Dois indies americanos: Hereditário e The Rider

Hereditário (2018)

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O filme dirigido por Ari Aster começa como um drama familiar e, gradualmente, torna-se um terror sobrenatural. O cineasta afirmou em entrevistas que a decisão de separar o filme nestas duas metades foi proposital, como que para representar um pesadelo em que tudo começa a desmoronar, mas o resultado final fica só na intenção mesmo. Antes, vamos à história: Annie (Toni Collette) aceita a morte da mãe com certo alívio, já que nunca teve um bom relacionamento com ela, mas a sombra da matriarca parece continuar na família, especialmente sobre a solitária neta adolescente, Charlie, por quem a avó sempre manteve uma fascinação inexplicável.

Ari Aster não é Alfred Hitchcock, que dividiu Psicose em duas metades distintas e bem fluídas, nem Roman Polanski, que conseguiu inserir brilhantemente o ocultismo em um drama real em O Bebê de Rosemary. Enquanto a primeira metade da tragédia familiar é arrastada, a segunda se entrega totalmente aos truques mais baratos do gênero de horror. O longa, entretanto, tem aspectos interessantes como cenografia e trilha sonora e consegue ser arrepiante pelo menos uma vez, na cena da rodovia com um acidente que dá uma guinada na trama. Mas, no todo, fica a sensação de mais do mesmo.

Nota: 5/10

The Rider (2017)

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The Rider é desolador porque trata de algo que todos nós tememos: perder a razão de existir. Para o caubói Brady Blackburn (Brady Jandreau), o motivo de estar aqui na Terra é montar em cima de um cavalo e disputar rodeios, mas depois de sofrer uma lesão quase fatal na cabeça, que lhe rendeu uma placa de metal no crânio e o comprometimento do movimento das mãos, o jovem vaqueiro é informado que corre sérios riscos de saúde se voltar a cavalgar. O problema para Brady será descobrir uma nova identidade, já que nunca pensou em fazer mais nada na vida, e não esperava ser poupado do que ama assim tão cedo na vida.

A diretora Chloé Zhao filma exemplarmente a nova condição de Brady, posicionando-o pequeno perante a imensidão árida da Dakota do Sul, nos Estados Unidos. As panorâmicas e planos abertos são de impressionar de tão bem enquadrados. O resultado é um comovente neofaroeste, com poucos diálogos e muita melancolia. Curiosidade: o filme é inspirado na história pessoal do próprio Brady Jandreau, que sofreu acidente similar na vida real, sendo que os atores interpretam uma versão de si mesmos no filme.

Nota: 7/10

 

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Categorias:Cinema

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