Os melhores filmes da década e onde assisti-los: ano de 2012

A década de 2010 está chegando ao fim, ou seja, chega a hora de a gente revisitar nossa história e avaliar o que houve de bom ou de ruim. Portanto, vou criar um pódio aqui no site com os três melhores filmes de cada ano, para em dezembro fazer um Top 100 da década. Dito isso, vamos ao que interessa, os três melhores filme de 2012:

Medalha de Ouro: Django Livre (Quentin Tarantino)

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A trama conta a história de Django (Jamie Foxx), um escravo liberto apadrinhado pelo mui nobre caçador de recompensas Dr. King Shultz (Christoph Waltz), que promete que depois do inverno o ajudará a encontrar Broomhilda (Kerry Washington), esposa perdida de Django. Isso os leva a uma enorme plantação de algodão no Mississippi, de propriedade do abominável Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), a partir daí eles planejam um esquema para se safar com Broomhilda. O elenco tem performances incríveis, particularmente de Christoph Waltz (também famoso por sua colaboração anterior com Tarantino em Bastardos Inglórios como Coronel Landa) . DiCaprio, Foxx, Washington e Samuel L. Jackson são capazes de adicionar um pouco de humor na mistura para se certificar de que nada fique muito sério – uma característica de Tarantino – que faz piada até com o Klu Klux Klan.

Eu sou daqueles que dá a cara a tapa pelo cineasta. Por quê? Simples. Por causa de obras-primas como Django Livre. Tarantino desafia as leis do cinema para, no fundo, fazer o mais puro cinema. A trilha sonora desse filme, um faroeste com rap de fundo, é só um dos exemplos. O filme é o primeiro olhar do diretor para o gênero western e ele executou lindamente, seguiu com o muito respeitável Os Oito Odiados (2016). Em resumo: é brutalmente hilário e bastante perturbador, uma explosão total do começo ao fim.

Onde assistir: na Netflix

Medalha de Prata (empate): Frances Ha (Noah Bambauch)/ Oh Boy (Jan Ole Gerster)

Dois filmes em preto-e-branco, um norte-americano, outro alemão, um feminino, outro masculino. Em comum: os dois tratam da geração Y, gente perdida ali na casa dos 25-30 anos. A própria Frances Ha diz que não é uma pessoa de verdade ainda. E o que é ser uma pessoa de verdade na segunda década do século 21? Tudo flui em liquidez, nada é sólido. O sentimento de não ser mais tão jovem é angustiante tanto quanto o de não se sentir adulto, apesar de já o ser. Os movimentos na vida pessoal e profissional que tentamos provocar nessa fase muitas vezes nos levam a lugar nenhum, ou pela própria inexperiência de vida, nos levam por caminhos frustrantes, que não eram bem o que imaginávamos. A personagem-título é interpretada maravilhosamente por Greta Gerwig (que também escreve o roteiro gracioso), sem amargura, com doçura. Desculpe Lady Bird, mas essa é melhor coisa que Gerwig fez.

Tudo que escrevi sobre Frances poderia ser dito sobre Niko Fischer (o incrível Tom Schiling), protagonista de Oh Boy. Ele é um exemplo de jovem que foge das responsabilidades da vida que só trouxeram vazio existencial e tenta apenas fazer a coisa mais simples durante todo o filme: tomar um cafezinho. Mas não consegue. Uma metáfora certeira do roteiro. O desespero de não completar nem mesmo objetivos banais leva a falta de alguma realização pessoal e Niko vai simplesmente deixando de sorrir conforme está envelhecendo. Certo prazer pela vida que é necessário para viver foi ficando pelo caminho. Assim como o velho que Niko encontra no final do filme, ele está ficando preso nas memórias de uma infância reconfortante. Niko, portanto, é o reflexo e a antítese de Frances.

Onde assistir: Frances Ha na Netflix, Oh Boy em sites de torrent com legendas no legendas.tv

Medalha de Bronze: A Caça (Thomas Vinterberg)

Um filme de 2012 que se torna cada vez mais urgente ao fim da década. Lucas (Mads Mikkelsen, estupendo) é um homem simpático que se submete a todas as vontades da ex-mulher e tenta se reerguer depois de um divórcio feio trabalhando como professor numa escola infantil. Seu único traço mais masculino é participar de caçadas. Um dia, uma das suas alunas – e também filha de seu melhor amigo – conta para a diretora que ele a molestou. Uma mentira, como fica claro o tempo inteiro, que cresce como bola de neve e afeta a vida de Lucas em todos os sentidos. O benefício da dúvida, umas das armas do direito e do cinema, aqui é abandonado para criar um drama avassalador.

A Caça critica o comodismo da sociedade que sempre gostou de apontar e julgar, sem nem se dar ao trabalho de verificar os fatos. Atualmente com a internet tendo se convertida em um verdadeiro tribunal de dedos apontados, isso fica muito mais fácil. Mostra de forma dura e realista, como é fácil destruir a reputação de um ser humano, e como existem erros que são irreparáveis mesmo com o tempo, mesmo quando a verdade vem à tona. Tempos horríveis esses em que vivemos em que se age antes de pensar, em que não existe “dois pesos, duas medidas”, em que você é caça ou caçador.

Menções Honrosas de 2012 – César Deve Morrer; As Vantagens de Ser Invisível; Elena; O Som ao Redor; Crianças Lobo; Procurando Sugar Man; Holy Motors; A Datilógrafa ; No; Dentro da Casa; O Vôo; Marcados Para Morrer; Raul: O Início, O Fim e o Meio; Anna Karenina; Detona Ralph; 2 Coelhos; Hannah Arendt; O Impossível; Expedição Kon Tiki; Amor; Jogos Vorazes; Looper; 007 – Operação Skyfall; O Lado Bom da Vida; Argo; Os Vingadores; As Aventuras de Pi; Na Estrada; A Música Segundo Tom Jobim; Ferrugem e Osso; A Escolha Perfeita; Paris-Manhattan; As Sessões; Para Roma, Com Amor; Projeto X; Anjos da Lei; Depois de Lúcia.

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