“A Última Noite”, de Spike Lee, e + 4 filmes que fazem bom uso de monólogos

Especial Spike Lee

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Monty Brogan (Edward Norton) foi condenado a sete anos de prisão por tráfico de drogas e tem apenas um dia para se despedir da família, namorada e amigos. É este o mote de A Última Noite (2002), primeiro filme de Spike Lee após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Filho do Brooklyn, apesar de ter nascido em Atlanta, o cineasta insere várias referências à tragédia no filme – da abertura apoteótica às imagens dos escombros – e personifica todos os demônios criados nos cidadãos americanos pós-atentado na figura de Monty. Um exemplo disso é o já antológico monólogo em que o protagonista conversa com o próprio reflexo no espelho do banheiro do restaurante de seu pai, despejando toda sua intolerância e preconceito ao mandar um leque tão grande de classes e etnias que vivem em Nova York se foder, que chega a incomodar o telespectador. No epílogo, entretanto, ele observa todas aquelas pessoas livres e sorrindo de dentro do carro enquanto segue para a prisão, preocupado com os danos que a cadeia possa fazer com a sua aparência. Logo, fica a pergunta, quem é a verdadeira escória da cidade? Os paquistaneses, homossexuais e mendigos ou ele mesmo?

Veja cena abaixo deste e de quatro outros brilhantes monólogos do cinema.

1.A Última Noite (2002)

Trecho: “Foda-se você, esta cidade e todo mundo. Fodam-se os mendigos, fazendo caretas pelas minhas costas. Fodam-se os limpadores de pára-brisas, melando meu vidro. Vão trabalhar! Fodam-se os Siques e Paquistaneses, naqueles táxis decréptos, cheirando a curry por todos os toros, estragando o meu dia. Terroristas em treinamento. Dêem um tempo. Fodam-se esses gays com seus peitos depilados e bíceps exagerados, chupando uns aos outros nos meus parques, balançando seus pintos no canal 35. Fodam-se os coreanos com suas frutas caríssimas e suas tulipas e rosas embrulhadas em plástico. Dez anos no país e ainda ‘não falam inglês’. (…) Que um terremoto destrua tudo. Que o fogo se alastre e transforme tudo em cinzas e que as águas subam e arrase este buraco infestado de ratos. Não. Não. Foda-se você, Montgomery Brogan. Você tinha tudo e jogou fora, seu idiota.”

2. A Paixão de Anna (1969)

“[…] Estou fora desse muro. Eu me tranquei para fora. Estou tão longe que… […] É estranho. Quero ser caloroso, terno e estar vivo. Quero ser livre. […] Tenho medo de ser humilhado. Parece o inferno. Aceitei a humilhação e a deixei amadurecer. […] É terrível ser um fracasso. Algumas pessoas acham que têm o direito de lhe dizer o que fazer… um misto de desprezo e boa intenção. Um breve desejo de pisar em algo vivo. […] Eu estou morto. Não, isso é muito melodramático. Eu não estou morto. Mas eu vivo sem autoestima. Sei que isso parece bobo e pretensioso. A maioria das pessoas vive sem nenhuma autoestima. Humilhadas, reprimidas e cuspidas. Elas estão vivas e isso é tudo o que sabem. Não conhecem outra alternativa. Mesmo se conhecessem, nunca iriam buscá-la. Pode-se ficar doente de humilhação? Esta é uma doença com a qual temos de viver? Falamos muito de liberdade. A liberdade não é um veneno para o humilhado? Ou é meramente uma droga que o humilhado usa para poder resistir? Não posso viver assim. Eu desisto. Não aguento mais. Os dias se arrastam. Estou sufocado pela comida que engulo… pela merda da qual me desfaço e pelas palavras que digo. O sol grita para mim todas as manhãs para que eu levante. À noite, os sonhos me perseguem. A escuridão e repleta de fantasmas e lembranças. Já lhe ocorreu que quanto pior as pessoas estão, menos elas reclamam? Finalmente, estão em silêncio… ainda que sejam seres vivo com nervos, olhos e mãos. Enormes exércitos de vítimas e algozes. O sol nasce e se põe pesadamente. O frio se aproxima… A escuridão. O calor. O cheiro. Todos estão silenciosos. Nunca podemos ir. É tarde demais. Tudo é tarde demais”.

3. Annie Hall (1977)

Esse tá legendado!

4. Apocalipse Now (1979)

“Você consegue cheirar isto? Cheire isto? É Napalm, filho. Nada no mundo tem um cheiro semelhante. Adoro o cheiro de napalm pela manhã. Sabe, uma tarde bombardeamos uma colina por doze horas. Quando tudo acabou eu subi a colina. Não encontramos um deles, nem sequer um corpo mal cheiroso. O cheiro, você sabe aquele cheiro de gasolina, toda a colina…. cheirava a vitoria.”

5. Trainspotting – Sem limites (1996)

“Escolha a vida. Escolha um trabalho. Escolha uma carreira. Escolha uma família, escolha uma televisão grande, escolha máquinas de lavar, carros, aparelhos de CD, e abre-latas eléctricos. Escolha uma boa saúde, o colesterol baixo e o seguro dental. Escolha empréstimos de taxa fixa. Escolha uma casa. Escolha seus amigos… Escolha seu futuro. Escolha a vida.”

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