Mini-críticas de três filmes aleatórios: Raul, Cage e Michael

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  1. Raul: O Início, o Fim e o Meio (Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel, Brasil, 2011)

Era de se esperar que o documentário Raul – O início, o Fim e o Meio (2012) seguisse o espírito doidão do seu objeto de estudo: Raul Seixas. Os diretores Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel optam, porém, pela racionalidade ao negar o próprio título do filme e contar em ordem cronológica a trajetória do maluco beleza. Parafraseando o próprio cantor, eles traem a si mesmo?  Não necessariamente. O material reunido pelos dois é um verdadeiro deleite para qualquer fã. É uma pena que na ânsia de abranger o máximo possível a vida do cantor, o filme se estende demais em momentos desnecessários como Pedro Bial destruindo “Tu és o MDC da minha vida” e a constrangedora apresentação ao lado de Marcelo Nova no Domingão do Faustão. Esta falta de apuro pesa na balança do documentário, mas nada que a genial “Canção para minha morte” não consiga redimir ao final.

Nota: 8/10

Filme completo no Youtube:

2. Despedida em Las Vegas (Mike Figgis, EUA, 1995)

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Despedida em Las Vegas foi um dos primeiros “filmes sérios” que eu assisti (em VHS ainda!). Fiquei impressionado positivamente na época com a história do roteirista alcoólatra que se apaixona por uma prostituta, mas hoje vejo que foi mais um susto por assistir um filme assim tão adulto. Sim, a atuação de Nicolas Cage, a piada pronta de Hollywood hoje em dia, mereceu o Oscar, mas agora percebi a fragilidade de Elisabeth Shue, que tanto me impressionou na primeira vez. O roteiro não ajuda a sua personagem, que precisa lidar com o cafetão estereotipado de Julian Sanders num clichêzão de “filmes de prostituta”. A meu ver, as consultas dela ao psicólogo, que nunca aparece em tela, por si só imprimem a densidade necessária para a construção da personagem.

Se Mike Figgis pesa a mão no roteiro, acerta na direção ao manter a atmosfera inebriante. Interessante olhar o fundo das cenas na Las Vegas Boulevard, onde sempre existe algum elemento que nos parece deslocado (freiras distribuindo panfletos, um casal de noivos perambulando tranquilamente), que reforça o imaginário de uma cidade louca em neon.  A trilha sonora cheia de trompetes, saxofones e bossa nova contribui para criar o climão melancólico do filme. Um filme cheio de acertos cujo maior erro é estar preso em 1995.

Nota: 6/10

Trailer:

3. Michael (Markus Schleinzer, Aústria, 2011)

Mesmo quando sugere mais do que mostra, o tema delicado da pedofilia sempre embrulha o estômago. Na história deste filme lançado em 2011, Michael (Michael Fuith) é um corretor de seguros. Para os colegas de trabalho, é o funcionário irritantemente competente que lhes rouba a vaga de gerente na firma. Para a família, é aquele que passa o Natal sozinho, um enigma, que finge ter uma namorada na Alemanha, mas que ninguém nunca viu. Para os amigos – se é que se pode chamá-los assim – é o bobalhão que precisam tolerar na viagem para esquiar. Em resumo, é o cara estranho e todos ao seu redor parecem ter aceitado isso, mas para o espectador que sabe o seu segredo nada interessa a respeito de Michael, nada pode perdoá-lo: ele é o monstro que sequestrou, aprisionou e, agora, abusa de todas as maneiras imagináveis o pequeno Wolfgang (interpretado com vulnerabilidade e inocência por David Rauchenberger) em seu porão.

O longa mostra o aborrecido cotidiano de Michael e seu relacionamento repulsivo com a criança. Exibe até, digamos, “cenas ternas” entre os dois, mas sempre para reafirmar a doença do homem. Em resumo, a máxima que vale para o filme é a velha: “olhe bem, você nunca sabe quem realmente é seu vizinho/irmão/colega”. É batido? É. Mas não deixa de ser verdade. Se não revoluciona, pelos menos é um filme sincero que entrega pelo menos duas cenas emblemáticas: a da mesa em que Michael pergunta: “esta é minha faca e este é meu p**, qual dos dois devo enfiar em você?” ao que Wolfgang responde: “A faca”; e a final que é previsível, mas funcional por confiar  na imaginação de quem assiste.

Nota: 7/10

Filme legendado completo:

 

 

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Categorias:Cinema, Críticas

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