100 filmes que não trocaria pela companhia de ninguém – Parte 3/4

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Como desafio me propus a fazer uma lista dos meus 100 Melhores Filmes e escrever ao menos algumas linhas para justificar a escolha. Veja bem, é algo bem pessoal, mas muitas vezes meu gosto coincide com muitas listas de melhores por aí. Eu sei que algumas pessoas considerariam algumas ausências indecentes, mas dei preferência para aqueles filmes que fazem meu coração bater mais forte ou me pegam de jeito no quesito de identificação filosófica e moral, mesmo sabendo que há clássicos atemporais que são “melhores”.

Tentei representar todos os diretores que eu gosto, porém, é humanamente impossível escolher só um filme de Woody Allen (5), Ingmar Bergman (4), Quentin Tarantino (2), Mike Nichols (3) François Truffaut (2), Irmãos Dardenne (2), Robert Zemeckis (2), Ridley Scott (2), Agshar Farhadi (2), Richard Linklater (2), George Roy Hill (2), Alfred Hitchcock (3) e Luis Buñuel (2). Sem mais delongas, vamos para a primeira parte do especial com os filmes que ocupam as posições de 11 a 39, em ordem decrescente:

39. Rebeldia Indomável (Stuart Rosenberg, EUA, 1967)

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Lançado nos anos 1960, a década da rebeldia, apresenta um protagonista de espírito livre, preso por um crime quase irrelevante, que sofre uma punição desproporcionalmente opressora e fará de tudo para se livrar dela. Há uma cena que resume o filme para mim, na qual Luke é desafiado a comer 50 ovos de uma vez só e consegue realizar a proeza. Após o feito, ele é deixado pelos outros prisioneiros em cima da mesa de madeira em uma posição em forma de cruz. Sim, é uma metáfora explícita para a crucificação de Jesus Cristo. Luke é, portanto, para os outros prisioneiros um símbolo de libertação e uma grande ameaça para o sistema, pelo simples fato de ser autêntico, franco e compreensível.

38.Curtindo a Vida Adoidado (John Hughes, EUA, 1986)

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Ferris Bueler cantando “Twist and Shout” dos Beatles virou símbolo da sessão da tarde e a cena mais lembrada do amado clássico dos anos 80. É realmente difícil assistir a esta cena sem, no mínimo, dá uma mexidinha nos ombros. Feito logo  após o sensacional Clube dos Cinco, o  filme é a consolidação de John Hughes como parâmetro para filmes adolescentes por ter os compreendido tão livre de julgamentos.

37. O Discreto Charme da Burguesia (Luis Buñuel, França, 1972)

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Pobres burgueses que só queriam jantar, mas nunca conseguem. Um absurdo de comédia.

36. Morangos Silvestres (Ingmar Bergman, Suécia, 1957)

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O intelectual octogenário interpretado por Victor Sjöström caminha na estrada da própria memória. É bergmaniana a sua constatação de que você pode levar uma vida plena de riqueza e sabedoria e, ainda assim, sair dela tão ignorante como entrou. 

35. Noites de Cabíria (Federico Fellini, Itália, 1957)

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No final desta pérola da primeira fase de Fellini, a prostituta Cabíria (a magnífica Giulietta Masina) olha chorando e sorrindo para a câmera e se une a Monika (de Monika e o Desejo) e  Antoine Doinel (de Os Incompreendidos) no trio que melhor derrubou a quarta parede do cinema.

34. O Anjo Exterminador (Luis Buñuel, Espanha/México, 1950)

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Não sei se foi o Gil de Meia-Noite em Paris que deu a idéia a Buñuel, mas a sacada de reunir convidados de um jantar que não conseguem deixar a sala onde estão sem razão aparente é uma das mais brilhantes da sétima arte. O desenvolvimento no qual caem as aparências, a dignidade humana e, por fim, a própria humanidade, tornam esta incursão do diretor no México uma obra-prima.

33. Sindicato de Ladrões (Elia Kazan, EUA, 1954)

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Marlon Brando na maior interpretação masculina do cinema.

32. Se Meu Apartamento Falasse (Billy Wilder, EUA, 1960)

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O roteiro lapidado até a última vírgula por Wilder para não deixar opção de não se encantar. Shirley McLane e Jack Lemmon sensacionais.

31. A Separação (Asghar Farhadi, Irã, 2011)

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Em todos os seus filmes, a partir de um conflito casual, Farhadi bombardeia nossa alma com embates humanos trágicos. À grandes intérpretes são entregues dilemas morais que exigem respostas imediatas e acabam por revelar atitudes que os próprios desconheciam de si mesmos como em A Separação, no qual um pequeno acidente desencadeia conflitos bem maiores que abrangem a cultura inteira de um país.

30. A Felicidade Não Se Compra (Frank Capra, EUA, 1946)

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De modo geral, este filme é uma injeção de ânimo para qualquer um, capaz de abrir um sorriso sincero no mais cínico dos seres. São Frank Capra e James Stewart, dois dos melhores humanos.

29. A Malvada (Joseph L. Mankiewicz, EUA, 1950)

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O mote mais copiado em dramalhões justamente por ser o que todo melodrama gostaria de ser.

28. Casablanca (Michael Curtiz, EUA, 1942)

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Basta dizer que queria ser tão cool como Humphrey Bogart ou ser ele na verdade. E Ingrid Bergman, meu deus, resistir a ela neste filme é como Ulisses tentando resistir ao canto das sereias. Ademais, é um filme cujas falas mais famosas viraram ditado no meu cotidiano.

