100 filmes que não trocaria pela companhia de ninguém – Parte 2/4

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Como desafio me propus a fazer uma lista dos meus 100 Melhores Filmes e escrever ao menos algumas linhas para justificar a escolha. Veja bem, é algo bem pessoal, mas muitas vezes meu gosto coincide com muitas listas de melhores por aí. Eu sei que algumas pessoas considerariam algumas ausências indecentes, mas dei preferência para aqueles filmes que fazem meu coração bater mais forte ou me pegam de jeito no quesito de identificação filosófica e moral, mesmo sabendo que há clássicos atemporais que são “melhores”.

Tentei representar todos os diretores que eu gosto, porém, é humanamente impossível escolher só um filme de Woody Allen (5), Ingmar Bergman (4), Quentin Tarantino (2), Mike Nichols (3) François Truffaut (2), Irmãos Dardenne (2), Robert Zemeckis (2), Ridley Scott (2), Agshar Farhadi (2), Richard Linklater (2), George Roy Hill (2), Alfred Hitchcock (3) e Luis Buñuel (2). Sem mais delongas, vamos para a primeira parte do especial com os filmes que ocupam as posições de 40 a 69, em ordem decrescente:

69. A Fronteira da Alvorada (Philippe Garrel, França, 2008)

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É um romance exagerado mesmo, do tipo “sem você eu não vivo”, que tende a desaparecer das telas nestes tempos cínicos que tomam conta do cinema, no qual está ultrapassado ser muito passional. Como se trata do mais puro ouro de Garrel, é contemplativo e melancólico, com toques sobrenaturais. Crítica completa aqui.

68. A Professora de Piano (Michael Haneke, França/Áustria, 2001)

67

Isabelle Huppert doentia e niilista no melhor filme de Michael Haneke.

67. A Criança (Jean-Pierre e Luc Dardenne, Bélgica, 2005)

66

O título deste filme é simples e genial: todos os personagens são imaturos a ponto de merecê-lo. A premissa assustadora da história serve de base para mostrar o amadurecimento gradual do jovem casal até a cena final catártica e redentora.

66. Psicose (Alfred Hitchcock, EUA, 1960)

65

Hitchcock dividiu Psicose em duas metades distintas e bem fluídas e quebrou os paradigmas do cinema. E ainda criou na cena das facadas no chuveiro uma das sequências que definem a palavra cinema.

65. Ladrões de Bicicleta (Vittorio de Sica, Itália, 1948)

64

Na Itália pós-guerra, o cinema exigiu o neo-realismo. De Sica também quebrou paradigmas ao contratar atores não-profissionais e criar uma das histórias mais dolorosas que já se viu.

64. Taxi Driver (Martin Scorsese, EUA, 1976)

63

O perturbado motorista de táxi interpretado por Robert De Niro, que acidentalmente virou herói, dirigindo por Nova York acompanhado da arrasadora música de Bernard Herrman compõe o quadro da minha obra-prima favorita de Scorsese.

63. A Noite Americana (François Truffaut, França, 1973)

62

O filme mais metalingüístico já feito desvenda os segredos e detalhes nada glamorosos de produção de um filme, mas nos mostra que na verdade a grande arte em se fazer um filme está no espaço para improvisação, na força que move o cineasta para entregar seu produto e nos relacionamentos quase sempre cordiais entre a equipe, que não por acaso conferem ao cinema o status de ser “a arte coletiva”. Crítica completa aqui.

62. A Rosa Púrpura do Cairo (Woody Allen, EUA, 1985)

61

Allen, com sua desiludida visão das coisas, faz o impossível: mescla dois mundos – o real e o ficcional – apenas para desmistificar o retrato idealizado que temos da vida.

61. Blade Runner (Ridley Scott, EUA, 1982)

60

Elenco marcante, com destaque para Rutger Hauer (desculpa, Harisson Ford), fotografia, a trilha do Vangelis, o ambiente futurístico dos anos 1980, a decadência urbana, a chuva e os enigmas convergem para tornar o segundo melhor filme de Ridley Scott uma obra-prima da ficção científica.

60. O Bebê de Rosemary (Roman Polanski, EUA, 1968)

59

O ocultismo brilhantemente inserido em um drama real. Polanski nos mostra que o horror começa mesmo quando algum vizinho entra em sua casa sem ser convidado.

59. Feitiço do Tempo (Harold Ramis, EUA, 1993)

58

Qual é o seu 02 de fevereiro? O seu dia da marmota? O dia em que você ficou preso? Que sua vida parou? Que você entrou numa rotina exaustiva e parece não conseguir mais se movimentar? Todo mundo tem esse dia, poucos como o Bill Murray conseguem sair dele.

58. De Volta Para o Futuro (Robert Zemeckis, EUA, 1985)

57

No delírio do espaço-tempo, Martin McFly entrou em um DeLoreon e alterou a realidade paralela da cultura pop.

57. Cantando na Chuva (Stanley Donen e Gene Kelly, EUA, 1952)

56

Gene Kelly de tão apaixonado não se importa com nada e extravasa sapateando nas poças d’água e entoando “Signing in the rain” em uma das cenas que assim como a cena do chuveiro em Psicose definem o próprio cinema. Além de tudo, o musical é uma aula de história.

56. As Vinhas da Ira (John Ford, EUA, 1940)

55

O road movie da desolação. A Ma de Jane Darwell se olhando no espelho, a cena iluminada apenas com velas e o discurso humanista de Henry Fonda no final estão entre os meus momentos preferidos do cinema.

