“Parque da Punição”: e se os jogos vorazes fossem reais?

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Ao mesmo tempo em que é um pseudocumentário incisivo sobre a Guerra do Vietnã (1955-1975), Parque da Punição (1971) é também um protesto contra qualquer regime totalitário de qualquer época.

Na trama, o governo americano oferece duas escolhas às pessoas que se rebelam contra o sistema (os suspeitos de sempre são jovens radicais, autores, ativistas, pacifistas, desertores, cantores de protesto, feministas e poetas): as sentenças judiciais desproporcionalmente severas ou o Parque da Punição. Neste parque, os rebeldes devem atravessar o deserto em até três dias até alcançarem uma bandeira dos Estados Unidos hasteada no local. Caso consigam sobreviver ao calor extremo e a perseguição (disfarçada de treinamento) dos policiais, ganham a liberdade. O filme acompanha, então, dois grupos: um que já fez a escolha pelo parque e outro que ainda está sendo interrogado. O primeiro grupo vai se arrepender rapidinho de sua escolha ao perceber que os agentes da lei jogam sujo para caramba, enquanto o segundo vai se esgoelar com os juízes totalmente partidários, que vêem qualquer ato que não siga as normas padrões como subversão e/ou degeneração. Sim, a parte do tribunal lembra muito os dias de hoje.

O diretor inglês Peter Watkins, pioneiro do gênero hoje já batido de docudrama ou docuficção, deixa claro que é um filme de esquerda, mas as sequências do tribunal – que às vezes são mais calorosas que as do parque – levanta discussões políticas bem interessantes que, vejam só, podem agradar até a direita. Não sei se foi proposital, mas os argumentos conservadores, quando não ferem o direito à vida e a liberdade individual, devem ser levados em conta. À título de curiosidade, muitos dos “atores” não estavam atuando em um sentido tradicional do termo. Na introdução, Watkins diz que muitos manifestantes eram manifestantes da vida real, e a maioria dos soldados eram conservadores na vida real. As falas improvisadas são baseadas nas opiniões dos próprios participantes.

Ao final fica a sensação de que a obra é uma espécie de Jogos Vorazes mais realista e cruel. O filme está disponível no YouTube (vou deixar o link abaixo), recomendo para todos os brasileiros que sentem na pele a polarização dos nossos dias.

Nota: 9/10

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Categorias:Cinema, Críticas

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