“Cucurrucucú Paloma”: porque os gringos amam Caetano cantando essa música em seus filmes

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Dia desses fiz um post sobre Wong Kar-Wai e citei que Caetano Veloso aparece cantando Cucurrucucú Paloma na trilha sonora de um dos seus filmes, Felizes Juntos (1997).

Já havia notado que era mesma música que ele entoava em Fale com Ela (2002) e que foi inserida também no filme vencedor do Oscar ano passado, Moonlight – Sob a Luz do Luar (2016).

Até mesmo Barack Obama, então presidente dos Estados Unidos, na sua tradicional playlist de verão de 2016, incluiu a faixa de Caetano Veloso, no meio de Jay Z, Prince, Manu Chao e Janet Jackson:

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Coisa de fã, fui pesquisar por que os gringos de todos os cantos do mundo gostam tanto dela.

Descobri que “Cucurrucucú Paloma” é uma música mexicana em estilo huapango, escrita por Tomás Méndez, em 1954. O título é uma referência à onomatopéia característica dos pombos evocada no refrão e a letra belíssima narra a história de alguém com coração partido que, como uma pomba triste, passa os dias a cantar em prantos pelo amor que partiu .

Ao longo dos anos, a música foi usada na trilha sonora de vários filmes e ganhou popularidade internacional. Apareceu inicialmente na clássica comédia mexicana Escola de Vagabundos (1955), onde foi cantada pela estrela do filme, Pedro Infante (ouça abaixo). A música também deu seu nome ao filme mexicano Cucurrucucu Paloma, de 1965, dirigido por Miguel Delgado, no qual foi interpretada por Lola Beltrán.

Outros filmes em que a música aparece incluem O Magnifíco; O Último Pôr do Sol; Meu Filho, Olha o que Fizeste! e Cinco Anos de Noivado.

Mas por quê os gringos gostam tanto dessa música?

A dolorosa letra que trata da impossibilidade de concretizar um amor talvez toque mais os romances gays, vide Felizes Juntos e Moonlight. No filme de Wong Kar-Wai, a música é tocada durante as imagens que mostram o turbilhão aquático que se forma nas Cataratas do Iguaçu, no momento de transição em que a fotografia passa de preto e branco para colorida, e causa uma reviravolta no romance central:

Em Moonlight, dirigido por Barry Jenkis, a música é usada no terceiro ato em que Black decide viajar para enfim encontrar o único amor que teve na vida, rompendo assim com a angústia interna, que tem tudo a ver com a canção. Lembrando que a escolha de Cucurrucucú não é coincidência. Jenkis já falou em entrevistas que as cores de Kar-Wai são grande inflência para a composição fotográfica de Moonlight.

Em Fale com Ela, de Pedro Almodóvar, Caetano, numa participação especial, “rompe” a história do filme e cria uma realidade alternativa, enchendo o espaço de uma íntima melancolia dos típicos amores almodovarianos.

Após tudo isso, a explicação que encontrei me diz que a versão de Caetano, acompanhada apenas de violão, violoncelo e baixo, universalizou e transformou a canção de uma cultura musical muito particular – o huapango mariachi – num hino de amor  com alcance universal que comove estadunidenses, chineses, espanhóis e qualquer um que se dispuser a ouvi-la nos quatro cantos do mundo. Ay, Ay, Ay…

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Categorias:Cinema, Música

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