Os melhores filmes da década e onde assisti-los: ano de 2011

A década de 2010 está chegando ao fim, ou seja, chega a hora de a gente revisitar nossa história e avaliar o que houve de bom ou de ruim. Portanto, vou criar um pódio aqui no site com os três melhores filmes de cada ano, para em dezembro fazer um Top 100 da década. Dito isso, vamos ao que interessa, os três melhores filme de 2011:

Medalha de Ouro: A Separação (Asghar Farhadi)

Na maioria dos seus filmes, a partir de um conflito casual, Agshar Farhadi bombardeia nossa alma com embates humanos trágicos. Em Procurando Elly, de 2009, os conflitos internos de um grupo de amigos, que vão passar um fim de semana na praia, são universais. Somados a eles há o medo trazido pela realidade de um país mulçumano, no qual as consequências do desaparecimento de uma mulher atingem tons surreais para nós que estamos assistindo aqui no ocidente.

Dois anos depois, ele levaria seus traços visuais e seus temas à enésima potência quando lançou o melhor filme de 2011, no qual novamente a grandes intérpretes foram entregues dilemas morais que exigem respostas imediatas e acabam por revelar atitudes que os próprios desconheciam de si mesmos. Na história, um pequeno acidente em uma escada envolvendo o patrão e a diarista (seria um tropeço ou um empurrão?) desencadeia conflitos que problematizam a cultura inteira de um país complicado como o Irã. Os roteiros de Farhadi são construídos em notas cada vez mais exasperantes, e aqui não seria diferente. A tal separação é a do casamento de Nadir e Simin, mas também é o rompimento de certa empatia pelo próximo, de certo desprendimento da lógica e da razão, após a aniquilação da liberdade feita pelos aiatolás. Qual seria a solução então? Para Farhadi, a resposta está no olhar de compreensão das duas crianças do filme, não por coincidência a filha dos patrões e a filha da empregada. Simplesmente magnífico.

Onde assistir: no Looke

Medalha de Prata: Meia Noite em Paris (Woody Allen)

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Em O Anjo Exterminador, clássico surrealista de 1950 da fase mexicana de Luis Buñuel, os convidados de um jantar não conseguem deixar a sala onde estão sem razão aparente. É um dos mais brilhantes motes da sétima arte. No segundo melhor filme de 2011, ficamos sabemos que foi o escritor contemporâneo Gil Pender (Owen Wilson, excelente encarnando a persona de Woody Allen) que deu a ideia a Buñuel. Como? Em um dos seus passeios noturnos pela cidade-luz, ao badalar da meia-noite, ele é transportado magicamente para os anos 1920, o melhor período da história para Gil. Lá, ele conhece inúmeros intelectuais e artistas, incluindo o cineasta espanhol e seus escritores favoritos como Ernest Hemingway (Corey Stoll). Assim como O Anjo, o filme não dá explicações sobre os absurdos da trama, interessado mais na comédia nonsense.

O tema da romantização do passado causado pela insatisfação com o presente é recorrente na filmografia do cineasta, mas nunca foi tão bem trabalhado como em Meia Noite em Paris, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original (ganhando justamente de A Separação, o que é meio injusto). Allen, de fato, escreveu um roteiro redondinho como não fazia há muito tempo, mas isso é o mínimo que esperamos dele. Os diálogos e piadas visuais são excelentes, apoiados por uma excelente reconstituição de época (ou de épocas), para que Allen passe o seu recado: não importa o período em que se vive, o ser humano vai ser sempre um eterno insatisfeito.

Onde assistir: na HBO ou dá um Google rapidão.

Medalha de Bronze : O Garoto da Bicicleta (Jean Pierre e Luc Dardenne)

Abandonado por seu pai, um menino é deixado em um orfanato. Em um ato aleatório de bondade, uma cabeleireira (Cécile de France) concorda em acomodá-lo em sua casa nos fins de semana até adotá-lo definitivamente. Porém, a gana do menino em reencontrar o pai quase põe tudo a perder. O Garoto da Bicicleta sempre me comove. A doação inexplicável da cabeleireira pelo garoto, a expiação do menino no final, o Jérémie Renier como pai relapso do garoto – num “diálogo” com A Criança (2005), em que o ator também interpreta um péssimo pai – são alguns motivos que me fazem gostar tanto. O humanismo dos irmãos belgas, que defendem que o altruísmo pode salvar a sociedade de seu cego egoísmo, está muito claro aqui. Para os Dardenne, o rompimento de barreiras pessoais é a solução para transformar uma sociedade individualista em uma sociedade com ideais mais coletivizados, menos egoístas. Assim como em toda sua filmografia, eles filmam em um estilo documental, sem trilha sonora, e com um naturalismo que pela primeira vez, porém, possui uma beleza pictórica.

Onde assistir: torrent no btbit.org e legendas no legendas.tv

Menções honrosas de 2011: Polissia, Woody Allen: Um Documentário, Drive, As Canções, Histórias que Só Existem Quando Lembradas, Era Uma Vez na Anatólia, Killer Joe, Um Conto Chinês, Bernie, The Deep Blue Sea, O Abrigo, O Artista, Quero Matar Meu Chefe, Histórias Cruzadas, Martha Marcy May Marlene, 50%, Guerreiro, Precisamos Falar Sobre o Kevin, Medianeras, HP e as Relíquias da Morte – Parte 2, Tudo Pelo Poder, Hugo, Tomboy, Deus da Carnificina, Trabalhar Cansa.

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Categorias:Cinema, Listas

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1 resposta

  1. Meia Noite em Paris. Adoro.Maravilhoso, belíssimas fotografias. Sempre penso, como alguém poderia se sentir tão insatisfeito morando em Paris!🤩

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