55. Cenas de um Casamento (Ingmar Bergman, Suécia, 1973)

54

A trajetória conturbada de dois amantes, analfabetos emocionais, que deveria acabar no divórcio (mas a vida não é tão simples assim) brilhantemente dirigida por Bergman. A minissérie que originou o filme é mais ampla e vale a pena ser assistida, mas a versão para o cinema dá conta do recado, sem ser simplesmente um resumo.

54. Faça a Coisa Certa (Spike Lee, EUA, 1989)

53

O filme que colocou Lee no mapa concentra-se quase na sua totalidade em criar um mosaico de vários personagens de um bairro do Brooklyn com suas pequenas crônicas do cotidiano. Negros, latinos, brancos, italianos e sul-coreanos vivem numa harmonia tensa, na qual os insultos raciais, que vem de todos os lados e são rebatidos com a mesma intensidade parecem o mal necessário para se manter a paz até o final explosivo. Crítica completa aqui.

53. Procurando Elly (Asghar Farhadi, Irã, 2009)

52

Os conflitos internos do grupo de amigos deste filme são universais, somados a eles há o medo trazido pela realidade de um país mulçumano, no qual as consequências do desaparecimento de uma mulher atinge tons surreais para a gente que está assistindo no ocidente. O roteiro de Farhadi que constrói a narrativa em notas cada vez mais exasperantes é um primor.

52. Frances Ha (Noah Baumbach, EUA, 2012)

51

Muita gente na faixa dos 25-30 anos se identifica com Frances (maravilhosamente interpretada por Greta Gerwig). O sentimento de não ser mais tão jovem é angustiante tanto quanto o de não se sentir adulto, apesar de já o ser. Os movimentos na vida pessoal e profissional que tentamos provocar nessa fase muitas vezes nos levam a lugar nenhum, ou pela própria inexperiência de vida, nos levam por caminhos frustrantes, que não eram bem o que imaginávamos. 

51. O Enigma de Outro Mundo (John Carpenter, EUA, 1982)

50

Tão bem montado que as quase duas horas parecem 15 minutos. Poderia assistir todo dia.

50. O Assalto ao Trem Pagador (Roberto Farias, Brasil, 1962)

49

Quiçá o melhor filme brasileiro.O assalto do título é resolvido em poucos minutos seguido por uma bem arquitetada trama policial que culmina num devastador drama social.

49. A Vida de Brian (Terry Jones, Reino Unido, 1979)

48

Monty Python faz paródia de Jesus Cristo sem dó nem piedade, com direito até a naves espaciais. O que adoro no filme é a crítica à estupidez das religiões, que cegam e fanatizam, o que impede o verdadeiro crescimento espiritual  das pessoas.

48. 2001 – Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick, EUA, 1968)

47

Obra de arte (de qualquer arte) que elevou a ficção científica aos padrões mais altos do cinema. Nem sei explicar o que eu vi, mas a sensação de êxtase ao assisti-lo ninguém pode tirar de mim.

47. A Primeira Noite de um Homem (Mike Nichols, EUA, 1967)

46

Na última cena, Nichols eleva uma comédia romântica a um drama existencial outrora apenas desenhado. Nunca esquecerei o olhar de desamparo de Dustin Hoffman e Katharine Ross.

46. Alien, o Oitavo Passageiro (Ridley Scott, EUA, 1979)

45

O melhor filme de Ridley Scott, além de ser o filme mais claustrofóbico de todos os tempos.

45. Tudo Sobre Minha Mãe (Pedro Almodóvar, Espanha, 1999)

42

O ápice e a síntese do universo almodovariano.

44. Festa de Família (Thomas Vintenberg, Dinamarca, 1998)

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O aniversário de 60 anos do matriarca de uma família é abalado com uma revelação perturbadora sobre o pai. Um espiral de loucura toma conta da família, que lutará insanamente para manter as aparências. Desculpa, Lars Von Trier, mas esse é o melhor filme do Dogma 95.

43. Antes do Amanhecer (Richard Linklater, EUA, 1995)

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Representando toda trilogia do Antes. Muita gente acha tedioso uma história com apenas duas pessoas andando e conversando, mas, a meu ver, ela oferece uma sensação de contentamento. Saiba o porquê neste texto aqui.

42. Quem tem medo de Virgínia Woolf? (Mike Nichols, EUA, 1966)

41

Coisa rara, Nichols fez seu melhor filme logo na estreia.Tenho medo, na verdade, é de Elizabeth Taylor, este furacão.

41. Um Sonho de Liberdade (Frank Darabont, EUA, 1994)

40

A melhor sequência de fuga da história ou o filme inteiro seria sobre a fuga mais silenciosa que já existiu? Não li o conto original de Stephen King, mas dizem que Darabont fez miséria e criou um dos melhores roteiros do cinema. Não à toa, figura há anos como melhor filme de todos os tempos no IMDB.

40. Zelig (Woody Allen, EUA, 1983)

39

O ápice da originalidade de Allen foi atingido em Zelig, no qual o personagem-título se torna célebre por conseguir se transformar em que quisesse, um verdadeiro “homem-camaleão”. Tece uma crítica mordaz à cultura da imagem do século XX e a necessidade tipicamente americana de ser sempre um vencedor, nem que para isso precise inventar ou adaptar sua identidade.

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Categorias:Cinema, Listas

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