Top 6: Os dilemas humanos levantados por “filmes de prisão”

Vingança, redenção, liberdade… são temas valiosos levantados por filmes que se passam dentro de prisões. As quatro paredes de uma cela rendem momentos às vezes filosóficos, às vezes brutais. Fui pesquisar e existem centenas de filmes com esse tema, então decidi selecionar seis deles que eu gosto muito e merecem ser vistos:

  1. Sobre liberdade: Rebeldia Indomável (Stuart Rosenberg, 1967)

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Não canso de repetir que Paul Newman era o cara. Com seu talento e carisma sustentava um filme inteiro e criava personagens icônicos como esse Cool Hand Luke. Lançado nos anos 1960, a década da rebeldia, o filme apresenta um protagonista de espírito livre, preso por um crime quase irrelevante, que sofre uma punição desproporcionalmente opressora e fará de tudo para se livrar dela. Há uma cena que resume o filme para mim, na qual Luke é desafiado a comer 50 ovos de uma vez só e consegue realizar a proeza. Após o feito, ele é deixado pelos outros prisioneiros em cima da mesa de madeira em uma posição em forma de cruz. Sim, é uma metáfora explícita para a crucificação de Jesus Cristo. Luke é, portanto, para os outros prisioneiros um símbolo de libertação e uma grande ameaça para o sistema, pelo simples fato de ser autêntico, franco e compreensível.

  1. Sobre autoritarismo: A Experiência (Oliver Hirschbiegel, 2001)

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Ah, a linha tênue que separa o “cidadão de bem” de um criminoso. Não há povo que possa falar melhor sobre isso que os alemães. Baseado num experimento real, A Experiência conta a históra uma equipe de cientistas que reúne 20 presos divididos em dois grupos: oito deles fazem o papel de guardas e os outros 12, de internos. As cobaias são isoladas numa área da penitenciária, onde certas regras devem ser obedecidas e mantidas pelos guardas. No início, a camaradagem reina no ambiente, mas a violência não tarda a explodir. Vale a máxima: quer saber quem um homem é, dê-lhe poder. Excelente filme.

  1. Sobre amor: O Beijo da Mulher-Aranha (Hector Babenco, 1985)

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Mostra a compreensão e respeito que nascem entre dois presos que precisam dividir a cela numa prisão da América do Sul – o longa é brasileiro, mas falado em inglês. Luis Molina (William Hurt, merecidamente premiado como Melhor Ator no Oscar) é um gay preso por comportamento imoral. Valentim (Raul Julia, também incrível) é um prisioneiro político. Para suportar a dureza da cadeia, o primeiro se refugia nos sonhos cheios de romance e mistério, o segundo tenta manter-se politizado para não sucumbir ao sistema. A convivência forçada fará milagres para os dois.

  1. Sobre redenção: César Deve Morrer (Vittorio e Paolo Taviani, 2012).

Já publiquei uma crítica completa desse filme brilhante e experimental aqui. O filme, mistura de ficção e documentário, encena uma versão livre da peça “Julio César”, de Shakespeare, na qual os atores são detentos da ala de segurança máxima da prisão de Rebibbia, na Itália. Em resumo, mostra como a vida pode se tornar mais brilhante através da arte, mesmo dentro da prisão.

  1. Sobre companheirismo: Um sonho de Liberdade (Frank Darabont, 1994)

No contexto de filmes de prisão, Um Sonho de Liberdade trata essencialmente de amizade, entre o prisioneiro injustiçado e o resignado. Tem também a melhor cena de fuga da história ou o filme inteiro seria sobre a fuga mais silenciosa que já existiu? Não li o conto original de Stephen King, mas dizem que Darabont fez miséria e criou um dos melhores roteiros do cinema. Não à toa, figura há anos como melhor filme de todos os tempos no IMDB.

  1. Sobre humanidade: À Espera de um Milagre (Frank Darabont, 1999)

Mais uma adaptação primorosa de Darabont de uma obra de King que se passa na prisão, responsável por inundar de lágrimas as salas de cinema em 1999. Paul (o Tom Hanks de sempre) é guarda de um corredor da morte em 1935. Certo dia, chega à prisão o imenso John Coffey (Michael C. Duncan, marcado para sempre por esse papel), acusado de estuprar e matar duas jovens meninas. Um relacionamento entre os dois surge durante o conviver, revelando que Coffey não é o monstro que parecia à primeira vista. Um filme ao mesmo tempo humano e fantasioso.

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Categorias:Cinema, Listas

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