Filme de super-herói bom é o que não se leva a serio

thor-horzNesses dias, tive uma overdose de filmes de super-heróis. Assisti, por ordem: Thor: Ragnarok, Vingadores: Guerra Infinita, Deadpool 2 e Pantera NegraDefinitivamente, não é minha praia, mas ao menos me leva a algumas reflexões.

Toda essa maratona começou quando soube que Thor: Ragnarok era dirigido pelo Taika Waitti. Se você não sabe quem é o cara, procure na Netflix o seu filme anterior, O Que Fazemos nas Sombras, um “documentário” sobre a rotina de vampiros neozelandeses. Sério, é genial, assistam! Pois bem, o filme do herói da Marvel é tão hilariante quanto. Uma comédia escrachada mesmo, em que o loirão tem que proteger Asgard das mãos da irmã malévola, deliciosamente interpretada por Cate Blanchett.

Empolgado, fui ver Vingadores: Guerra Infinita. Desta vez, a experiência teve um resultado mais indigesto. Depois que passa o momento “caraca, que legal, olha tanto herói junto reunido!”, o que sobra é uma correria exaustiva de gente pra lá, gente pra cá. O impacto do final corajoso, no qual o vilãozão Thanos mata metade da humanidade, incluindo alguns dos nossos heróis, dura cinco segundos se você refletir um pouco. Aliás, os efeitos especiais que fizeram a maquiagem digital de Thanos não convencem, parece mais um bonecão de plástico do Josh Brolin.

Agora, não preciso de nenhum motivo especial para ver Deadpool 2. Isso sim que é filme de herói de verdade: debochado, metalingüístico, boca-suja, com mil piadas por hora, que beiram o limite do aceitável. Manda logo o #3, Ryan Reynolds!

Ao contrário dessa bobagem autoconsciente, Pantera Negra tem algo a mais a dizer. Me incomoda muito, mas muito mesmo, o primeiro ato do filme, com todos os estereótipos clássicos da África, desde os figurinos ao sotaque risível, como cenário da ascensão do novo rei de Wakanda. Quase me fez desistir, mas vai melhorando, especialmente com a entrada em cena do vilão interpretado por Michael B. Jordan, suscitando questões importantes sobre geopolítica e construindo um bonito drama familiar sobre responsabilidade e lealdade.  E, preparem-se, a nova categoria de Melhor Filme Popular no Oscar foi criada para premiar este filme [mas já flopou].

Em resumo, gosto bem mais das histórias que não se levam a sério como Thor e Deadpool. Por que, convenhamos, quando tocamos no assunto, estamos falando de adultos em fantasias extravagantes brincando de lutinha. Não dá para ser profundo. Ok, O Cavaleiro das Trevas conseguiu, muito por causa da atuação de Heath Ledger como Coringa, assombrosa demais para ser uma fantasia. Mas me diz qual outro? Nem mesmo na sequência, O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Christopher Nolan conseguiu manter a sobriedade, fazendo um filme de que não me lembro de quase nada além de sua megalomania.

Portanto, sim, curto mais a pegada descontraída da Marvel diante da “sombria” DC Comics. São os tempos, meus amigos, até o povo enjoar de tanto super-herói, vamos ter que ir peneirando para conseguir catar algum ouro.

 

 

Anúncios


Categorias:Cinema, Críticas

Tags:, , , , , ,

1 resposta

Trackbacks

  1. Globo de Ouro: breves comentários sobre os filmes indicados – Um Frame

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: