“Vox Lux”, com Natalie Portman: nasce uma estrela trágica e agridoce

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O já longínquo 2018 foi o ano dos atores da geração 2000 de Hollywood arriscarem-se atrás das câmeras. Paul Dano (Sangue Negro, Pequena Miss Sunshine) dirigiu Wildlife, Jonah Hill (Superbad, O Lobo de Wall Street) fez o seu Mid90s, Bradley Cooper arrastou multidões com Nasce uma Estrela e Brady Corbet (Mistérios da Carne, Violência Gratuita), talvez o mais cult entre os quatro, mas com sólida carreira nos Estados Unidos e Europa, lançou Vox Lux.  A melhor estreia com larga vantagem foi de Cobert, que escalou Natalie Portman para viver sua popstar trágica e sombria.

Em linhas gerais – é um filme que quanto menos você souber, melhor – trata-se da história de Celeste Montgomery (Raffey Cassidy na juventude e Portman como adulta), adolescente sobrevivente de um massacre na escola, que lhe rendeu um eterno problema na coluna, mas também a alçou a fama nacional, quando cantou uma música em homenagem aos colegas mortos e viralizou. Os 15 minutos de fama se transformaram em uma carreira consolidada como estrela pop (alguma coisa entre Britney Spears e Lady Gaga), do jeito que Hollywood adora: com problemas com drogas, gravidez precoce, ressentimento familiar (a irmã de Celeste é também excelente cantora, mas vive muito mal por ter virado sua sombra) e palavras ditas na hora mais inoportuna possível. Guardada as devidas proporções e intenções, Vox Lux é um Nasce uma Estrela mais sentimental e menos sentimentalóide e, portanto, mais profundo.

Natalie Portman, que demora a aparecer em cena apesar dos cartazes só mostrarem seu rosto, está bem perdida. A eterna Mathilda de O Profissional  teve apenas 10 dias para gravar suas cenas, talvez tenha lhe faltado tempo. Ela arrasa nas cenas dramáticas e nos momentos que está companhia de seu empresário e anjo da guarda interpretado por Jude Law, mas está bem frágil, beirando a caricatura, quando precisa bancar a diva pop temperamental. Companheiros de longa data – fizeram Cold Mountain, Close – Perto Demais e Um Beijo Roubado – , Law e Portman tem uma química incrível em cena.

Já que estamos no campo da comparação, a parte espetáculo musical de Nasce uma estrela é mais bem elaborada, mas dê um desconto para Vox Lux por que o filme investiga justamente as mudanças na cultura pop nas últimas décadas. Na visão de Celeste, a indústria cultural está cada vez mais pobre, e ela precisa se adequar sendo mais desajeitada e plastificada assim como seus clipes e figurinos. Brady Cobert associa esse universo trágico da fama e do sucesso com as próprias tragédias recentes da América. Há durante o filme três atentados, que estão ligados direta ou indiretamente com Celeste, que simultaneamente a alienaram e a enrijeceram. Ao fim, o filme que foi promovida como “um filme COM Natalie Portman”, na verdade, é um “um filme DE Brady Corbert”, jovem de 30 anos do sudoeste americano, que mostra sua visão desencantada do mundo e representa toda uma geração. Espero que a carreira como diretor seja duradoura.

Nota: 8/10

Trailer:

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Categorias:Cinema, Críticas

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