Globo de Ouro: breves comentários sobre os filmes indicados

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A corrida de ouro que acaba apenas em fevereiro com o Oscar, começou o oficialmente com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro nesta quinta (06). Na lista, belas escolhas como Infiltrado na Klan e ausências sentidas como o maravilhoso First Reformed, de Paul Schrader. Abaixo, algumas considerações sobre os filmes indicados que já assisti:

Infiltrado na Klan (BlacKkKlansman), de Spike Lee.

Bom saber que com 30 anos de atraso – desde que tiveram que o engolir por Faça a Coisa Certa (1989) – as premiações finalmente começam a fazer justiça a Spike Lee. Infiltrado é realmente o seu melhor trabalho desde então.  O longa me ganhou logo no começo, quando toca Oh Happy Day para Ron Stallworth (John David Washington) receber a melhor notícia de sua vida: ele vai se tornar o primeiro policial negro da branquíssima Colorado Springs. É claro que não vai ser fácil sua adaptação no ambiente de racismo institucionalizado, mas, aos poucos, Ron vira o jogo ao conseguir atrapalhar com sucesso os planos de um atentado da filial local do Ku Klux Klan. Ao telefone com os radicais, ele se passa por um homem branco e com a ajuda de Flip Zimmerman (Adam Driver), o colega judeu que comparecia fisicamente nas reuniões se passando por Ron, ridicularizou os supremacistas brancos. Como todo filme de Lee, não é nada sutil em suas mensagens, mas é cheio de ginga e bom humor. Nota: 8/10

Indicações: Melhor Filme – Drama, Melhor Diretor, Melhor Ator – Drama (John David Washington) e Melhor Ator Coadjuvante (Adam Driver).

Pantera Negra (Black Panther), de Ryan Coogler.

Como já havia dito aqui, Pantera Negra quer ser mais que um filme de super-herói, mas falha. Incomoda-me muito, mas muito mesmo, o primeiro ato do filme, com todos os estereótipos clássicos da África, desde os figurinos ao sotaque risível dos atores não-africanos e o final, com todos os esteriótipos dos filmes de super-herói. O início quase me fez desistir, mas vai melhorando, especialmente com a entrada em cena do vilão interpretado por Michael B. Jordan para reivindicar o trono de Wakanda recentemente ocupado por T’Challa (Chadwick Boseman), suscitando questões importantes sobre geopolítica e construindo um bonito drama familiar sobre responsabilidade e lealdade. O desfecho é mais do mesmo. A indicação a melhor filme é importante para Marvel finalmente conseguir chegar ao topo dos Oscars. Nota 6/10.

Indicações: Melhor Filme – Drama, Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção.

Tully, de Jason Reitman.

Charlize Theron brilha no filme que reuniu a roteirista Diablo Cody e Reitman novamente. Serei eternamente grato a essa dupla por Juno (2007). Na trama, Theron é mãe estressada de três filhos que aceita uma babá contratada pelo irmão, a Tully do título (a encantadora Mackenzie Davis, que merecia uma indicação também) para ajudar a cuidar do filho recém-nascido. O roteiro tem alguns furos devido a um plot twist que não se enxerga vindo, mas que dá substância a trama. Eu relevo por que o resultado é fluido e cativante. Nota: 8/10.

Indicação: Melhor atriz em Comédia (Charlize Theron).

Um Lugar Silencioso (A Quiet Place), de John Krasinski.

Ironicamente o filme que depende da ausência de som para funcionar está indicado apenas em trilha sonora. Talvez seja preconceito do Globo de Ouro com filmes de terror, ainda mais um com cara de filme B como esse (só cara mesmo por que é um senhor filme), mas acho que merecia mais lembranças na lista. Krasinski acerta tudo na direção e roteiro, criando primeiro a atmosfera para ambientação e segundo o suspense para gerar a apreensão. E Emily Blunt está um arraso, com destaque para angustiante sequência do prego na escada. Nota: 8.5/10.

Indicação: Melhor Trilha Sonora

Ilha dos Cachorros (Isle of Dogs), de Wes Anderson

Anderson está na lista de cineastas que respeito muito pela originalidade e estilo único, mas nunca me empolgo com seus filmes. Não há o que reclamar de Ilha dos Cachorros, até o orientalismo suscitado pela geração buzzfeediana está longe de ser ofensivo, funciona como homenagem às referências do Japão que o cineasta colecionou durante a vida. Aliás, por falar no diretor, recomendo a página do Instagram “Accidently Wes Anderson”, com fotografias de lugares reais que poderiam ser cenários de seus filmes. Nota: 6/10

Indicações: Melhor Filme de Animação e Melhor Trilha Sonora.

Os Incríveis 2 (Incredibles 2), de Brad Bird.

Tão desnecessário quanto Procurando Dory (2016). A velha história de troca de papéis, com o Sr. Incrível cuidando da casa e a Mulher-Elástico salvando o mundo, quer parecer antenada com os dias atuais, mas é tão batida. Edna Mode – apenas mais um ponto positivo do excelente primeiro filme – salva essa sequência junto com Zezé, o bebê com dezenas de super poderes que arranca boas gargalhadas. Saudades de quando a Pixar lançava obras originais e nos deixava sem chão nos bons tempos de Rattatouille e Wall-E. Nota: 4/10

Indicação: Melhor Filme de Animação

Podres de Ricos (Crazy Rich Asians), de Jon Chu.

Esta comédia romântica contemporânea, baseada em um best-seller mundial, segue a nova-iorquina Rachel Chu (Constance Wu), conhecendo a família de seu namorado em Singapura. O destaque fica para a trilha sonora deliciosa que, dentre outras, tem a versão singapurense de Material Girl de Madonna. A música concorre ao lado da versão chinesa de Take My Breath Away em Conflito Mortal (1988), de Kar-Wai Wong, como melhor adaptação de um sucesso pop dos anos 80 em um filme oriental. É a típica comédia romântica, com elenco todo asiático. Simpática e divertida por duas horas, requisitos mínimos que esperamos desse gênero. Nota: 7/10

Indicações: Melhor Filme em Comédia e Melhor Atriz em Comédia (Constance Wu).

A Esposa (The Wife), de Björn Runge.

Será esse o filme que finalmente dará o Oscar a Glenn Close? Acho-o bem irregular, mas Close, assim como Spike Lee, merece a estatueta há uns bons anos. Por mim, ela já teria duas por Atração Fatal e Ligações Perigosas, lá nos anos 80. A história do longa acompanha um famoso escritor (Jonathan Pryce) e sua fiel esposa (Glenn Close) na entrega do prêmio Nobel de Literatura em Estocolmo. Eles são perseguidos por um repórter (Christian Slater) que quer por que quer escrever a biografia do autor, mas sempre recebe não como resposta. Até esse momento, a história caminha bem, mas se perde em um dramalhão exagerado após a revelação de um segredo crucial que pode arruinar a vida do escritor. A melhor coisa do filme é mesmo Close como a esposa discreta, ressentida e enigmática. Será que ela consegue peitar Lady Gaga? Aguardemos… Nota 6/10

Indicação: Melhor Atriz em Drama (Glenn Close)

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Categorias:Cinema, Críticas

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