Os mellhores filmes da década e onde assisti-los: ano de 2014

A década de 2010 está chegando ao fim, ou seja, chega a hora de a gente revisitar nossa história e avaliar o que houve de bom ou de ruim. Portanto, vou criar um pódio aqui no site com os três melhores filmes de cada ano, para em dezembro fazer um Top 100 da década. Dito isso, vamos ao que interessa, os três melhores filme de 2014:

Medalha de Ouro: Whiplash – Em Busca da Perfeição (Damien Chazelle)

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Whiplash é na superfície uma história saborosa sobre o relacionamento abusivo entre estudantes e mentores. Nas entrelinhas, é um ensaio sobre resiliência e ambição. Miles Teller é Andrew, um aspirante a baterista de jazz, de 19 anos, que é descoberto pelo exigente professor Fletcher, interpretado ferozmente por J.K. Simmons. Andrew sonha entrar para a história como o melhor baterista do mundo. Fletcher quer ser o tutor do próximo Charlie Parker. Os dois unem o útil ao agradável? Não exatamente. Simmons na pele do professor é uma força da natureza, com uma presença aterradora que incita o medo em Andrew e lembra Bryan Cranston e seu Walter White, de Breaking Bad. Ele é subversivo, com momentos de fraqueza, outros de sedução, que provocam fascínio imediato.

O longa é um filme musical, que lembra os filmes de esportes. Fletcher é como o representante do diabo em nossos ombros que nos grita que não somos bons. Suas palavras venenosas, seus insultos entram na psique de Andrew de um modo muito mais convincente que qualquer coach. Sendo assim, o grande tema de Whiplash é a perfeição artística. E o que é exatamente ser perfeito na arte?  Quem decide isso? É por isso que a bateria é uma escolha tão interessante para o filme. Os bateristas têm que tomar decisões dentro de uma fração de segundo e o talento só pode levá-los até certo ponto que a física permite. Andrew quer desafiar a física. Fletcher é seu reforço anti-positivo, que luta contra uma geração acomodada, e quer descontar isso em Andrew. Mas o garoto não aceita, é resiliente o suficiente para levar a punição por sua geração, que nem mesmo ele se identifica. No fim, Whiplash é quase um filme de amor – bem cínico é bem verdade – por que não há como negar que Andrew e Flechter foram feitos um para o outro.

Onde assistir: torrent no btbit.org e legendas no legendas.tv

Medalha de Prata: Boyhood (Richard Linklater)

“São quase três horas e não acontece NADA”, essa é a grande reclamação de que não gostou do filme. Pois, para mim, em Boyhood, acontece TUDO, acontece a vida. É um filme sobre a banalidade, belo e envolvente. Os super-heróis estão apenas nas referencias da cultura pop – muito bem inseridas na trama, diga-se de passagem. Houve uma confluência dos astros para que tudo desse certo para Linklater. Foram 12 anos de filmagem (12 anos!), nos quais os imprevistos inerentes a uma gravação tão longeva, não ocorreram. No fundo, as pessoas que acham Boyhood entediante são os maiores admiradores da obra. Deviam mirar-se no desabafo da mãe interpretada por Patricia Arquette: “filhos, casamento, divórcio… achei que haveria mais” e entender que amaram o filme. E não é exatamente isso a vida? A gente acha sempre que pode haver mais, mas via de regra não há, é somente isso aqui mesmo que vivemos. E isso não é necessariamente ruim, é só questão de aproveitar o momento. Ou será que são os momentos que se aproveitam da gente?

Onde assistir: torrent no btbit.org e legendas no legendas.tv

Medalha de Bronze: Garota Exemplar (David Fincher)

O primeiro ato do filme é sobre a esposa exemplar desaparecida, o marido adúltero torna-se o principal suspeito. Sim, o prólogo anuncia um grande clichê do suspense (pelo menos, para quem não está familiarizado com a obra de David Fincher), mas o segundo ato tira o que quer que seja considerado tedioso do filme, transformando-se em um suspense doentio à la Alfred Hitchcock. Apenas alguns diretores podem melhorar completamente a narrativa do filme através da edição e Fincher é um deles. O desempenho assustador de Rosamund Pike torna fácil ignorar Ben Affleck que faz aqui o menino bom e sonso. Para mim, é o melhor papel dele, por que interpretando a si mesmo, ele nunca foi tão autêntico.

O tema do filme – que o torna uma comédia involuntária – é o fato de que os humanos são divididos entre grandes e medíocres atores. Muito raramente decidimos ser nosso verdadeiro eu. Geralmente, todos nós colocamos uma máscara para parecer bem diante dos outros, e também para fingir ser a pessoa que nosso ente mais próximo e mais querido quer que sejamos. O excepcional roteiro de Gillian Flynn baseado em seu próprio romance é também uma acusação condenatória de como a mídia pode moldar a seu bel-prazer a opinião da massa, além de ser um retrato cínico da instituição do casamento. Magnifíco!

Onde assistir: na Netflix

Menções honrosas de 2014: Relatos Selvagens, Um amor a cada esquina, O Sal da Terra, Casa Grande, O Julgamento de Viviane Amsalem, Birdman, Jersey Boys, Ilegal, Cidadãoquatro, Dinner for few, O Mercador de Notícias, A História da Eternidade, O que fazemos nas sombras, As Memórias de Marnie, Segunda Chance, Corrente do Mal, Uma Nova Amiga, Marcados pela Guerra,  A teoria de tudo, O ano mais violento, 99 Casas, O Abutre, Magia ao Luar, Sono de Inverno, Dois Dias Uma Noite, Blind, Life Itself, O grande hotel Budapeste, Mapas para as estrelas, Força Maior, No limite do amanhã,  Mommy, Para sempre Alice, O Hóspede,  A pequena morte,  O cidadão do ano, Livre, Praia do Futuro, Ex_Machina, Interestelar.

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