“O Verão de Sam”, de Spike Lee, e o monstro que se avizinha

Especial Spike Lee

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Baseado na história real do serial killer David Berkovitz, auto-intitulado de “Filho de Sam”, que assassinou seis pessoas e feriu outras sete no ano de 1977, O Verão de Sam, de Spike Lee, foi lançado em 1999. O cineasta enfrentou feedback negativo das famílias das vítimas à época de produção, que não queriam apoiar um filme que pudesse glorificar o assassino em algumas sequências. Sabe-se lá que sequências são essas, o fato é que o roteiro teve que ser mudado e se concentrou mais nas histórias da comunidade italiana do Bronx do que na trajetória do próprio assassino em si.

Na trama, conforme os assassinatos avançam, muitas mulheres começam a pintar o cabelo de louro (as vítimas preferidas do serial killer são morenas) e forma-se um grupo de justiceiros, liderados por Joey T. (Michael Rispoli), que criam uma lista de suspeitos, cujo nenhum nome está sequer perto de ser o real assassino.  Richie (Adrien Brody) que tem um estilo punk e uma vida considerada libertina demais para os padrões ítalo-americanos, entra para tal lista e será alvo da suspeita dos seus amigos. O único que ainda tem um pé trás, por que duvida que alguém que cresceu ao seu lado possa cometer estes atos, é Vinny (John Leguizano), um jovem cabeleireiro que atormentado pela culpa católica se sente um traste por trair a mulher Dionna (Mira Sorvino) com todo rabo-de-saia que cruza o seu caminho.

Assim como em Faça a Coisa Certa (1989), faz um calor danado e temos aqui mais uma comunidade nova-iorquina (troca-se os negros por italianos) que serve de pano de fundo para Spike Lee discutir temas espinhosos como comportamento de manada e respeito pelas diferenças. A bordoada da intolerância dessa vez recai toda sobre o personagem de Adrien Brody que tão somente por ser comportar diferente dos demais, mas ser uma pessoa bem mais evoluída que os outros, vira suspeito, sem qualquer vestígio de que seja realmente o assassino. Lee tenta analisar com o viés de comédia do absurdo, mas não é tão feliz como na sua obra-prima lançada dez anos antes, entretanto, consegue passar sua mensagem, de como o “cidadão de bem” pode tornar-se animalesco e selvagem, mesmo perante a um monstro de verdade.

(Em tempo: existe algum filme ruim de 1999?)

Nota: 6/10

Trailer:

 

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Categorias:Cinema, Críticas

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