Um olhar sobre “O Convite”, disponível na Netflix: festa estranha com gente esquisita

o convite

A grande reviravolta de O Convite (Karyn Kusama, 2015) é descobrir que Logan Marshall-Green não é irmão gêmeo de Tom Hardy. Brincadeira, lógico. Mas, sério, há um ou dois plot twists abruptos no terceiro ato que criam uma transição nada sutil de um horror paranóico para o puro terror, mas pelo menos sustentam o clima letárgico que prenuncia a tragédia, construído durante todo o filme.

O longa-metragem se configura como um conto sombrio desde o prólogo em que uma viagem de carro termina em desastre quando Will (Mashall-Green, em excelente performance), ao ir à casa de sua ex-esposa, Eden (Tammy Blanchard) para um jantar, atropela e sacrifica um animal na estrada.  Quando chegam ao local, ele e a namorada Kira (Emayatzy Corinealdi), são recebidos efusivamente pela ex-mulher, seu novo marido David (Michiel Huisman, o Daario Naharis de Game of Thrones) e alguns amigos que não via há anos, mas há um elefante gigante na sala… todos estão ao mesmo tempo estranhamente alegres, mas tensamente evasivos. Peculiar também é o comportamento de Will, que obviamente está sofrendo algum stress ou conflito interior. Eden, a ex-esposa, também parece estar lutando internamente contra alguma coisa que tenta camuflar ostentando o novo estilo de vida, mais paz e amor, que adquiriu com o novo marido. A diferença entre Eden e Will é que ela está tentando superar o trauma que eles viveram juntos, e Will mergulhou com afinco na sua dor.

Durante dois terços do filme é basicamente isso: um jantar de classe média alta, quase entediante, regado com tristeza, loucura e vinho tinto. Os convidados estão se esforçando para evitar tocar no assunto que mudou a vida de todos e Will se esforça para tirar o elefante da sala. Quem está realmente louco ali? Os amigos que evitam tópicos duros para não permitir que o ex-casal tenha algum momento catártico? Will, paranóico na visão dos demais, que enxerga uma teoria conspiratória no comportamento do novo marido de Eden? Ou seria Eden que aderiu a uma religião duvidosa que a ajuda a entender a vida e a morte de modo diferente?

A cineasta Kary Kusama – que havia dirigido Garota Infernal e fez recentemente O Peso do Passado, com Nicole Kidman – orquestra um trabalho exemplar mantendo um tom mundano e banal em boa parte do filme para que, à medida que a noite avance, a sensação de estranheza torne-se palpável, culminando em um ato final satisfatório e violento, que oferece uma visão devastadora da dor e da facilidade com que uma pessoa enlutada pode ser manipulada.

Nota: 8/10

Veja também: Os 100 Melhores Filme Dirigidos por Mulheres

Trailer:

Anúncios


Categorias:Cinema

Tags:, ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: