“Shazam!” traz uma energia rejuvenescedora, mas excessivamente efêmera

shazam

Todos temos um super-herói dentro de nós, basta um pouco de magia para trazê-lo para fora. Com esse lema, a DC faz um ode à pureza do coração e nos introduz Billy Batson, garoto de 14 anos abandonado pela mãe, que gritando uma palavra – SHAZAM – pode se transformar no super-herói de roupas extravagantes. Seu inimigo? Dr. Sivana, um ressentido mega empresário, que na infância foi rejeitado pelo mesmo mago que hoje deu poderes a Billy. Shazam é um acrônimo formado a partir dos nomes dos deuses que concedem poderes: Salomão – Sabedoria, Hércules – Força, Atlas – Vigor, Zeus – Poder, Aquiles – Coragem e Mercúrio – Velocidade.

O filme está longe de ser perfeito. Tem uma mensagem puritana, que às vezes beira o infantilismo, mas é inegável que tem uma energia rejuvenescedora e um senso irresistível de diversão que, como era de se esperar, lembra Quero Ser Grande (1988) e outras comédias juvenis da década de 1980. A relação triste que Billy desenvolve com sua mãe, remete mesmo ao tocante Conta Comigo (1986), um dos 10 melhores filmes de todos os tempos. Assim como os garotos meio párias do clássico, neste aqui Billy e seus novos irmãos, igualmente despatriados, vão unir forças em prol de um objetivo comum, no caso derrotar o vilão maligno.

O humor é bem cronometrado e satisfatoriamente engraçado. Incomoda-me muito que o Billy adulto seja mais bobalhão e o Billy adolescente mais maduro. Parece que ele não apenas cresce, como também ganha outra personalidade bem mais descontraída. A escolha dos dois atores para viverem o jovem e o velho, respectivamente Asher Angel e Zachary Levi, poderia ser igualmente mais equilibrada. Nada contra os bons intérpretes, mas alguma semelhança física ajudaria na coerência do filme. Levi (mais famoso pela série Chuck) imprime ao herói um entusiasmo infantil e grande carisma, mas, em relação ao nonsense, ainda não supera o excelente Deadpool de Ryan Reynolds.

Já que entramos no campo da comparação, o diretor David F. Sandberg é o Taika Waititi da DC Comics. Assim como seu congênere, ele vem de pequenos e obscuros filmes. Se Waititi usava os pilares do terror para fazer comédia em O Que Fazemos nas Sombras (2014) e foi escolhido para dirigir o despretensioso Thor: Ragnarok (2017), Sandberg fazia o terror raiz com Quando as Luzes se Apagam (2016) e Annabelle 2 (2017) e também pareceu uma escolha inicialmente estranha para este filme, mas que se demonstrou um acerto. O jovem cineasta faz piada, mas não subestima a ação. Sua direção através de um bom controle espacial de cena nos ajuda a rir e, em alguns casos, a sentir os socos. É um alívio bem colorido para quem, assim como eu, conhece apenas o básico sobre o universo de heróis e às vezes fica perdidinho no meio de cortes de cenas que duram milésimos de segundos e já passam para outra. Neste aqui, sabemos o que está acontecendo, onde está acontecendo e com quem está acontecendo. Muito obrigado. Próximo.

Nota: 6/10

Trailer:

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Categorias:Cinema, Críticas

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