Os 20 melhores filmes de 2018

quiet-place-1518690156320.jpg

Como critério de escolha apenas filmes lançados comercialmente no Brasil em 2018.

20. O insulto (Ziad Doueiri, Líbano)

O iraniano Ashgar Farhadi fazendo escola no Oriente Médio. Assim como em seus filmes, O Insulto parte de um acontecimento banal entre dois indivíduos que acaba por desnudar todas as mazelas de um país, no caso o Líbano, que não sabe como lidar com o que se tornou.

19. Buscando (Aneesh Chaganty, Estados Unidos)

Não é mais original criar um filme todo em telas de computadores, tablets e smarthphones, mas até hoje é o melhor filme que já conseguiu segurar esse feito por duas horas.

18. Nasce uma estrela (Bradley Cooper, Estados Unidos)

Três versões anteriores (adoro a de 1954, com Judy Garland e James Mason) e outras enviesadas (como em O Artista e La La Land) nos fizeram perguntar se precisávamos ver de novo a velha história da estrela em ascendência e seu par decadente. Quer saber? Esqueça os preconceitos. Nasce Uma Estrela é uma pérola perfeitamente conduzida por Cooper, cujo centro gira em torno de uma Lady Gaga magnética. Por que gostamos tanto dessa história?

17. Em Pedaços (Faith Akin, Alemanha)

Três filmes em um: um drama, um filme de tribunal, um suspense de vingança. O que dá liga a eles? O desempenho monstruoso de Diane Kruger.

16. O animal cordial (Gabriela Almeida Amaral, Brasil)

Um terror slasher brasileiro com o nosso sinistro tecido social como pano de fundo. Crítica completa aqui.

15. Amante por um dia (Philippe Garrel, França)

Relacionamentos que formam um círculo na eterna ronda de Garrel pelo coração humano. Simples e tocante como seus predecessores O Ciúme e À Sombra de Duas Mulheres.

14. Roma (Alfonso Cuarón, México)

Por mais que tenha meus problemas com o filme, não há como negar que ele seja grandioso, mesmo na telinha do smartphone com o app da Netflix. Crítica completa aqui.

13. A forma da água (Guilhermo Del Toro, Estados Unidos)

O pior de se ganhar o Oscar de Melhor Filme é que a discussão a seu respeito começa girar em torno de comparações em relação aos que foram apenas indicados, relegando às vezes suas qualidades a segundo plano. Gosto muito da forma como Del Toro ofereceu aos “filmes de monstro” uma inesperada dignidade. O trabalho de câmera sempre em movimento como a forma da própria água é coisa linda.

12. Desobediência (Sebástian Lelio, Inglaterra)

Rachel McAdams (no seu melhor papel) sofre pela repressão imposta pela sua comunidade judaica ultraconservadora e não pode assumir seu amor por Rachel Weisz, a filha desgarrada do rabino. A tristeza e o desamparo – que não, não são curados pelo tempo – surgem como produtos da resignação em se encaixar no papel que a sociedade espera das pessoas.

11. Culpa (Gustav Möller, Dinamarca)

Volta e meia aparece aquele filme feito em um cenário só que deixa todo mundo boquiaberto por ser cinema em estado puro, mesmo negando um dos seus maiores princípios: o movimento. Exemplo: Locke, com Tom Hardy. Culpa, feito basicamente de ligações telefônicas, faz isso sublimemente.

10. Infiltrado na Klan (Spike Lee, Estados Unidos)

A inacreditável história real do policial negro que ridicularizou os supremacistas brancos nos anos 1970. Como todo filme de Lee, não é nada sutil em suas mensagens, mas é cheio de ginga e bom humor.

9. Um lugar silencioso (John Krasinski, Estados Unidos)

Um longa com cara de filme B, mas só cara mesmo por que é um senhor filme. Krasinski acerta tudo na direção e roteiro, criando primeiro a atmosfera para ambientação e segundo o suspense para gerar a apreensão. E Emily Blunt está um arraso, com destaque para angustiante sequência do prego na escada.

8. Sombras da vida (David Lowery, Estados Unidos)

O interesse de Lowery é contar a história de um fantasma, mas não fazer um filme de terror. Discute de forma melancólica a morte e o tempo, com longas cenas contemplativas e elipses temporais abruptas.

7. Eu, Tonya (Craig Gilespie, Estados Unidos)

Não esperava gostar tanto de Eu, Tonya, mas fui fisgado pelo kitsch da história real, pela edição – uma das melhores do ano, devidamente indicada ao Oscar – e pelas atuações arrasadoras de Margot Robbie, Alisson Janney e do injustiçado Sebastian Stan.

6. Sem amor (Andrey Zvyagintsev, Rússia)

Mais frio que as paisagens russas são os corações dos pais que, em processo de divórcio, devem se unir para encontrar o filho desaparecido durante uma briga. A cena que mostra o menino chorando atrás da porta ao saber do desprezo dos pais é capaz de tirar lágrimas de pedra.

5. Me chame pelo seu nome (Luca Guadagnino, Itália/Estados Unidos)

Um filme sem conflitos, por que é unicamente sobre descoberta, ao mesmo tempo da sexualidade e de um sentimento de amor mais elevado.

4. Trama Fantasma (Paul Thomas Anderson, Inglaterra/Estados Unidos)

O rigor estético de Anderson a serviço da história mais elegante do ano em um filme sobre bom gosto. Daniel Day-Lewis entoa aqui seu canto do cisne no cinema, mas é Vicky Krieps que costura a armadilha para criar esse romance fascinante e doentio.

3. Não Deixe Rastros (Debra Granik, Estados Unidos)

A ruptura de um micro-universo força pai e filha a ressignificarem sua própria cumplicidade. Crítica completa aqui.

2. Em Chamas (Chang-dong Lee, Coréia do Sul)

Suspense criado de degrau em degrau, trama à la Grande Gatsby e uma das cenas mais lindas do ano. Crítica completa aqui.

1.Arábia (João Dumas e Affonso Uchoa, Brasil)

Arrepiante. Não há outro adjetivo para definir Arábia. Na trama, André (Murilo Caliari) é um adolescente meio abandonado pelos pais que mora na Vila Operária de Ouro Preto, próximo a uma fábrica de alumínio. Um dia, ele encontra o diário de Cristiano (Aristides de Souza), um operário que sofreu um acidente no trabalho. Numa decisão ousada, os diretores transformam o longa, que aparentemente era de André, em um road movie que narra as andanças de Cristiano pelo interior do Brasil, pulando de emprego em emprego, sem rima ou significado, até parar na cidade que sofreu o acidente e passou por uma epifania existencialista, que questiona o sentido da vida do trabalhador no país dos patrões. É um dos filmes mais melancólicos e poéticos que já vi, nunca panfletário, sempre pertinente.

Anúncios


Categorias:Cinema, Listas

Tags:, , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: