Especial Philippe Garrel: autodestruição em “A Fronteira da Alvorada”

Tal qual Charlotte (Scarlett Johansson) em Encontros e Desencontros (2003), de Sofia Coppola, Carole (Laura Smet) de A Fronteira da Alvorada , é uma jovem esposa solitária que se sente abandonada pelo marido viciado em trabalho. Ambas encontrarão o amor nos braços de outro homem, porém, se no neoclássico de Coppola, o romance consistia platônico, silencioso e observador, no filme dirigido por Philippe Garrel, ele é autodestrutivo, mórbido, uma condição fundamental para a própria vida.

Na trama, Carole é uma atriz de cinema que se envolve com o fotógrafo François (Louis Garrel), contratado para tirar fotos suas. Manter o caso em segredo não é muito complicado, visto que o marido está passando uma longa temporada a trabalho em Hollywood. A atriz dá continuidade ao romance cautelosamente, mas, aos poucos, se apaixona de forma irremediável e é correspondida.

O marido, como era de se esperar, um dia volta ao lar e François evita se encontrar com Carole novamente. Tempos depois ele conhece Eve (Clémentine Poidatz), que lhe permite uma vida tranqüila cheia da felicidade burguesa que ele tanto temia, mas a imagem de Carole não sai de sua cabeça, levando-o a loucura. Preciso contar assim meio por cima para não estragar as reviravoltas que acontecem no ato final.

A Fronteira da Alvorada, lançado há dez anos atrás, é um romance exagerado mesmo, do tipo “sem você eu não vivo”, que tende a desaparecer das telas nestes tempos cínicos que tomam conta do cinema, no qual está ultrapassado ser muito passional. Como se trata do mais puro ouro de Garrel, é contemplativo e melancólico. Destaque para a atuação de Laura Smet –  tão bela quanto Scarlett Johansson – aqui desesperada e urgente, em todas as suas versões.

Nota: 9,5/10

Leia também no Especial Philippe Garrel: “Beijos de Emergência”, intenso e intimista

O filme está disponível completo e legendado em português:

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Categorias:Cinema, Críticas

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