Penúltimo episódio de Game of Thrones: a negação dos fãs ante a crônica do massacre anunciado

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Nem acredito que esse episódio foi escrito e produzido pela mesma equipe do desastroso episódio passado. Mas vamos lá…

Quando propus-me a dar pitacos sobre a última temporada de Game of Thrones, queria escrever textos impressionistas, e não técnicos, mas não consigo. Dito isso, existem duas regras aristotélicas sobre a boa poética (ou prosa). Elas devem obedecer a lei da probabilidade e a lei da necessidade, que suspendem a descrença e criam a lógica interna. Vejo muita gente indignada com os rumos dados à Daenerys Targaryen, a heroína do povo, que enlouqueceu e mostrou a sua outra face. Muitos acusam que o arco narrativo de Daenerys não faz sentido. Pois, tenho uma péssima notícia para essas pessoas: vocês estavam vivendo em negação, amiguinhos, assim como Jon Snow estava.

Fora toda leitura política e comparações saborosas que podem render com os poderosos da história e da atualidade, será que dramaturgicamente Daenerys faz sentido? Será que dentro da lógica interna da série, ela atearia fogo daquele jeito em inocentes mesmo depois do soar dos sinos? Pela lei da probabilidade sim: a mãe dos dragões sempre foi uma tirana esclarecida, mas tirana. Veja o que ela fez com a família de Samwell Tarly,oferecendo-lhes apenas duas opções: a lealdade ou a morte. Outra características dos déspotas em Dany é a soberania da palavra: ela que começa e encerra as conversas, como lhe convêm. Creio que se Daenerys não fosse enganada por Cersei, se não fosse traída por Varys, se não visse Missandei ser decapitada, se tivesse Sor Jorah do seu lado e, principalmente, se não tivesse o beijo recusado por Snow, seria uma boa rainha. Uma boa rainha absolutista, mas boa. Vejam quantos ses se interpuseram em seu caminho. Há outra coisa, que não devemos esquecer: Dany tem os genes do rei louco. A insanidade dos targaryens é anunciada desde o primeiro episódio. A teoria de que Dany teria o mesmo destino do pai é apontada desde sempre. Nesse vídeo, os criadores da série relembram a frieza da personagem quando o irmão Viserys morreu lá na primeira ou segunda temporada, ou seja, ela tinha desde sempre a sede de poder, que unida ao desespero solitário, rompeu os seus próprios princípios morais já muito frágeis.

E a lei da necessidade será que foi atendida pela série? Putz, foi muito, até demais. Enquanto a série seguia os livros era linda e lenta, épica e poderosa. Depois que se desprendeu se tornou cotidiana e tributável, mas ágil e prática. Eu adorei, há quem não goste. Às vezes, a necessidade de elucidação provoca catástrofes e suspende a crença como no episódio da semana passada ou dá muito certo como neste quinto episódio que preparou bem o terreno para o grande final. Arya desistiu no último segundo de matar Cersei, mas desistiu por Cão, por que é inteligente e pragmática. De que adianta matar Cersei se o grande perigo vem literalmente dos céus que botam fogo na cidade? Cersei e Jaime, morreram abraçados sob os escombros. Nem sei dizer se foi digno, só achei que foi muito meloso e bonito. Sei que é errado, mas sempre torci para esses dois. Para mim, a história de amor mais bonita da série e todo grande amor só é bem grande se for triste, já dizia Vinicius de Morais. Já a morte de Varys foi digníssima, botando o cérebro para funcionar até o último segundo, com a nobreza de ser morto por uma tirana envenenada pela ideia de poder, um tipo de pessoa que ele detestou toda a vida. Agora só falta Tyrion e Verme Cinzento se tocarem, por que Jon Snow já percebeu tudo e provavelmente vai matar a tia. Tarde demais?

Que venha o último episódio. Vai, Sansa, vai que o trono é teu!

Nota: 8.5/10

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Categorias:Críticas, Crônicas e Artigos, Televisão

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