Há 42 anos, estreava “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, de Woody Allen

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“Eu lembrei daquela velha piada, sabe? O cara vai ao psiquiatra e diz “Acho que o meu irmão enlouqueceu, ele pensa que é uma galinha, doutor”. “Por que você não o interna?” perguntou o médico. E o cara responde “pois é, mas eu preciso dos ovos.” Então eu acho que é mais ou menos assim que vejo os relacionamentos, eles são totalmente irracionais, loucos, absurdos, mas a gente continua tentando porque precisa dos ovos.”

Woody Allen surgiu para o mundo com Um assaltante bem trapalhão, em 1969, comédia hilária com um fio de narrativa intercalada por vários esquetes. O cineasta vinha de trabalhos na televisão e shows de stand-up comedy, por isso no início seus filmes possuíam histórias ínfimas com pouco aspecto de cinema. De acordo com Allen, ele aprendeu a fazer filmes fazendo, ao contrário da nova geração de Hollywood que frequentou as melhores faculdades de cinema da América. Para o diretor, o que interessava mesmo era a piada pela piada à época. Fazem parte dessa fase O Dorminhoco e Bananas. A situação mudou em 1977, quando ele decidiu se arriscar em filmes mais consistentes dramaturgicamente. Surgia assim Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall).

Na história, um humorista judeu cheio de problemas, Alvin (o próprio Allen), se apaixona por uma cantora em início de carreira (Diane Keaton), a tal Annie Hall do título original. O já clássico monólogo de abertura dá o tom para uma viagem pessoal pela própria memória de Alvin, rememorando o seu relacionamento conturbado com Annie. Como toda boa memória, é pouco ou quase nada fiel aos fatos, o que oferece a liberdade anárquica ao filme de virar animação, quebrar a quarta parede, viajar ao passado, traduzir o pensamento das personagens em legendas, dividir falsamente a tela ao meio e outros experimentos visuais. E o que dizer de Diane Keaton? Interpretando uma versão de si, ganhou o Oscar. Como se falassem: “você é muito boa sendo você mesma, toma aqui o Oscar de Melhor Pessoa”. É impossível não se apaixonar por sua Annie maluquete, perdida e doce.

Segundo o lendário diretor francês, François Truffaut, o filme consegue apresentar na tela personagens verdadeiros com sentimentos verdadeiros”, algo bem diferente de tudo que o diretor já havia feito. Divisor de águas em sua carreira que sedimentou a persona neurótica de Woody Allen, a comédia romântica venceu quatro Oscars em 1977 – incluindo Melhor Filme, derrotando ninguém menos que o primeiro Star Wars – e tornou-se um marco para o cinema, sendo inspiração clara para outros filmes do gênero que viriam depois como Harry & Sally (1989) e 500 Dias Com Ela (2009).

O clássico comemora 42 anos nessa semana, para celebrar deixamos um gostinho com o seminal monólogo de abertura do filme:

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