“O Hóspede”, na Netflix: terror B divertido e autoconsciente

o hospede

Adam Wingard, diretor do cult de horror Você é o Próximo (2011), comanda esta pequena pérola perdida na Netflix. O Hóspede (2014) não é muito original, mas é divertido. Seguinte: a família Peterson tenta colocar o trem nos trilhos, após a perda do filho mais velho, Caleb, morto em combate na guerra. Um belo dia, eles recebem a visita de um soldado misterioso chamado David (Dan Stevens, de Downton Abbey) que era amigo de Caleb.

David é um sonho: educado, prestativo e bonito, ele logo conquista o pai, a mãe e o filho mais novo e passa a morar na casa da família enquanto, sei lá, tenta dar um rumo na vida, coitado. A filha mais nova, Anna – interpretada por Maika Monroe, jovem atriz de Corrente do Mal e Hot Summer Nights, é talentosíssima e está precisando de mais atenção por parte de Hollywood – fica com um pé atrás, mas se distrai fácil com o peitoral do rapaz quando ele sai do banho. É claro que ninguém é tão perfeito como David, a família logo vai descobrir. Como é de praxe nos filmes desse tipo, os personagens são alguns níveis mais desatentos que o espectador. Dan Stevens atua muito bem como o hóspede, como se o doce primo Matthew que ele interpreta em Downton Abbey incorporasse o Ryan Gosling de Drive.

A trama é estruturada como uma espécie de filme de terror, mas há uma sensação predominante de thriller no ar, tudo equilibrado com uma rica veia de ação retrô dos anos 1980. A trilha sonora reforça essa ideia, com sintetizadores hipnóticos sempre tocando nos momentos decisivos. Todavia, se fosse comparar, diria que o filme seria um Teorema, se Pier Paolo Pasolini por umas e outras tivesse se transformado num diretor de filme B em Hollywood.

O terço final é muito diferente do tom do início. Muda de suspense para um terror autoconsciente do seu absurdo. O que torna tudo muito engraçado, se desdobrando de maneira previsível, mas entregando um bem trabalhado material de humor perverso e violência misantrópica. Envolve até um pouco de ficção científica no final, mas nessa altura ninguém se importa mais com a lógica. A Picturehouse, que adquiriu os direitos, lançou o filme de qualquer jeito nos cinemas sem tentar capitalizar com as críticas positivas. Então, para quem perdeu, é uma ótima dica quando estiver á toa na Netflix.

Nota: 7/10

Trailer:

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Categorias:Cinema, Críticas

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