+10 pérolas do cinema perdidas no YouTube

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Clique na primeira parte aqui. No final, deixo a playlist dos filmes no YouTube.

  1. O Grande Ditador (Charles Chaplin, EUA, 1940)

Um humorista banal faz piada com os oprimidos, um gênio do humor faz piada com os opressores em plena segunda guerra mundial. Nesse filme, durante a Primeira Guerra Mundial, um barbeiro judeu (Chaplin) que luta pela fictícia República da Tomânia é ferido em ação e acaba internado num hospital com amnésia. Anos depois, ele ganha alta e, sem saber o que aconteceu após a guerra, depara-se com um país tomado pelo fascismo, onde o ditador Adenoyd Hynkel governa com mão de ferro perseguindo os judeus. Ironicamente, o barbeiro é sósia do poderoso governante da nação. Haverá, é claro, uma hilária troca de identidades. Chaplin resistiu durante muito tempo a falar no cinema, mas quando o fez criou um dos mais belos monólogos no desfecho desse longa, com uma das melhores mensagens anti-guerra já vistas em qualquer arte, que o levou a ser acusado de comunista pelo governo dos EUA.

  1. O Túmulo dos Vagalumes (Isao Takahata, Japão, 1988)

Uma das animações mais tristes do mundo. Dois jovens irmãos passando fome durante a guerra no Japão bastariam para deprimir todo mundo. O diretor Takahata não nos poupa de escancarar a dor dos dois, em uma história que se não fosse animação seria cruel demais para ver. O resumo da tristeza está na fala mais lembrada do filme pela pequena Setsuko: “por que os vagalumes morrem tão cedo?”, é de cortar o coração por que simboliza a ótica da guerra por parte de alguém que mais sofre por causa dela, justamente por não a entender.

  1. Patrik, Idade 1,5 (Ella Lemhagem, Suécia, 2008)

Uma boa pedida assistir esse filme após O Túmulo dos Vagalumes, para recuperar a fé na humanidade. Na história, o casal gay Göran (Gustaf Skarsgård, o Floki de Vikings) e Sven (Torkel Petersson) conseguiu permissão para adotar Patrik (Thomas Ljungman), um órfão sueco de um ano e cinco meses. Mas quando o menino chega, ele não é bem o que eles esperavam. Houve um erro na idade do garoto, e os pais receberam um jovem homofóbico de 15 anos com um passado criminoso. É engraçado, terno e despretensioso.

4-6. Morangos Silvestres, A Fonte da Donzela e Através de um Espelho (Ingmar Bergman, Suécia, 1957, 1960, 1961)

Para quem quiser conhecer a filmografia de Ingmar Bergman, há vários filmes disponíveis no Youtube. Há quem diga que o diretor sueco é inalcançável, metafísico demais, mas acredito que essa três obras são de fácil digestão. O primeiro é um road movie, no qual o intelectual octogenário interpretado por Victor Sjöström caminha na estrada da própria memória, encontrando personagens da sua existência, e constata que você pode levar uma vida plena de riqueza e sabedoria e, ainda assim, sair dela tão ignorante como entrou. O segundo é uma fábula no mesmo universo de O Sétimo Selo (1957), conta a história de uma menina, de pais cristãos fervorosos, que é estuprada por dois pastores. Esses, sem saber, acabam pedindo abrigo na casa dos pais dela. É bem perceptível na obra a descrença de Bergman pelo ser humano. O último faz parte da Trilogia do Silêncio, Harriet Andersson (estupenda) é uma mulher que começa a ter crises familiares por causa de problemas psicológicos durante umas férias em uma longínqua ilha na companhia do pai e irmão. Mostra o papel fundamental que o Pai (o humano e o celestial) tem nas nossas vidas, a ponto de que chegamos mesmo a confundi-los.

7. Tropa de Elite (José Padilha, Brasil, 2007)

Há alguém que ainda não assistiu? Fenômeno da cultura pop em 2007, faz um retrato cru do Rio de Janeiro, da corrupção sistêmica e do sinistro corpo policial carioca. Wagner Moura, eternizado como o Capitão Nascimento, repetiu o papel em 2010 por que as pessoas não o entenderam muito bem, glorificaram seu personagem sádico (e continuam glorificando, por vias tortas, até hoje) e foi preciso colocar os pingos nos is. Um dos filmes mais importantes do Brasil, merece ser revisto assim como sua continuação.

8-10. Cabra Marcado Para Morrer, Jogo de Cena e As Canções (Eduardo Coutinho, Brasil, 1984, 2007 e 2012).

O maior cineasta brasileiro morreu fatalmente em 2014, assassinado pelo próprio filho, em uma daquelas histórias que parecem ser contadas por algum personagem de suas obras. O primeiro é um filme sobre um filme interrompido em 1964 devido ao golpe militar, relembrado através das memórias da inacreditável Dona Elizabeth Teixeira. O segundo confunde nossos sentidos em uma brincadeira entre artifício e realidade, em que mulheres atendem um anúncio de jornal para contarem histórias de suas vidas, que serão interpretadas por Marília Pêra, Fernanda Torres e Andrea Beltrão, mas nada é assim como parece. No mesmo esquema de Jogo de cena, em As Canções os entrevistados contam uma história relacionada a uma canção que os marcou, após responderem um anúncio de jornal.

Playlist:

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