“Christine – O Carro Assassino” e a paixão dos homens pelas máquinas

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Não sabia muito sobre Christine – O Carro Assassino até apertar o play na Netflix, porque ao contrário da maioria das pessoas, não cheguei a vê-lo no Cinema em Casa do SBT (sou do time Sessão da Tarde). Sabia apenas que era baseada numa obra de Stephen King – que começou a ser produzida antes mesmo do livro ser lançado, tal era a popularidade do autor à época de 1983 – e que era dirigido por John Carpenter, responsável por um dos melhores filmes de todos os tempos, não apenas de terror, mas de qualquer gênero: O Enigma de Outro Mundo, lançado em 1982, também disponível na Netflix e também sobre humanos sofrendo nas mãos de uma entidade misteriosa. Pois bem, imaginava que seria um filme de perseguição desenfreada no estilo Encurralado (1971), do Steven Spielberg, logo me preparei para muita adrenalina, mas Carpenter segue por outros caminhos.

Christine, um Plymouth Fury 1957 vermelho, é um carro para lá de esquisito. O prólogo do filme nos mostra Ela assassinando um operário na fábrica, para 20 anos depois, encontrarmo-nos com sua carcaça enferrujada e abandonada em um velho quintal. Arnie Cunningham (Keith Gordon), um nerd com pais super protetores, é vítima preferida de bullying na escola até avistar Christine e, sabe-se lá por que, se sentir atraído por toda aquela ferrugem. Ignorando as histórias sombrias do antigo dono sobre Christine e o desdém do melhor amigo Dennis Guilder (John Stockwell), Arnie compra a máquina e se dedica incansavelmente à restauração. Há que se concordar que Christine fica uma belezura. E de que forma Ela retribui o carinho de Arnie? Possuída por uma entidade demoníaca, ao som de muito rock’n roll, Christine se vinga de todos que fizeram mal ao seu protetor, que são basicamente os bullies do colégio.

É uma pena que o papel de Arnie é entregue a um ator tão ruim, visto que a parte mais interessante da história é a transformação assustadora do garoto tímido em um homem obcecado por um simples objeto, que vai desde a voz até o estilo de se vestir – note a jaqueta vermelha que começa a fazer parte do seu visual após o garoto entender que a ruivona é mais que um simples carro.

A história não nos oferece uma explicação para o “comportamento” de Christine, só nos resta aceitar que Ela é o possante mais inteligente do mundo, que sacou direitinho como as pessoas podem considerá-la como um brinquedo para adultos, nos manipulando infantil e inconsequentemente.

Sendo bem simplista, dizem que homem gostar de carro é igual mulher gostar de sapato, não tem explicação, é algo que vem de dentro. Grande sacada de King.

No mais, acho que Carpenter mandou bem nas cenas de ação e os efeitos especiais também são impressionantes para a época. O filme não está na minha memória sentimental como tantos outros dos anos 80 que a gente assistia na televisão, logo achei bem irregular, mas curioso como obra cult. Ah, e Christine, na minha opinião, é mais carismática que todos os Carros da Pixar juntos.

Nota: 5,5/10.

 

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Categorias:Cinema, Críticas

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