100 filmes que eu não trocaria pela companhia de ninguém – Parte 1

Como desafio me propus a fazer uma lista dos meus 100 Melhores Filmes e escrever ao menos algumas linhas para justificar a escolha. Veja bem, é algo bem pessoal, mas muitas vezes nossos gostos coincidem com muitas listas por aí. Eu sei que algumas pessoas considerariam algumas ausências indecentes, mas dei preferência para aqueles filmes que fazem meu coração bater mais forte ou me pegam de jeito no quesito de identificação filosófica e moral, mesmo sabendo que há clássicos atemporais que são “melhores”.

Tentei representar todos os diretores que eu gosto com um longa-metragem, porém, é humanamente impossível escolher só um filme de Woody Allen, Ingmar Bergman, Quentin Tarantino, François Truffaut, Irmãos Dardenne, Robert Zemeckis, Ridley Scott, Richard Linklater, Agshar Farhadi e Luis Buñuel. Não inclui documentários e curta-metragens, para facilitar minha vida. Sem mais delongas, vamos para a primeira parte do especial, com os filmes que ocupam as posições de 70 a 100, em ordem decrescente:

100. Onibaba, o Sexo Diabólico (Kaneto Shindô, Japão, 1964)

100

Um conto perverso sobre a decadência moral. A máscara que de tão grudada na cara  se torna impossível de tirar.

99. Golpe de Mestre (George Roy Hill, EUA, 1973)

98

Confuso e sagaz como um jogo de cartas, com uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos.

98. Clube da Luta (David Fincher, EUA, 1999)

97

Nós somos a merda ambulante do mundo. Muito mais que pancadaria, o longa de Fincher é essencialmente um recado para nossa sociedade doente, com indivíduos psicóticos, desprovida de valores humanos, após décadas de capitalismo desenfreado.

97. Oh, Boy (Jan Ole Gester, Alemanha, 2012)

96

Filme simples, mas pungente, sobre pessoas que simplesmente vão deixando de sorrir conforme vão envelhecendo. De gente perdida para gente perdida.

96. Incêndios (Dennis Villeneuve, Canadá, 2010)

95

Uma narrativa sobre conflito de culturas meticulosamente construída para nos deixar boquiaberto ao final. Comigo funcionou.

95. Paris, Texas (Wim Wenders, EUA/Alemanha, 1984)

94

Inebriante, melancólico e magnético assim como Nastassja Kinski em cor-de-rosa. A obra-prima de Wim Wenders.

94. Memórias (Woody Allen, EUA, 1980)

93

Esteticamente, o filme mais bonito e criativo de Woody Allen, o que significa muito vindo de um autor mais reconhecido pela palavra do que pela direção.

93. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Michel Gondry, EUA/França, 2004)

Film Five Most

Jim Carrey e Kate Winslet arrasam como o desesperado Joel e a volúvel Clementine. Direção e montagem perfeitas.

92. Desejo e Reparação (Joe Wright, UK, 2007)

91

Muito mais que arte imitando a vida, a arte reescrevendo a vida.

91. Boyhood (Richard Linklater, EUA, 2014)

A audácia de Linklater deu certo. 12 anos que representam no cinema toda uma geração.

90. Estamos Bem Mesmo Sem Você (Kim Rossi Stuart, Itália, 2006)

89

Pai e Mãe. Como viver com eles? E pior, como viver sem um deles? Conto familiar italiano simples e fluído.

89. Oldboy (Chan-wook Park, Coréia do Sul, 2003)

88

Fiquei em dúvida entre este, A Criada (2016), O Hospedeiro (2006) e Invasão Zumbi (2016) para representar este lado insano do cinema sul-coreano. Fico com Oldboy, ainda hoje um dos filmes mais originais já feitos.

88. As Chaves de Casa (Gianni Amelio, Itália, 2004)

87

Melodramático sem apelar para o sentimentalismo barato e o happy end. Repare na brasileira Virginia Rodrigues cantando “Deus do Fogo e da Justiça” nos créditos finais.

87. Irreversível (Gaspar Noé, França, 2002)

86

Há quem diga que a violência explícita do filme é gratuita, mas o acho genial. A cena de estupro de quase 10 minutos é revoltante, nojenta e torturante. A montagem de trás para frente mostra o caminho inverso da infelicidade para a felicidade. Nos entristece justamente por que captura os momentos de tempestade antes de mostrar os de bonança. 

