Top 6 filmes do grandioso ano de 1994

filmes 1994

Uma inspiração coletiva global tomou conta do mundo do cinema em 1994, foi um ano tão dourado que apenas 25 anos se passaram, mas dezenas de filmes já são considerados clássicos da sétima arte (depois deles só tivemos tanta sorte em 1999 e 2007). Existe um termo em inglês chamado outliers, para explicar algo fora da normalidade, um ponto fora da curva dentro de padrões, que pode ser negativo ou pode ser exatamente o que estamos procurando. Acho que 1994 se encaixa na segunda opção, ao menos para os cinéfilos. Escolhi 5 filmes para exemplificar o que estou falando:

  1. Pulp Fiction (Quentin Tarantino, EUA, 1994)

Três histórias são apresentadas de forma não cronológica e se cruzam durante o filme de forma não-linear, mas sem nunca perder o sentido. Coisa de quem manja muito de cinema: um tal de Quentin Tarantino. O cineasta já havia ganho a curiosidade do mundo com Cães de Aluguel (1992), mas recebeu a atenção com esse aqui e nunca mais a perdeu. Ele já declarou que não pensa em subtextos enquanto escreve seus roteiros, então esqueça sensações e interpretações, Pulp Fiction é estilo e exibição. Na CinemaCon 2018, Quentin Tarantino afirmou que o seu novo filme, Era Uma Vez em Hollywood, é o mais próximo de Pulp Fiction que ele já fez até hoje. Podemos conjecturar então que a montagem do filme não será mais tão inovadora, até porque vem sendo copiada há mais de 20 anos, mas ao menos será ousada esteticamente, com a clássica divisão em capítulos, sem respeito à ordem cronológica. Sendo um novo Pulp Fiction, pode-se esperar muito humor negro, nonsense, sangue espirrando da tela e personagens gritando mothafuck. Mal posso esperar.

  1. Forrest Gump – O Contador de Histórias (Robert Zemeckis, EUA, 1994)

Filme de memória emocional, por ter assistido tantas vezes na infância. Revisto como adulto continua um primor e até perdôo-o por ter “roubado” o Oscar de Pulp Fiction. Para quem não viu, apresento-lhes Forrest Gump (o grandioso Tom Hanks): um jovem problemático, de baixo QI que por conta do acaso participa dos fatos mais importantes da história dos Estados Unidos em um período de 40 anos. Um dos filmes mais carismáticos de todos os tempos.

  1. Amores Expressos (Wong Kar-Wai, Hong Kong, 1994)

Com uma das melhores trilhas sonoras do cinema, o filme é composto de duas histórias contadas em seqüência, cada uma com um policial de Hong Kong e seu relacionamento com uma mulher. É por vezes esquisito, por vezes doce. Foi gravado quando Kar-Wai tirou uma folga das turbulentas filmagens do épico e diametralmente diferente “Cinzas do Passado”, lançado no mesmo ano de 1994. Vale assistir Anjos Caídos, de 1995, filme-irmão, desmembrado deste aqui.

  1. Tiros na Broadway (Woody Allen, EUA, 1994)

É essencialmente um filme sobre talento ou a ausência dele. Uma das mais felizes realizações de Allen tanto no que se espera dele – texto afiado e elenco em estado de graça, com destaque para Dianne Wiest, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante – quanto nos aspectos técnicos que, por meio dos figurinos e cenários, nos transportam para os amados anos 1920 da memória do diretor. Crítica completa aqui.

  1. Um Sonho de Liberdade (Frank Daranbont, 1994)

No contexto de filmes de prisão, Um Sonho de Liberdade trata essencialmente de amizade, entre o prisioneiro injustiçado e o resignado. Tem também a melhor cena de fuga da história ou o filme inteiro seria sobre a fuga mais silenciosa que já existiu? Não li o conto original de Stephen King, mas dizem que Darabont fez miséria e criou um dos melhores roteiros do cinema. Não à toa, figura há anos como melhor filme de todos os tempos no IMDB. Com um dos monólogos finais mais lindos de todos os tempos: cortesia de Morgan Freeman: “Espero conseguir atravessar a fronteira. Espero ver meu amigo e apertar sua mão. Espero que o Pacífico seja tão azul quanto nos meus sonhos. Eu espero.”

  1. O Profissional (Luc Besson, França, 1994)

O Profissional narra a improvável amizade entre a órfã com sede de vingança Mathilda (Natalie Portman, arrasando logo no primeiro papel) e o assassino profissional Leon (Jean Reno). O elo crescente de pai e filha (embora Mathilda, na sua confusão pré-adolescente, confunda um pouco as coisas) que vai sendo construído entre os dois é o ponto alto do filme. Note a importância da garrafa de leite na história, geralmente símbolo da infância, o leite é a bebida favorita do brutal assassino profissional como Léon, que toma copos e copos durante o longa. A intenção de Besson foi causar estranhamento mesmo, e mostrar um lado maternal (ou paternal) no personagem que adota Mathilda após a chacina que matou sua família. É uma pena que o estridente personagem de Gary Oldman, o agente federal corrupto algoz de pequena menina, beire o insuportável, mas tudo bem, o sabor agridoce da relação entre Mathilda e Leon nos faz perdoar os exageros da história.

Menções Honrosas: 71 fragmentos de uma cronologia do acaso, Tiros na Broadway, O rei Leão, O casamento de Muriel, A fraternidade é vermelha, Rosas Selvagens, Adoráveis Mulheres, Com Mérito, O Carteiro e o Poeta, Quatro casamentos e um funeral, Velocidade máxima, A igualdade é branca, Ed Wood, Don’t drink the water, O indomável, Priscilla, Quiz Show, O sol enganador, O balconista e Entrevista com Vampiro.

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Categorias:Cinema, Listas

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