‘Conquistar, Amar e Viver Intensamente’: a epidemia da AIDS nos anos 90 com um novo olhar

Conquistar, Amar e Viver Intensamente

Estamos em 1993 e o fantasma da AIDS assombra a comunidade gay também na França. Jacques (Pierre Deladonchamps, de Um Estranho no Lago), um escritor de 40 anos se enamora por Arthur (o incrível Vincent Lacoste, de Amanda), um jovem estudante de literatura. Jacques contraiu o vírus e vive em desesperada melancolia, enquanto Arthur ainda possui o que os franceses chamam de joie de vivre: o otimismo e a alegria de viver da juventude.

O título de Conquistar, Amar e Viver Intensamente (2018), de Christophe Honoré, parece retirado de um palestra motivacional, mas o filme está longe disso, sendo um retrato doloroso principalmente dos dois personagens citados.

Quem rotulá-lo de outro-filme-gay-de-aids perdeu um pouco o ponto da história. Honoré assume riscos e evita com sucesso os clichês. O cinema do diretor francês de 49 anos é marcado por um romantismo nostálgico pela nouvelle vague francesa do século passado – visto nos adoráveis Em Paris, Canções de Amor e A Bela Junie (todos com seu ator-fetiche Louis Garrel). Contudo, ele nunca mergulhou de fato no passado porque é capaz de homenagear sem imitar, algo que muitos diretores contemporâneos não conseguem fazer.

Sendo assim, o filme é sobre relacionamentos, humanidade e compaixão. Honoré chega à carne sem mastigar a gordura, tecendo histórias cruzadas que todo mundo viverá eventualmente. O contexto do filme – a epidemia de AIDS dos anos 90 – é apenas um cenário para um subtexto sobre relacionamentos realistas e menos romantizados, como nunca visto antes na sua carreira.  A inspiração vem dos anos universitários do diretor, quando muito dos seus ídolos gays, escritores e diretores morreram da doença.

Logo, enquanto filmes como Orgulho e Esperança (2014), se concentram em retratar o ativismo dos pioneiros da causa, o filme de Honoré mostra o outro lado dos relacionamentos homossexuais, incluindo os não-amorosos: a simpatia e o amor que nascem em época de incerteza e caos. E isso é universal.

Nota: 7.5/10

(Em tempo: Jacques e Arthur se conhecem no cinema durante a exibição de O Piano, de 1993, justamente o ano de Filadélfia, seminal obra sobre o mesmo tema da epidemia de AIDS na comunidade gay. Acho que o diretor perdeu uma bela oportunidade metalingüística, mas nada que estrague o filme.)

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Categorias:Cinema, Críticas

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