27. Aurora (F.W. Murnau, EUA, 1927)

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O filme mais antigo da lista e um dos mais belos também.  Acima de tudo, um poderoso conto de amor e redenção.

26. Uma Rua Chamada Pecado (Elia Kazan, EUA, 1951)

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O embate do cinema entre realismo e fantasia personificado na figura de Marlon Brando e Vivien Leigh, dois cometas de universos diferentes.

25. Quanto Mais Quente Melhor (Billy Wilder, EUA, 1959)

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Se ninguém é perfeito, explique Billy Wilder.

24. Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, EUA, 2009)

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Em Ser ou Não Ser, de 1942, Ernst Lubitsch já havia usado a arte para reinventar a história em plena 2ª Guerra Mundial. Sete décadas depois, Tarantino repetiu o feito. Vale a pena conferir os dois filmes por que enfrentar o totalitarismo na arte pode até não ser muito efetivo, mas é tão catártico.

23. Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, EUA, 1950)

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Quando queria abalar as estruturas, Billy Wilder não deixava pedra sobre pedra. Foi assim que ele destruiu o jornalismo sensacionalista em A Montanha dos Sete Abutres e, apenas um ano antes, expôs a crueldade da indústria de Hollywood ao levar à loucura a estrela das estrelas, Norma Desmond.

22. Um dia de Cão (Sidney Lumet, EUA, 1975)

21

Acostumados com os pistoleiros do faroeste, o público recebeu nos anos 70 um filme de assalto cru e contemporâneo. Ao mesmo tempo diverte e nos deixa abalado.

21. Bonnie e Clyde (Arthur Penn, EUA, 1967)

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O divisor de águas da história de Hollywood. Um filmão repleto de ação, reflexão, humor e sangue, muito sangue.

20. Pulp Fiction (Quentin Tarantino, EUA, 1994)

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Um filme não-linear que nunca perde o sentido. Tarantino já declarou que não pensa em subtextos enquanto escreve seus roteiros, então esqueça sensações e interpretações, é estilo, é exibição, e divirta-se.

19. Três Homens em Conflito (Sergio Leone, Itália, 1966)

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O duelo final entre o Bom, o Mau e o Feio não fica nada atrás de qualquer arte coreografada. A trilha sonora de Enio Morricone é um estrondo. A obra-prima de Leone, na verdade, é Era Uma Vez no Oeste, excelente também, mas prefiro este aqui.

18. Forrest Gump (Robert Zemeckis, EUA, 1994)

17

Filme de memória emocional, por ter assistido tantas vezes na infância. Revisto como adulto continua um primor. Salve Tom Hanks!

17. Um Homem, Uma Mulher (Claude Lelouch, França, 1966)

16

Alguns anos antes da nouvelle vague francesa, Lelouch já havia lançado Um Homem, Uma Mulher, produzido na raça com recursos limitados, o que causou uma alternância esquisita nas cores do filme. A meu ver, as cores são um charme assim como são charmosos Anouk Aimeé e Jean-Louis Trintignant nesta história de amor tocante e divertida. A trilha sonora com músicas brasileiras é uma graça também.

16. Tempos Modernos (Charles Chaplin, EUA, 1936)

8

Clássico mais visto nas aulas de história do ensino fundamental. Chaplin, como todo gênio, conseguiu analisar o passado e prever o futuro, tornando o filme imortal.

15. Os 12 Macacos (Terry Gilliam, EUA, 1995)

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Tenho um fraco por viagens no tempo, ainda mais quando é bem escrita como nesta ficção científica. Tecnicamente irrepreensível, com Brad Pitt no seu melhor papel.

14. 12 Homens e uma Sentença (Sidney Lumet, EUA, 1957)

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Para salvar uma vida de uma possível injustiça, o gigante Henry Fonda enfrenta onze homens famintos. Um cenário e uma dúvida bastaram para fazer desse filme uma obra-prima.

13. Amor à Flor da Pele (Kar-Wai Wong, Hong Kong, 2001)

6

O melhor filme de amor não consumado do cinema e o ápice da estilização de Wong. Na história, dois vizinhos (os sublimes Tony Leung e Maggie Cheung), formam um forte vínculo depois de suspeitar de atividades extraconjugais de seus respectivos cônjuges. No entanto, eles concordam em manter seu vínculo platônico para não cometer erros semelhantes. Não bastasse essa escolha dolorosa, a trilha sonora com Nat King Cole cantando a sugestiva “Quizas, quizas, quizas” e as cenas na chuva tornam a experiência mais desencantadora ainda.

12. Janela Indiscreta (Alfred Hitchcock, EUA, 1954)

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Existe todo um prequel de Janela Indiscreta apenas nos primeiros minutos de filme, com a câmera de Hitchcock passeando pela casa de James Stewart. O filme é uma metáfora para a própria experiência audiovisual, com Stewart observando a vida dos vizinhos pela sua janela tal qual a gente em frente de qualquer tela.

11. Amores Brutos (Alejando G. Iñarritu, México, 2000)

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O primeiro e até hoje melhor filme de Iñarritu. A história de três personagens que tem sua vida modificada (ou destruída) após um acidente. O final em tons negros dá uma desesperança.

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Amanhã, a última parte, com o Top 10!

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