86. Andando (Hirokazu Koreeda, Japão, 2008)

85

A família Yokoyama tem hábitos simples e emoções complexas. Koreeda sabe como ninguém como pintar um quadro destes na tela.

85. O Garoto da Bicicleta (Jean-Luc e Pierre Dardenne, Bélgica, 2011)

84

Sempre me comove a doação inexplicável da cabeleireira pelo garoto, a expiação do menino no final e o Jérémie Renier como pai relapso do garoto – num “diálogo” com A Criança. O humanismo dos diretores, que defendem que o altruísmo pode salvar a sociedade de seu cego egoísmo, está muito claro aqui.

84. Azul é a cor mais quente (Abdellatif Kechiche, França, 2013)

83

Os amores líquidos em um filme líquido. A vontade que dá é de ficar acompanhando a carismática Adele durante toda a vida dela.

83. Closer (Mike Nichols, EUA, 2004)

82

Natalie Portman e Jude Law caminhando em direção um ao outro, ao som de The Blower’s Daughter, de Damien Rice, nos compelem a pensar que veremos um grande romance à frente. O atropelamento, no entanto, encerra a magia e, assim como a jovem Alice, entenderemos como o amor pode ser um tombo. Personagens ao mesmo tempo passionais e desesperadas, pateticamente humanas.

82. Toy Story 3 (Lee Unkirch, EUA, 2010)

81

Este aqui representa toda a excelente trilogia (futura quadrilogia) da Pixar. Não é um filme para crianças, aquele final chega a ser quase desumano.

81. A Mulher da Areia (Hiroshi Teshigahara, Japão, 1964)

80

Filme exasperante. Ao final, você sente todo seu corpo coberto de suor e areia.

80. Sonata de Outono (Ingmar Bergman, Suécia, 1978)

79

Liv Ullman observando Ingrid Bergman tocar piano num misto de amor, ressentimento e inveja. Sem mais.

79. Orgulho e Preconceito (Joe Wright, UK, 2004)

78

Delícia de filme. Um dos melhores romances do cinema. Vale ver também a adaptação em formato de minissérie televisiva de 1995, para quem precisa de mais horas com Elizabeth e Mr. Darcy.

78. O Indomado (Martin Ritt, EUA, 1963)

77

O conflito entre o velho e o novo, a tradição e o progresso, a moral e a degeneração representado na relação entre pai e filho. Paul Newman como o vil e amargo Hud Bannon em um dos seus papéis mais icônicos.

77. Jogo de Cena (Eduardo Coutinho, Brasil, 2007)

Marília Pêra no documentário Jogo de Cena

Coutinho, o maior cineasta brasileiro, confunde nossos sentidos nessa brincadeira entre artifício e realidade.

76. Interlúdio (Alfred Hitchcock, EUA, 1946)

75

O charme de Cary Grant e Ingrid Bergman e do Rio de Janeiro nos anos 1940 seriam o bastante para se enlevar com Interlúdio, mas é Hitchcock, ou seja, é suspense de primeira com movimentos de câmera geniais e um macguffin sensacional.

75. Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman, Suécia, 1972)

74

Os deslumbrantes cenários vermelhos nesta história  – essencialmente feminina – para representar o interior das mulheres é só uma das genialidades deste Bergman.

74. Encontros e Desencontros (Sofia Coppola, EUA, 2003)

73

Uma vez no Japão o amor venceu o tédio.

73. Pecados Íntimos (Todd Field, EUA, 2006)

72

Um dos melhores filmes com narrador onisciente. História ao mesmo tempo ácida e sensual.

72. Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Katia Lund, Brasil, 2002)

71

Ah, esse planeta chamado Brasil. Filme de pólos, que ao mesmo tempo nos envergonha e nos orgulha. Artística e tecnicamente primoroso.

71. A Montanha dos Sete Abutres (Billy Wilder, EUA, 1951)

70

O melhor “filme de jornalista” do atemporal Billy Wilder. Crítica completa aqui.

70. O Exorcista (William Friedklin, EUA, 1973)

69

Um dos melhores filmes do gênero… drama familiar.


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