Os melhores filmes da década e onde assisti-los: ano de 2015

A década de 2010 está chegando ao fim, ou seja, chega a hora de a gente revisitar nossa história e avaliar o que houve de bom ou de ruim. Portanto, vou criar um pódio aqui no site com os três melhores filmes de cada ano, para em dezembro fazer um Top 100 da década. Dito isso, vamos ao que interessa, os três melhores filme de 2015:

Medalha de Ouro: Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert)

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Um fenômeno raro de acontecer no Brasil, que apresenta filmes excelentes a cada ano, mas que não se tornam tão populares como esse drama tão cáustico que precisa se travestir de comédia. Muylaert joga luz sobre uma empregada em muitos aspectos parecida com a Cleo de Roma. A cineasta, porém, não é indulgente como Alfonso Cuarón. Ela não se importa de pôr o dedo na ferida e expor criticamente as camadas sociais do nosso país (e da América Latina) em uma época que o Brasil começava a sair de um frágil conto de fadas para entrar na história-pra-boi-dormir que se encontra hoje.

Regina Casé irradia luz, entrega um desempenho complexo como Val, a empregada doméstica de família rica e bastante esnobe. É depoia que a filha Jéssica vem da Bahia para São Paulo morar com Val, após anos de distanciamento, que as rodas do filme realmente começam a girar para imprimir tensão, mas também imenso calor. A mãe vai entender que não é por que desenvolveu uma relação afetiva e sincera com o filho dos patrões que é “da família”. A filha vai tentar explicar para a mãe que o Brasil mudou, que a casa grande e a senzala não existem mais. Simples assim, mas bem contundente.

Onde assistir: na Globo Play ou no Youtube

Medalha de Prata: Mad Max: A Estrada da Fúria (George Miller)

George Miller retornou à franquia Mad Max depois de um hiato de 30 anos para apresentar uma das pedras fundamentais do cinema de ação. O futuro pós-apocalíptico de Miller proporciona um cenário ideal para o crescente caos do filme. Desde a primeira cena até a última, há ação espetacular, insana e frenética. Uns 75% ou mais do filme é ação, eu imagino. Desde o lagarto que foi pisado por Max na abertura a todas as cenas que se desenvolvem no deserto, o trabalho da câmera e cinematografia é primoroso. Surpreende, portanto, o peso emocional dos 25% que restam. Muito graças à história de Furiosa, interpretada por Charlize Theron, que rouba a cena misturando força com emoção para sua personagem decepada figurativa e literalmente. Tom Hardy como Max, compõe um desempenho sutil, levando em conta que é o personagem cujo nome está estampado nos cartazes. No geral, Mad Max é uma sinfonia de destruição que faz Os Vingadores parecerem velhos caducos e o elenco de Velozes e Furiosos parecerem Lentos e Calmos. Épico é apelido para o que George Miller fez.

Onde assistir: no Looke

Medalha de Bronze: Boi Neon (Gabriel Mascaro)

Imagine que a vida de um grupo de pessoas está contida em um rolo de filme e que você sendo o “criador” tenha total controle sobre o que será exibido para os outros, mas não consegue se decidir sobre o que quer mostrar, escolhendo um pedaço da fita no uni-duni-tê. Foi essa a impressão que tive ao assistir Boi Neon: que o diretor Mascaro recortou aleatoriamente um trecho da vida de um grupo de trabalhadores de vaquejadas sem se preocupar com início, meio e fim e exibiu-o na tela. A trama se desenvolve no nordeste do Brasil e se concentra na história particular do vaqueiro Iremar (Juliano Cazarré), que viaja pela região trabalhando em rodeios enquanto sonha em largar tudo e começar uma nova carreira como estilista. No elenco estão a sempre ótima Maeve Jenkings como a caminhoneira Galega e também Vinícius de Oliveira, o menininho de Central do Brasil, agora crescido.

De início você até se pergunta por que está assistindo àquela trivialidade toda, mas aos poucos vai se apegando aos personagens, tão bem interpretados pelo elenco, e deixando-se levar para dentro do universo exótico criado pelo filme. Apesar deste enredo indefinido nunca soa sem pé nem cabeça, sendo mesmo prazeroso acompanhar a provocação que Mascaro propõe aos nossos conceitos de masculino e feminino: é o vaqueiro rústico que sonha em ser estilista, a “mãe solteira” que dirige e conserta o caminhão, a mulher grávida que cuida da segurança da fábrica e assim por diante. O filme causou certo rebuliço por mostrar uma cena de sexo real em seu desfecho. É uma belíssima cena, na qual o jogo de sombras mascara a vulgaridade e as formas corporais desenham o cenário. Muito bem dirigida, como todo o filme em si.

Onde assistir: no Now

Menções Honrosas: À sombra de Duas Mulheres; O Convite; O Abraço da Serpente; A Espiã que Sabia de Menos; Carol; Steve Jobs; Certo Agora Errado Antes; Taxi Teerã; What Happened; Miss Simone; O Presente; A Verdade Sobre Marlon Brando; Um Homem Chamado Ove; Cinco Graças; Entre Abelhas; O Homem Irracional; Ponte de Espiões; Perdido em Marte; O Lagosta; O Fim da Turnê; O Quarto de Jack; Trumbo; Mistress America; Amy; Star Wars: O Despertar da Força; Divertida Mente; Spotlight; O Regresso; Chatô: O Rei do Brasil; O Clube; 45 anos; Creed; Minha Mãe.

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