A deliciosa tragicomédia de Melissa McCarthy em seis filmes

melissa mccarthy

Sou fã de Melissa McCarthy desde Gilmore Girls, quando ela era apenas a coadjuvante que roubava a cena. Eu adoro como ela é na aparência uma comediante e na essência uma drama queen. A atriz sabe que está fora dos padrões de uma diva do cinema e usa isso a seu favor. Na sua comicidade, há sempre uma nota de desespero, certa tristeza por apenas querer viver e certa dificuldade por que parece que o universo está conspirando contra ela. Não há a doçura quase infantilizada de Kate Hudson e outras heroínas de comédias românticas, ou a maluquice de Diane Keaton ou mesmo o cinismo de suas contemporâneas Amy Schumer e Tina Fey. Na verdade, há aquele olhar aguçado para o mundo – de quem observa espantado a loucura geral – algo que sempre foi permitido a comediantes masculinos como Peter Selles, Woody Allen e Groucho Marx, mas que agora ela assume as rédeas no cinema hollywoodiano. Não que a atriz não tenha errado como quando aderiu ao horrível Caça-Fantasmas feminino, mas ninguém acerta o tempo todo. Abaixo selecionei os seis filmes tragicômicos de ou com Melissa McCarthy:

  1. Poderia Me Perdoar? (Marielle Heller, 2018)

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O filme rendeu a primeira (e merecida) indicação ao Oscar de Melhor Atriz para Melissa. A tragédia da escritora idealista que falsifica cartas para sobreviver faz rir pelo absurdo e chorar de tristeza por uma personagem muito da antipática é verdade, mas humanizada pela atriz daquele jeito que só ela sabe fazer. Nota: 8,5 /10

  1. A Espiã que Sabia de Menos (Paul Feig, 2015)

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Eu não me lembro de ter rido tanto no cinema como quando eu ri nesse filme. Eu ficava rindo, rindo e rindo. É aqui que Melissa usa melhor o corpo cheinho a seu favor. Não para tirar sarro de si, óbvio, mas para ridicularizar o preconceito dos outros. Ora, quem disse que uma analista de dados (que supostamente tem vários gatos) não pode ser tornar uma mega espiã internacional? Sejamos justos: Jude Law, Alisson Janney e Jason Staham estão impagáveis também. Nota: 8.5/10

  1. Missão Madrinha de Casamento (Paul Feig, 2011)

missão madrinha casamento

Revi o filme recentemente e subiu muito no meu conceito. McCarthy interpreta uma das madrinhas de casamento de Maya Rudolph e o diretor Feig gostou tanto dela que acabou providenciando o filme acima, A Espiã, só para vê-la brilhar inteiramente. Aqui, a atriz interpreta uma mulher tão vulgar, mas tão vulgar que acaba rompendo a barreira do descrédito e é abraçada pelo público. Resultado: a primeira indicação ao Oscar na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante. Ainda hoje é difícil uma atriz ser indicada ao prêmio por um papel altamente cômico nesse nível. Só prestem atenção na cena em que ela oferece sua amizade para uma depressiva Kristen Wig e vejam que estou certo em dizer que ela é uma drama queen disfarçada de comediante. Nota: 7,5/10

  1. A Chefa (Ben Falcone, 2016)

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Um filme esquizofrênico: Melissa acerta na caracterização, mas erra feio no roteiro fraquinho, fraquinho escrito junto com o marido Ben Falcone, que também dirige o filme. Michelle Darnell, a tal chefa, é baseada em um personagem dos tempos de stand-up comic de Melissa. A atriz está simplesmente hilária, há várias piadas boas durante o filme, a personificação de perua chique é sensacional (reparem como o pescoço dela aparece coberto durante todo o filme), mas no geral é um filme fraco. A história da magnata ex-presidiária e falida que encontra sua salvação em bolinhos de escoteiras simplesmente não cola. Nota para Melissa 8/10, para o filme 4/10.

  1. Um Santo Vizinho (Theodore Melfi, 2014)

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Um bom exemplo de como uma atriz quarentona e fora do peso considerado padrão pode interpretar uma pessoal normal, sem precisar se referir nenhuma vez durante o filme sobre suas características físicas. Aqui o desajuste fica por conta de Bill Murray, vizinho de Melissa que faz uma amizade nada apropriada com o filho adolescente dela para desespero da mãe. Nota 7/10

  1. Uma Ladra Sem Limites (Seth Gordon, 2013)

Um filme cheio de problemas que não merece Melissa McCarthy e Jason Bateman, outro comediante que sabe como ninguém rir da própria desgraça. É uma pena por que uns cortes na edição (o filme tem quase duas horas) e uma lapidada no texto tornaria o filme menos aborrecido. Na história, Bateman é um homem bem-sucedido nos negócios que tem sua identidade roubada por uma, bem, uma ladra sem limites, interpretada por Melissa. E quando fala-se em falta de limites, é com a atriz mesmo. Note como ela está muito bem nas cenas que exigem humor físico e lá para o final tem um momento dramático certeiro, uma confissão em uma cena de restaurante, que ela também brilha. Nota para Melissa e Bateman: 7,5/10 (eles fazem o que podem) e para o filme 4/10.

Em tempo: vejam também Gilmore Gils e Mike e Molly, trabalhos televisos da atriz.

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Categorias:Cinema, Listas

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