Impressões do episódio final de Game of Thrones: não foi ruim, foi imperfeito

game of thrones the iron throne

(texto com SPOILERS)

Pra que diabos Bran quer um mestre dos sussurros, se ele não é outro senão o próprio? Mas, enfim, ele é o Rei agora. Preciso dizer que me surpreendeu. Ainda não sei se positivamente. Ele ficou o tempo todo se negando a ser um, sei lá, ser humano normal nas últimas temporadas para no último minuto virar o dono da porra toda? Charme? Falsa modéstia? Truque do roteiro? Estratégia para não chamar atenção para si e não morrer?

No fim, o jogo dos tronos na verdade era o jogo do Bran, o Quebrado, o primeiro personagem (vivo) a aparecer na tela. Mas eu o chamaria de Bran, o Estrategista. Aquele que sempre vive no passado, por que sabe tudo que acontecerá no futuro. Não pode ter herdeiros, logo, adeus monarquia absolutista, bem vinda monarquia eletiva. Disso eu gostei. Queria uma democracia? Queria, mas seria incoerente dar um salto tão grande como Sam (coitado, sofrendo bulliyng até o último minuto) queria.

Sansa descansou a beleza no quinto episódio. O que foi ótimo por que já tava dando aquele papo de “antes sofria, hoje sou fria”. No sexto, tornou-se rainha do norte, independente, e os sete reinos viraram seis reinos, mas tudo bem os Starks estão no comando de tudo. Boa sorte e seja feliz.

Deu um medo na hora que a Arya falou pro Jon que não voltaria para o norte, pensei que ela falaria “vou ficar aqui e casar com Gendry”. Se isso ocorresse eu me encarregaria pessoalmente do destino de D&D. Mas, ufa, ela disse que partiria para oeste, para saber o que diabos existe após dar a volta no Cabo de Boa Esperança, nítido ao sol da madrugada. Arya não nasceu mesmo pra ser Amélia, mas eu jurava que ia ter uma cena do Gendry no barquinho remando atrás do navio dela. Aparentemente ele já superou o chute.

Já falei anteriormente que queria um spin-off da Galera da Lareira aprontando altas confusões. Bronn, Brienne (certíssima corrigindo a história de Jaime naquele livrão), Sor Davos, Sam (jura nenhuma ceninha dele com a Mônica Souza?), Podrick (que virou assistente pessoal de Bran) e Tyrion, a nova mão Lannister que é do Rei Stark. O mundo gira, gira e continua o mesmo, não é? Alguém notou a rima visual com a mão que ele encontrou do Jaime no meio dos escombros?

Por sinal, que ator Peter Dinklange! Quando lhe dão um bom texto e direção, não sobra pedra sobre pedra, consegue convencer até um conselho de nobres que um adolescente de cadeira de rodas é o ideal para ser ocupante do trono de ferro. Trono agora metafísico. Ele que de sábio havia virado um errante na ultima temporada, se recuperou dignamente no último episódio. Não entendi a piada, como assim ele não é citado nas crônicas do gelo e do fogo?

Jon, condenado a não-existência após matar o segundo amor de sua vida, Daenerys Targaryen. Que legal que ela “só” ficou tirana, mas não louca. Ele será o último Targaryen por que foi proibido de se reproduzir. Aliás, pergunta séria, como eles controlam isso sem castração ou métodos anticoncepcionais? Senti falta de Drogon tacando fogo nele e ele não se queimando. Mas tudo bem, seguimos em frente com ele sendo preso por Verme Cinzento, que virou um mala e demonstrou que tem vocação mesmo para ser servil o resto da vida. Vai para Naath, vai. Já vai tarde.

Antes de por um ponto final nesse texto, vamos falar do personagem principal de Game of Thrones: o autor George R. R. Martin. Temos que agradecê-lo por essa história maravilhosa, que deve mesmo ser genial nos livros, mas que na tela ficou imperfeita. Fazer o quê. Martin tem uma mente que trabalha em seu tempo particular e não se rendeu aos caprichos do tempo televisivo. O resultado foi esse descompasso apresentado pela adaptação de David Benioff e D.B. Weiss, que era satisfatória apenas quando era adaptada do material já escrito. O público tem todo direito de reclamar por que ficou mal acostumado com a excelência, mas só digo uma coisa: se você for assistir algo preparado para odiar, o resultado não tem como ser outro. Não digo mais nada.

A mensagem que fica de GoT não é pessimista, mas conformista. Depois do fim dessa guerra, é preciso registrar nos autos, reerguer as paredes, reconstruir as pontes, refazer o telhado, matar a fome das pessoas, enterrar os mortos, plantar, barganhar, navegar e assim por diante. Foi só mais uma guerra. Um dia, todos que a presenciaram terão partido. A nova geração que sabe da história meio por cima – ficará com os mitos de Jon Snow, Daenerys, Cersei e companhia – será substituída pela geração que não sabe nada, que será substituída pela geração que não quer saber de nada. Um dia, um menino correrá pelos campos de Winterfell, despreocupado, sem saber que em outra parte do mundo já existe outra guerra em curso.

Nota: 7,5/10

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