O humanismo dos Irmãos Dardenne em 5 filmes

dardennes

Jean Pierre e Luc Dardenne com Marion Cottilard

Um aperto no coração e um nó na garganta… não se admire se você terminar de assistir um filme dos irmãos belgas Jean Pierre e Luc Dardenne desse modo. A característica mais marcante destes cineastas é a habilidade de refletir sobre questões políticas e sociais a partir do indivíduo.

Os protagonistas de seus filmes costumeiramente são homens, crianças e mulheres à margem da sociedade, retirados do seu universo particular e obrigados a se unir com outras pessoas. De modo simplista, pode-se dizer que a mensagem de suas histórias é que o rompimento de barreiras pessoais é a solução para transformar uma sociedade individualista em uma sociedade com ideais mais coletivizados, menos sectária, menos xenofóbica.

Esteticamente, a dupla é fiel ao estilo documental que se aproxima do realismo social, com um registro naturalista, ausência de trilha sonora e a câmera sempre muito próxima dos atores. A Europa deles não é a dos sonhos, mas um continente velho e cansado.

Abaixo, breves comentários de cinco de suas ficções mais humanistas:

  1. A Criança (2005)

image-w1280

O jovem Bruno (Jérémie Renier, parceiro habitual em vários de seus filmes), vive de auxílio do governo e dos pequenos roubos que pratica, até que decide ter uma nova fonte de renda: a venda do filho recém-nascido, para desespero da mãe da criança, Sonia (Déborah François). O título deste filme é simples e genial: todos os personagens são imaturos a ponto de merecê-lo. A premissa assustadora da história serve de base para mostrar o amadurecimento do jovem deliquente na tentativa de resgate do filho. Segundo filme dos diretores a vencer a Palma de Ouro de Cannes, em 2005, depois de Rosetta, em 1999.

Nota: 10/10

  1. O garoto da bicicleta (2011)

focus-sur-le-gamin-au-velo-des-freres-dardenne_article_landscape_pm_v8

Abandonado por seu pai, um menino é deixado em um orfanato. Em um ato aleatório de bondade, uma cabeleireira (Cécile de France) concorda em acomodá-lo em sua casa nos fins de semana até adotá-lo definitivamente. Porém, a gana do menino em reencontrar o pai quase põe tudo a perder. O Garoto da Bicicleta sempre me comove. A doação inexplicável da cabeleireira pelo garoto, a expiação do menino no final, o Jérémie Renier como pai relapso do garoto – num “diálogo” com A Criança – são alguns motivos que me fazem gostar tanto. O humanismo dos diretores, que defendem que o altruísmo pode salvar a sociedade de seu cego egoísmo, está muito claro aqui.

Nota: 9.5/10

  1. A Promessa (1996)

a2bpromessa2b2

Roger (Olivier Gourmet, outro ator constante em seus filmes) usa seu filho Igor (de novo Renier) para traficar impiedosamente e explorar imigrantes sem documentos. Antes da morte de um deles, Igor promete cuidar da esposa e do filho recém-nascido do falecido contra as ordens de seu pai. Uma belíssima fábula moral, na qual a cumplicidade que vai sendo construída entre Igor e a família se mostra como uma tábua de salvação para a vida do jovem, que até então desconhecia como estava sendo tão abusado pelo próprio pai.

Nota: 9.5/10

  1. O Filho (2002)

le_fils

Um carpinteiro tem como aprendiz o jovem que assassinou seu próprio filho. O moço não sabe que aquele é o pai de sua vítima no passado. Aqui, o grande dilema moral: o que você faria? Como se trata dos irmãos Dardenne, é claro que não teremos vingança, mas uma redenção que seria difícil de engolir para a maioria das pessoas (sociedade individualista!), mas que torna o cinema dos belgas uma das coisas mais inacreditavelmente belas que você vai ver.

Nota: 9/10

  1. Dois dias, uma noite (2014)

two-days-one-night-4

A depressiva Sandra (Marion Cottilard) é uma operária que descobre que seus colegas de trabalho optaram por um bônus de 1.000 euros em troca de sua demissão. Ela tem apenas um fim de semana para convencer seus colegas a desistir de seus bônus para manter seu emprego. O filme em que a indagação existencialista dos irmãos fica mais clara: queremos construir um mundo em que cada um só pensa em si ou podemos nos salvar através da irmandade? A jornada pessoal de Sandra como metáfora para uma das grandes angústias da humanidade.

Nota: 8/10

 

Anúncios


Categorias:Cinema, Listas

Tags:,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: