Mini-Críticas: três clássicos para assistir na Netflix

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Abaixo três dicas de clássicos facéis de encontrar na Netflix ou na internet (se é que vocês me entendem):

Era Uma Vez no Oeste (Sergio Leone, 1968)

Conhecido tanto como o canto do cisne dos grandes faroestes como a despedida de Sergio Leone no gênero, “Era Uma Vez no Oeste” é realmente de cair o queixo. Acho interessante como a construção da futura estrada de ferro é o fio condutor da trama. Simbolizar a chegada da modernidade tanto como o fim da selvageria no oeste quanto como a decadência dos “filmes de bang-bang” no final dos anos 1960 é coisa de gênio. Muito já foi escrito sobre a obra, mas dentre os aspectos mais interessantes está o trabalho de som, que ora se vale do silêncio para criar o suspense (como a magnífica cena inicial que deveria ter entrado nesta lista aqui), ora retumba com a seminal trilha sonora de Enio Morricone.

Preste atenção à cena do duelo final, obrigatória no gênero, que calha de ser também a de revelação do passado misterioso de Harmonica (Charles Bronson). Montagem, atuações, direção e trilha que não têm um milésimo de segundo fora do tom. Para assistir de joelhos. Outra cena desoladora é a de Jill (Claudia Cardinale) chegando ao rancho e encontrando a nova família morta, quase sem diálogos, com o tema tristíssimo de Morricone ao fundo. Para mim, estas duas sequências resumem toda a agonia existencial do faroeste definitivo, mais até que as cenas de ação.

Nota: 8,5/10

O Profissional (Luc Besson, 1994)

Que ano abençoado o de 1994 para o cinema! De A Fraternidade é Vermelha à Amores Expressos, de Pulp Fiction à Forrest Gump, passando por bobagens como Velocidade Máxima, todos legais de rever até hoje. Foi o ano também de O Profissional, sobre a improvável amizade entre a órfã com sede de vingança Mathilda (Natalie Portman, arrasando logo no primeiro papel) e o assassino profissional Leon (Jean Reno). O elo crescente de pai e filha (embora Mathilda, na sua confusão pré-adolescente, confunda um pouco as coisas) que vai sendo construído entre os dois é o ponto alto do filme. É uma pena que o estridente personagem de Gary Oldman, o agente federal corrupto algoz de pequena menina, beire o insuportável, mas tudo bem, o sabor agridoce da relação entre Mathilda e Leon nos faz perdoar os exageros da história. Falo mais sobre o filme aqui.

Nota: 7,5/10

Onde os Fracos Não tem Vez (Ethan e Joel Coen, 2007)

O filme vencedor do Oscar de 2008 é baseado no livro de Cormac McCarthy (no original, No Country For Old Men ou Este País Não é Para os Velhos). Onde os Fracos trata de um tema que parece caro ao cinema norte-americano: o conflito entre gerações, entre o novo e o velho.  Conta a história do velho xerife (Tommy Lee Jones), que não entende o desvirtuamento dos valores de sua juventude nos dias atuais (a história se passa em 1980), com mortes ligadas ao tráfico e jovens de cabelo pintado que não se dirigem mais os mais velhos como “senhor” e “senhora”. Para ele, os valores morais estão desvirtuados até mesmo entre os marginais como Anton Chigurh (Javier Bardem), um impiedoso assassino de aluguel que mata suas vítimas com uma pistola de ar usada no abate de bois. Chigurgh quer por que quer recuperar a maleta de dinheiro achada por acaso por Llewelyn Moss (Josh Brolin), este o típico personagem vítima do absurdo existencial dos Irmãos Coen, que teve o azar de cruzar o caminho do pistoleiro, mas que mostra uma astúcia na sua fuga que ninguém imaginaria à primeira vista.

Revendo este neoclássico recentemente, me incomodou essa defesa dos valores morais do passado, como se as gerações anteriores fossem superiores à nossa. Ora, não são. Analisando friamente, toda época e cada sociedade tem seus podres, sendo que os valores sociais também são mutáveis. Esta discussão não é levantada em nenhum momento no filme. Atitudes em defesa à tradição pela tradição sempre culminaram em desastres aos norte-americanos como a eleição de Donald Trump, o rei dos chamados white trash, pessoas brancas e ignorantes, bem comuns no Texas, onde se passa o filme. Acho perigoso não o saudosismo passivo dos Coen, preciosos na direção, mas o que o público pode extrair da história. Não sei bem o que pensar, por que tecnicamente é sim um grande filme, porém, sempre defenderei a readaptação às mudanças sociais provocadas pelos indíviduos e nunca a resignação por pura inaptidão de enxergar que o novo sempre vem.

Nota: 7/10

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Categorias:Cinema, Críticas, Listas

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