“A Esposa”: os ventos sopram a favor de Glenn Close

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Estreou nos cinemas brasileiros esta semana “A Esposa”, de Björn Runge, cineasta pouco conhecido fora das fronteiras de sua terra natal, a Suécia. O filme ganhou no último domingo (06), o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama para a magistral Glenn Close e pode finalmente dar-lhe o Oscar de Melhor Atriz. Nada mais justo, primeiro, porque Close está excepcional e segundo, porque ela merece a estatueta há umas boas décadas.

O filme em si é bem irregular. Na história, o famoso escritor Joe Castleman (Jonathan Pryce) e sua fiel esposa Joan (Close) viajam à Estocolmo para entrega do prêmio Nobel de Literatura, do qual ele foi agraciado. Desde o avião até a recepção do hotel, eles são perseguidos por um repórter, Nathaniel Bone (Christian Slater), que quer por que quer escrever a biografia do autor, mas sempre recebe não como resposta. Logo, começa a pairar no ar a suspeita de que Joe esteja escondendo algo. Até esse momento, a história caminha bem, mas se perde em um dramalhão exagerado após a revelação do tal segredo crucial que pode arruinar a vida do escritor e sua esposa. A melhor coisa do filme é mesmo Close que transita com maestria entre a esposa discreta e a mulher enigmática e resignada, reforçando sua fama de interpretar mulheres intrigantes.

A veterana atriz tem pelo menos dois papéis seminais na história do cinema: Alex Forrest de Atração Fatal (1987) e a Marquesa de Merteuil de Ligações Perigosas (1988) e, ainda, para alguns, a Cruela Devil de 101 Dálmatas (1996). Em Hollywood, porém, ela parece ser estar sempre à sombra, não de um marido como em A Esposa, mas de uma amiga, a diva Meryl Streep, que estourou mais ou menos na mesma época que ela e já tem três estatuetas na estante. “Eu sempre fui confundida com Meryl Streep, embora nunca na noite do Oscar”, ela brincou. Mas parece que esse ano os ventos sopram a seu favor finalmente, após seis indicações infrutíferas. Assim como Julianne Moore por Para Sempre Alice (2015) – vencedora por um filme que não é muito bem apreciado – ela é a veterana atriz acima de qualquer suspeita que não pode sair dessa vida sem um Oscar, até mesmo para não ficar feio para a própria Academia.

Ela está seguindo a carteira direitinho com o seu comovente discurso do Globo de Ouro, uma etapa importante para selar a vitória na corrida dourada. No palco, declarou, entre lágrimas: “Eu penso muito na minha mãe, ela sempre apoiou o meu pai em toda a sua vida e um dia virou-se para mim e disse que tinha a sensação de não ter realizado nada, mas não é verdade. Ao longo da minha vida e através da minha experiência, aprendi que nós, mulheres, fazemos muito mais do que apoiar os nossos maridos, filhos, e companheiros, é importante sentirmo-nos realizadas”. Pode parecer manjado para ganhar simpatia dos votantes, mas na voz de Glenn Close é lindo e verdadeiro.

Nota: 6/10

Trailer:

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Categorias:Cinema, Críticas

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