“Bagdad Café”: quando a arte produz harmonia

bagdad café

Em uma estrada entre Las Vegas e lugar nenhum, a poeira do deserto de Mojave tornou árida a vida dos personagens de Bagdad Café, clássico cult dirigido por Percy Adlon em 1987.

O lugar do título é um estabelecimento decadente que serve de lanchonete, parada de aventureiros, hotel e posto de gasolina. Administrado pela estressada Brenda (CCH Pounder), o Bagdad está com a máquina de café estragada, os quartos do hotel às traças e o posto de gasolina tem mais ou menos dois clientes por dia e olhe lá. Não é de admirar que Brenda esteja aos cacos (como na foto acima), com aquela aparência desleixada de desespero, de quem está a um ponto de desistir de tudo. Também pudera, ela tem um namorado metade vagabundo, metade preguiçoso; uma filha, Phyllis (Monica Calhoun), que não quer saber de nada na vida além do que toca nos seus fones de ouvido, e outro filho, Sal (G. Smokey Campbell), que embora esforçado pianista, já tem um filho. Brenda também tem dois clientes que ao que parece firmaram residência no local: Debby (Christine Kauffman), uma misteriosa tatuadora, e Rudy Cox (Jack Palance, impagável), ex-ator de Hollywood e pintor em crise.

É esse o cenário que a turista alemã Jasmin (Marianne Sägebrecht) encontra quando aporta no Bagdad Café. Do seu passado não sabemos muita coisa, apenas que meteu um pé na bunda no marido e seguiu arrastando a mala pela estrada empoeirada até encontrar Brenda nesse estado desolador. A partir desse encontro, o filme começa de verdade. Vou deixar a cargo de quem for assistir, descobrir com os próprios olhos a delícia e o prazer que ele é. Basta dizer que Jasmin driblará a desconfiança de todos – principalmente a aspereza de Brenda – e encherá o lugar de luz. Como? Através da arte (selecionei algumas cenas que merecem destaque abaixo). Para os estranhos habitantes do Bagdad Café, Jasmin é o público que eles não sabiam que estavam precisando: a musa para Rudy, a ouvinte para Sal, a mágica para Brenda e a mãe para o pequeno neto tão rejeitado pela família. A própria Jasmin descobre com o ilusionismo que é uma grande artista. Ao lado de A Vida dos Outros (2006), também dirigido por um alemão, Florian Henckel von Donnersmarck, este é o filme que melhor mostra que é impossível ser uma pessoa ruim quando a arte toca nossa vida.

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O primeiro contato das duas protagonistas: medo do desconhecido.

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Mesmo na espelunca onde foi parar, Jasmin é capaz de detectar e se deslumbrar com um quadro na parede.

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Jasmin é a única que reconhece a qualidade da música de Sal.

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Ela se encanta.

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O artista em crise encontra sua musa.

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As pinturas de Rudy podem ser associadas às do artista colombiano Fernando Botero, famoso por suas figuras rotundas.

Bagdad café 8

Um reencontro acontece, bem diferente do primeiro.

Bagdad Café 9

Com mágica, música e pintura, em resumo, com Jasmin, Brenda redescobre a vida.

Nota: 9/10

Para terminar, Jevetta Steele cantando a belíssima canção tema do filme e indicada ao Oscar, “Calling You”:

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Categorias:Cinema, Críticas

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