Especial Philippe Garrel : “Beijos de Emergência”, intenso e intimista

Sy, Philippe e Louis: família no cinema e na vida real.

Em uma discussão sobre amor na mesa de um bar, Jeanne (Brigitte Sy) expõe sua visão sobre o tema. Para ela, os homens usam o amor para viver, mas só as mulheres sabem fazê-lo funcionar. Como nos cuidados de um carro, as mulheres fazem uma manutenção diária enquanto os homens apenas levantam o capô e o consertam após algum “acidente”.

Jeanne é uma atriz que se sente traída após o marido Mathieu (interpretado pelo próprio diretor, Philippe Garrel), cineasta, escolher uma atriz famosa (Anémone) para seu novo filme. A seu ver, a futura obra é uma autobiografia sobre o relacionamento dos dois, portanto, apenas ela poderia interpretar adequadamente a personagem.

Beijos de Emergência (1989) segue, então, o percalço de Jeanne para a manutenção deste amor, nem que para isso use de métodos pouco ortodoxos. Interessante notar que a revolta da mulher não é por uma traição carnal, mas por um sentimento mais elevado. Percebe-se na cena em que ela visita a atriz famosa para confrontá-la. Quando  a estrela argumenta: “ele teve um filho com você”, Jeanne rebate prontamente: “ele fará um filme com você”, numa cena que revela a intensidade de como ela leva a sério a sua arte, porque para Jeanne, o amor é uma arte em si, que ela precisa proteger como uma artesã para que sua dignidade seja mantida.

Neste filme, como características do cinema de Garrel destacam-se a inacessibilidade da mente dos amantes, o tédio na expressão vazia dos atores e as atitudes apaixonadas que soam como loucura para o público, mas que para os personagens, cegos de paixão, é difícil enxergá-las com lucidez. As cenas longas, fotografadas, às vezes, em belissimos planos abertos em preto e branco, infelizmente deixam o filme arrastado, mas ainda assim recomendável.

Curiosidade: este é o primeiro filme de Louis Garrel, um dos mais famosos atores franceses da atualidade. Ele é filho do diretor e de Brigitte Sy e interpreta também o filho deles, o pequeno Lo, dando ao filme uma conotação intimista e autobiográfica.

Nota: 7/10

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Categorias:Cinema, Críticas

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