforços bem-vindos para atualizar elementos da história de Aladdin a fim de refletir melhor o mundo em que vivemos hoje. No original de 1992, era sempre frustrante que uma princesa com inteligência e espírito independente de Jasmine tivesse que encontrar um marido para governar Agrabah. Esse remake não atrapalha o romance, mas dá tempo de devolver a força à Jasmine – deixando claro que ela é a única no relacionamento com todo o poder político. É uma pena que Speechless, a nova música que ela recebeu para explorar seu tumulto interno, seja descartável e frustrantemente genérica, provavelmente removida da gaveta do compositor Alan Menken.

Em matéria de ação, Aladdin é uma espécie de praticante de parkour, a câmera perseguindo-o em seus sprints desafiando a gravidade pelas ruas de Agrabah. Além de alguns momentos engraçados que parecem ter sido improvisados ​​de maneira encantadora, é tudo caótico como as histórias do diretor Guy Ritchie (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes) geralmente são, mas que para um filme infantil não funcionam.

O Gênio de Robin Williams no filme de 1992 é um dos mais sublimes casamentos de atores e personagens de todos os tempos: Robin Williams é o Gênio e o Gênio é Robin Williams. Na verdade, é injusto esperar que alguém calce os sapatos enormes da Williams, até mesmo alguém como Will Smith, que tem carisma natural próprio para dar e vender. Aqui, ele não é apenas prejudicado por ter que entregar uma performance já eternizada por outra pessoa – como também está  prejudicado pelo péssimo e distorcido CGI. Não é surpresa que Smith seja mais eficiente nas cenas quando não está como um gigante azul. O oposto pode ser dito de Jafar interpretado por Kenzari, que se tornou ainda mais sinistro por sua aparência distintamente arqueada no filme de animação. Pelo menos os companheiros animais do filme (Abu, Rajah e Iago) são maravilhosamente desenhados, o que dá uma ponta de esperança para o próximo remake live-action da Disney, O Rei Leão, que estreia esse ano ainda.

Trailer:

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Categorias:Cinema, Críticas

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